Imagine olhar para o céu no fim da tarde e perceber que o Sol está desaparecendo muito antes de chegar ao horizonte. A luminosidade diminui rapidamente, a temperatura pode cair e, por alguns instantes, um disco completamente negro ocupa o lugar da estrela que normalmente domina o céu.
É isso que milhões de pessoas poderão acompanhar nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, durante um dos eventos astronômicos mais aguardados do ano.
Um eclipse solar total atravessa hoje uma extensa faixa do Hemisfério Norte, passando por regiões remotas da Rússia e da Groenlândia antes de alcançar a Islândia, o Oceano Atlântico, a Espanha e uma pequena área do extremo noroeste de Portugal. Em regiões próximas à faixa de totalidade, o fenômeno será visto como eclipse parcial.
O Brasil ficará completamente fora da área de visibilidade.
Segundo o Observatório Nacional, nenhuma região brasileira poderá observar o fenômeno diretamente, nem mesmo como eclipse parcial. A boa notícia é que haverá transmissões pela internet durante boa parte do evento. O próprio Observatório Nacional inicia uma programação especial às 12h pelo horário de Brasília, enquanto a transmissão oficial da NASA começa às 14h15.
E para quem pretende acompanhar o momento mais impressionante, vale guardar outro horário: a partir de aproximadamente 14h48 em Brasília, a totalidade já poderá ser observada em Reykjavík, na Islândia. Pouco depois das 15h20, será a vez de diferentes regiões da Espanha mergulharem na sombra da Lua.
Durante a totalidade, o Sol desaparece completamente atrás da Lua e a coroa solar surge ao redor do disco escuro, criando uma das imagens mais impressionantes que podem ser observadas da Terra.

Para quem estiver em um dos países onde o fenômeno será visível, existe uma regra que não admite improvisação: óculos escuros comuns não protegem os olhos contra a luz do Sol
Onde o eclipse solar será visível hoje?
Para entender onde o fenômeno poderá ser visto, imagine que a Lua esteja projetando duas sombras diferentes sobre a Terra.
No centro existe uma pequena região muito escura chamada umbra. Apenas quem estiver dentro dessa faixa verá a Lua cobrir completamente o Sol e poderá presenciar um eclipse total.
Ao redor dela existe uma região muito maior chamada penumbra. Nela, somente parte do Sol fica encoberta e o fenômeno aparece como eclipse parcial.
Nesta quarta-feira, a umbra percorre regiões do extremo norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena área do noroeste de Portugal. A NASA também informa que grande parte do Canadá, regiões do norte dos Estados Unidos, boa parte da Europa e o noroeste da África poderão acompanhar diferentes graus de eclipse parcial.
Na Espanha, algumas das cenas mais impressionantes acontecerão quando o Sol já estiver relativamente baixo no céu.
Em León, por exemplo, o eclipse parcial começa às 19h32 no horário local, e a totalidade acontece entre aproximadamente 20h28 e 20h30.
Em Zaragoza, o fenômeno parcial começa às 19h34, com totalidade das 20h29 às 20h30.
Em Valência, o eclipse parcial começa às 19h38, e o Sol fica totalmente encoberto aproximadamente entre 20h32 e 20h33.
Há ainda cidades que estarão extremamente perto da faixa de totalidade, mas continuarão vendo uma pequena porção do Sol.
Segundo a NASA, Madrid terá cerca de 99% do disco solar encoberto no momento máximo, por volta das 20h32 no horário local. Barcelona também chegará a aproximadamente 99%, com máximo às 20h29.
É uma diferença aparentemente pequena.
Mas astronomicamente ela é enorme.
Um eclipse com 99% de cobertura continua sendo parcial. Apenas quando 100% da superfície brilhante do Sol está escondida é que o céu pode escurecer de maneira dramática e a coroa solar se torna diretamente visível.
Lisboa terá cerca de 95% de cobertura, com máximo às 19h36. Londres chegará a aproximadamente 91%, Paris a 92%, Berlim a 85% e Milão a 92%.
Em muitas dessas regiões europeias, o espetáculo acontecerá perto do pôr do sol.
A NASA destaca justamente essa particularidade: em partes da Europa continental e da África, o Sol se colocará no horizonte ainda parcialmente eclipsado. Isso poderá produzir cenas bastante incomuns, com o crescente solar desaparecendo no horizonte.
Que horas acontece o eclipse solar para quem está no Brasil?
Como o fenômeno não será visível diretamente por aqui, o horário mais importante depende da transmissão escolhida.
O Observatório Nacional promove uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota a partir das 12h pelo horário de Brasília. A apresentação será conduzida pela astrônoma Josina Nascimento e contará com a participação de astrônomos profissionais e amadores. A retransmissão será realizada em parceria com o Time and Date.
Já a cobertura oficial da NASA começa às 14h15 pelo horário de Brasília, equivalente às 13h15 no horário EDT informado pela agência espacial americana. A transmissão terá imagens provenientes de diferentes pontos ao longo da trajetória e participação de especialistas.
Um cronograma simples para acompanhar do Brasil fica assim:
- 12h: início da transmissão do Observatório Nacional
- 14h15: início da transmissão oficial da NASA
- 14h48: início da totalidade em Reykjavík, aproximadamente
- 15h28: início da totalidade em León, na Espanha
- 15h29: início da totalidade em Zaragoza
- 15h32: início da totalidade em Valência
Os três últimos horários foram convertidos para o horário de Brasília a partir dos horários locais divulgados pela NASA.
A duração também é relativamente curta.
Segundo a NASA, para a maior parte das pessoas localizadas na faixa de totalidade, o Sol permanecerá completamente encoberto por menos de dois minutos. Em pontos próximos ao centro da trajetória, principalmente na Groenlândia, Rússia e Atlântico Norte, a totalidade pode durar um pouco mais, mas continua abaixo de dois minutos e meio.
São poucos minutos diante de um evento que depende de uma coincidência geométrica extraordinária.
A Lua é muito menor que o Sol, mas também está muito mais próxima da Terra. Vista do nosso planeta, ela pode apresentar um tamanho aparente suficiente para cobrir o disco solar quase perfeitamente.
Como brasileiros podem assistir ao eclipse solar ao vivo?
Para o público brasileiro, a internet será a janela para o fenômeno.
O Observatório Nacional confirmou que o eclipse solar de 12 de agosto não será visto de nenhuma parte do território nacional. Por isso, o canal da instituição no YouTube fará uma retransmissão especial a partir do meio-dia.
A proposta do projeto O Céu em sua Casa não é apenas exibir imagens.
Astrônomos comentam o fenômeno, explicam a geometria dos eclipses e conversam com o público pelo chat, reproduzindo virtualmente parte da experiência de acompanhar uma observação astronômica guiada.
A NASA também fará uma grande cobertura.
A agência informou que mostrará imagens obtidas ao longo da faixa do eclipse solar, além de entrevistas com especialistas. A NASA também está aproveitando o fenômeno para realizar pesquisas científicas, incluindo observações da coroa solar a partir de uma aeronave de pesquisa WB-57 voando em grande altitude.
O motivo é simples: eclipses totais oferecem condições especiais para estudar regiões próximas ao Sol que normalmente ficam ofuscadas por sua superfície extremamente brilhante.
Durante a totalidade, a Lua funciona como um gigantesco bloqueador natural de luz.
É justamente nesse momento que aparece a coroa solar, a atmosfera externa extremamente quente do Sol, formando estruturas claras ao redor do disco negro da Lua.
Para quem está na faixa certa, é um espetáculo visual.
Para os cientistas, é também uma oportunidade rara de observação.
O eclipse pode durar poucos minutos para cada observador, mas a sombra da Lua percorre milhares de quilômetros e transforma diferentes regiões da Terra ao longo de sua trajetória.

Durante a totalidade, o Sol desaparece completamente atrás da Lua e a coroa solar surge ao redor do disco escuro, criando uma das imagens mais impressionantes que podem ser observadas
Como observar o eclipse com segurança?
Para quem estiver em um dos países onde o fenômeno será visível, existe uma regra que não admite improvisação: óculos escuros comuns não protegem os olhos contra a luz do Sol.
Durante qualquer fase parcial, é necessário utilizar proteção adequada para observação solar.
A NASA recomenda óculos próprios para eclipses ou visualizadores solares seguros que atendam ao padrão internacional ISO 12312-2. Esses filtros são milhares de vezes mais escuros do que óculos de sol convencionais.
Também não se deve olhar para o Sol através de câmeras, binóculos ou telescópios sem filtros solares específicos instalados na parte frontal dos equipamentos. A concentração da radiação solar por essas lentes pode provocar lesões graves nos olhos e também danificar equipamentos.
Há apenas uma exceção.
Durante os breves momentos de totalidade completa, quando a Lua encobre absolutamente toda a superfície brilhante do Sol, quem está dentro da faixa de totalidade pode retirar a proteção e observar diretamente.
Assim que qualquer pequeno pedaço brilhante do Sol reaparecer, a proteção precisa voltar imediatamente.
No Brasil, esse cuidado não será necessário especificamente para o eclipse de hoje, já que ele não aparecerá em nossos céus.
Mas novas oportunidades estão chegando.
A NASA informa que em 6 de fevereiro de 2027 ocorrerá um eclipse solar anular cuja área de visibilidade inclui partes da América do Sul e do Brasil, enquanto uma região ainda maior do continente poderá observar o fenômeno de forma parcial.
Quem quiser ver a noite surgir no meio do dia em território brasileiro, porém, terá de esperar mais.
Segundo o Observatório Nacional, o próximo eclipse solar total com faixa de totalidade atravessando o Brasil acontecerá em 12 de agosto de 2045, passando por estados das regiões Norte e Nordeste.
Curiosamente, será exatamente 19 anos depois do eclipse desta quarta-feira.
Até lá, transmissões ao vivo aproximam regiões do planeta que estão a milhares de quilômetros de distância.
Hoje, quem está no Brasil poderá permanecer sentado diante de uma tela enquanto a sombra da Lua atravessa o Ártico, alcança a Islândia, cruza o Atlântico e chega à Europa no fim da tarde.
Tudo isso acontece porque três corpos separados por enormes distâncias estarão, por alguns minutos, praticamente na mesma linha.
Sol.
Lua.
Terra.
Quando o alinhamento é perfeito e você está no lugar certo, o dia simplesmente apaga.