Agosto terá dois eclipses e conseguiremos ver um deles do Brasil

Agosto terá dois eclipses e conseguiremos ver um deles do Brasil

Dois eclipses prometem espetáculo raro no céu de agosto. Fenômenos acontecem quando Sol, Terra e Lua se alinham.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine olhar para o céu em uma noite comum de agosto e perceber que a Lua está sendo lentamente tomada pela sombra da Terra. Algumas semanas antes, em outro ponto do planeta, o Sol terá desaparecido por alguns instantes atrás da Lua, criando aquele tipo de cena que parece suspender o tempo. Agosto de 2026 será assim: um mês marcado por dois eclipses, um solar e outro lunar.

Os dois eclipses acontecem em datas diferentes e terão visibilidades bem distintas. O primeiro será um eclipse solar total em 12 de agosto. O segundo será um eclipse lunar parcial entre os dias 27 e 28 de agosto. Para o Brasil, o grande destaque será o eclipse lunar, que poderá ser visto em todo o território nacional durante a madrugada.

O eclipse solar total, por sua vez, será mais restrito geograficamente. A faixa de totalidade passará por regiões do hemisfério norte, incluindo Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Atlântico, Espanha e uma pequena área de Portugal. Em outras regiões, o fenômeno poderá ser visto de forma parcial. No Brasil, a visualização do eclipse solar será muito limitada, com possibilidade parcial em uma área restrita do Rio Grande do Norte, segundo projeções astronômicas.

Já o eclipse lunar parcial será bem mais democrático para os brasileiros. Como ocorre durante a noite e envolve a sombra da Terra sobre a Lua, não exige equipamentos especiais nem proteção ocular. Basta céu limpo, boa visibilidade da Lua e disposição para observar o fenômeno em horário avançado.

Dois eclipses no mesmo mês lembram que o céu continua oferecendo espetáculos gratuitos, mesmo em uma época em que quase todo mundo olha mais para telas do que para as estrelas.

Eclipse lunar pode ser visto a olho nu. Eclipse solar exige proteção adequada, porque a beleza do fenômeno não compensa o risco de lesão permanente nos olhos.

Eclipse lunar pode ser visto a olho nu. Eclipse solar exige proteção adequada, porque a beleza do fenômeno não compensa o risco de lesão permanente nos olhos

Dois eclipses em agosto: quais serão os fenômenos?

O primeiro evento será o eclipse solar total de 12 de agosto de 2026. Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, bloqueando total ou parcialmente a luz solar para algumas regiões do planeta. Na faixa de totalidade, a Lua cobre completamente o disco solar por alguns instantes, permitindo observar a coroa solar, aquela atmosfera externa brilhante que normalmente fica escondida pelo excesso de luz do Sol.

Esse tipo de eclipse é um dos fenômenos astronômicos mais impressionantes que uma pessoa pode ver. Durante a totalidade, o dia escurece, a temperatura pode cair, animais podem mudar de comportamento e o céu ganha um aspecto quase irreal. Por isso, muitas pessoas viajam milhares de quilômetros para ficar exatamente dentro da faixa onde o eclipse será total.

O segundo evento será o eclipse lunar parcial entre 27 e 28 de agosto. Nesse caso, a lógica se inverte. A Terra fica entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural. Como será um eclipse parcial, a Lua não ficará completamente mergulhada na sombra mais escura da Terra, mas boa parte dela será encoberta.

No Brasil, esse será o fenômeno mais interessante do mês para observação popular. Em várias capitais no horário de Brasília, o eclipse penumbral começa por volta das 22h23 do dia 27, a fase parcial começa perto das 23h33, o máximo ocorre por volta de 1h12 do dia 28 e o evento termina por volta das 4h01.

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Qual deles será visto no Brasil?

O eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil, desde que o céu esteja limpo. Isso inclui capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Porto Alegre, Manaus e muitas outras cidades. A diferença principal estará no fuso horário, especialmente em estados do Norte e do Centro-Oeste que não seguem o mesmo horário de Brasília.

A Lua estará alta no céu durante boa parte do fenômeno, o que facilita a observação. Diferente de um eclipse solar, que depende de filtros especiais, o eclipse lunar pode ser visto a olho nu com segurança. Quem tiver binóculos ou telescópio poderá perceber melhor as mudanças de brilho e cor na superfície lunar.

O eclipse solar total não terá sua totalidade visível no Brasil. A experiência completa ficará concentrada em regiões do hemisfério norte. Ainda assim, projeções indicam que uma pequena área do Rio Grande do Norte poderá observar uma fase parcial breve do eclipse solar, no fim da tarde. Nesse caso, é indispensável usar óculos próprios para eclipse ou filtros solares certificados. Olhar diretamente para o Sol sem proteção pode causar danos graves à visão.

Por que eclipses chamam tanta atenção?

Eclipses fascinam porque transformam movimentos previsíveis em espetáculo. A Lua gira ao redor da Terra, a Terra gira ao redor do Sol, e tudo isso acontece o tempo inteiro. Mas, de vez em quando, esses corpos se alinham de maneira precisa o suficiente para produzir uma sombra visível.

No passado, eclipses eram frequentemente interpretados como presságios, sinais divinos ou anúncios de tragédias. Civilizações antigas observavam esses fenômenos com medo, reverência e curiosidade. Hoje, sabemos calcular com enorme precisão quando e onde eles vão acontecer, mas o encantamento continua.

Talvez isso aconteça porque um eclipse revela a mecânica do Sistema Solar de forma visual. Não é uma explicação em livro, não é uma animação em vídeo, não é um desenho de escola. É a sombra da Terra tocando a Lua. É a Lua cobrindo o Sol. É a geometria celeste acontecendo diante dos olhos.

No caso de agosto de 2026, os dois eclipses também ajudam a mostrar as diferenças entre fenômenos solares e lunares. Um eclipse solar é mais raro para um observador específico, porque sua faixa de visibilidade é estreita. Um eclipse lunar costuma ser visto por uma área muito maior do planeta, porque qualquer pessoa do lado noturno da Terra pode observar o fenômeno se a Lua estiver acima do horizonte.

Dois eclipses no mesmo mês lembram que o céu continua oferecendo espetáculos gratuitos, mesmo em uma época em que quase todo mundo olha mais para telas do que para as estrelas.

Dois eclipses no mesmo mês lembram que o céu continua oferecendo espetáculos gratuitos, mesmo em uma época em que quase todo mundo olha mais para telas do que para as estrelas

Como observar com segurança?

Para o eclipse lunar parcial, a observação é simples. Não há risco para os olhos. O ideal é escolher um lugar com boa visão do céu, pouca iluminação artificial e horizonte aberto. Mesmo em cidades grandes, será possível acompanhar a mudança na Lua, desde que nuvens não atrapalhem.

Também vale fotografar com celular, mas é bom ajustar expectativas. A Lua costuma sair estourada em câmeras comuns, especialmente sem zoom adequado. Apoiar o aparelho, reduzir exposição e usar modo manual, quando disponível, pode melhorar o resultado. Com binóculos, a experiência visual tende a ser bem mais rica.

Para o eclipse solar, a regra é completamente diferente. Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção apropriada. Óculos escuros comuns não servem. Chapas de raio X, filmes fotográficos, vidro fumê e soluções improvisadas também não são seguras. A observação direta só deve ser feita com óculos próprios para eclipses ou filtros solares certificados.

Eclipse lunar pode ser visto a olho nu. Eclipse solar exige proteção adequada, porque a beleza do fenômeno não compensa o risco de lesão permanente nos olhos.

Os dois eclipses de agosto também funcionam como convite para desacelerar. Em um mês comum, marcado por rotina, trabalho e notificações, o céu oferece dois eventos que não dependem de aplicativo, ingresso ou assinatura. Basta saber o horário, olhar para cima e lembrar que fazemos parte de um sistema muito maior.

O eclipse lunar do fim de agosto será especialmente interessante porque grande parte da Lua será coberta pela sombra da Terra. Ela não deve desaparecer completamente, como acontece em um eclipse total, mas pode ganhar tons mais escuros, avermelhados ou acinzentados, dependendo das condições atmosféricas.

Essa mudança de cor ocorre porque a luz solar filtrada pela atmosfera terrestre pode alcançar a Lua de forma indireta. É o mesmo princípio que dá tons avermelhados ao nascer e ao pôr do sol. Durante um eclipse lunar, parte dessa luz desviada pela atmosfera chega até a superfície lunar, criando uma coloração diferente.

No eclipse solar, o efeito visual é outro. Onde houver totalidade, o disco brilhante do Sol será encoberto pela Lua, revelando a coroa solar por alguns instantes. É um dos raros momentos em que observadores podem ver diretamente essa estrutura externa do Sol, mas apenas durante a totalidade e sempre seguindo as regras de segurança antes e depois dessa fase.

Para quem está no Brasil, o calendário principal é o da madrugada de 27 para 28 de agosto. Vale marcar o horário, procurar um local com boa visibilidade e torcer por céu limpo. Mesmo quem não entende muito de astronomia consegue acompanhar o fenômeno. A beleza está justamente nisso: a sombra aparece devagar, a Lua muda aos poucos, e o espetáculo não exige conhecimento técnico.

No fim, os dois eclipses de agosto mostram que o céu continua sendo uma das maiores fontes de curiosidade da humanidade. O solar vai atrair caçadores de eclipses para regiões específicas do hemisfério norte. O lunar, mais acessível para os brasileiros, vai transformar a madrugada em um pequeno evento astronômico nacional.

E talvez essa seja a melhor parte. Enquanto o mundo corre em ritmo acelerado, a Lua e o Sol seguem em seus movimentos antigos, lembrando que alguns espetáculos acontecem há bilhões de anos e continuam capazes de fazer todo mundo parar por alguns minutos para olhar para cima

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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