Imagine sair de casa em uma madrugada silenciosa, olhar para cima e encontrar a Lua parcialmente coberta pela sombra da Terra. Em outra noite, riscos luminosos surgem de diferentes partes do céu, enquanto um dos planetas mais brilhantes aparece logo depois do pôr do sol.
O céu de agosto de 2026 reúne uma sequência especial de fenômenos astronômicos. Ao longo do mês, haverá um eclipse solar total, o pico da chuva de meteoros Perseidas, a melhor aparição vespertina de Vênus neste período e um eclipse lunar parcial visível em grande parte do Brasil.
Nem todos esses eventos, porém, poderão ser observados da mesma maneira. O eclipse solar de 12 de agosto não será visível do território brasileiro. Já a chuva de meteoros terá condições excelentes de escuridão, mas favorecerá principalmente o Hemisfério Norte e as áreas mais setentrionais do Brasil.
A atração mais democrática para os brasileiros acontecerá no fim do mês. Na madrugada de 28 de agosto, a sombra da Terra encobrirá aproximadamente 93% do diâmetro da Lua, formando um eclipse lunar profundo que poderá ser acompanhado de diferentes regiões do país.
Agosto de 2026 terá dois eclipses, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano e uma excelente aparição de Vênus.

A taxa de 100 meteoros por hora é um potencial calculado para condições ideais, não uma quantidade garantida para qualquer cidade
O que o céu de agosto reserva para o Brasil?
A programação astronômica ganha força no dia 5 de agosto, quando a Lua chega ao quarto minguante. Nos dias seguintes, o satélite natural diminuirá gradualmente sua parte iluminada até desaparecer do céu noturno na fase nova, marcada para 12 de agosto.
A ausência de luar intenso será importante para a observação da chuva de meteoros Perseidas. Em noites de Lua cheia, o brilho espalhado pela atmosfera esconde os rastros mais fracos. Com a Lua Nova coincidindo com o pico da chuva, o céu ficará naturalmente mais escuro, desde que o observador esteja longe da iluminação das cidades.
Agosto também oferece boas oportunidades para observar planetas. Entre os dias 14 e 16, Vênus alcançará sua maior elongação oriental, momento em que apresentará sua maior separação aparente do Sol durante essa aparição vespertina.
O planeta poderá ser procurado próximo ao horizonte oeste pouco depois do pôr do sol. Vênus será muito mais brilhante do que as estrelas ao redor, embora árvores, prédios, montanhas e nuvens próximas ao horizonte possam dificultar a observação.
12 e 13 de agosto: eclipse solar e chuva de meteoros
O dia 12 concentrará dois dos acontecimentos mais aguardados do céu de agosto. O primeiro será um eclipse solar total que atravessará áreas do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pequena parte do extremo noroeste de Portugal.
Na faixa de totalidade, a Lua encobrirá completamente o disco solar por alguns instantes. A duração máxima será de aproximadamente dois minutos e 18 segundos, embora varie conforme a localização do observador. Fora dessa faixa, partes da América do Norte, Europa e noroeste da África acompanharão apenas a fase parcial.
O fenômeno não será visível do Brasil. Os brasileiros interessados poderão acompanhar transmissões realizadas pela internet, incluindo a cobertura anunciada pela NASA.
Quem estiver na Europa ou em qualquer área de visibilidade deverá utilizar óculos certificados para eclipses ou métodos de projeção indireta. Óculos escuros comuns não oferecem proteção suficiente. Câmeras, binóculos e telescópios também precisam de filtros solares instalados na parte frontal do equipamento.
Poucas horas depois, a atenção se voltará para a noite. A chuva de meteoros Perseidas atingirá o máximo entre 12 e 13 de agosto, com o pico principal previsto entre 2h e 4h no Tempo Universal. No horário de Brasília, essa janela corresponde aproximadamente ao período entre 23h do dia 12 e 1h do dia 13.
A taxa zenital teórica das Perseidas é de cerca de 100 meteoros por hora. Esse número, porém, representa condições consideradas perfeitas: céu totalmente escuro, ausência de nuvens, radiante no ponto mais alto e visão desobstruída.
Não é uma promessa de que cada observador contará 100 estrelas cadentes. A quantidade real pode ser muito menor por causa da localização, da poluição luminosa, das condições atmosféricas e da altura do radiante.
As Perseidas parecem surgir da constelação de Perseu, situada bem ao norte do céu. Por esse motivo, a chuva favorece o Hemisfério Norte. No Brasil, as melhores possibilidades estarão nas regiões Norte e Nordeste, onde o radiante alcança uma posição um pouco mais favorável.
Em áreas do Centro-Oeste e Sudeste, alguns meteoros poderão surgir próximos ao horizonte norte, principalmente durante a madrugada. No extremo Sul, a constelação de Perseu ficará muito baixa ou poderá nem aparecer acima do horizonte. Essa diferença regional é uma consequência da posição setentrional do radiante, localizada a aproximadamente 58 graus de declinação norte.
Para observar, não é preciso olhar diretamente para Perseu. Os meteoros podem atravessar diversas partes do céu. O ideal é procurar um local escuro, observar uma área ampla e esperar cerca de 30 minutos para que os olhos se adaptem à falta de luz. Telescópios e binóculos atrapalham porque mostram uma região muito pequena.
A taxa de 100 meteoros por hora é um potencial calculado para condições ideais, não uma quantidade garantida para qualquer cidade.
Como acompanhar os últimos fenômenos do mês?
Depois da movimentação dos dias 12 e 13, o céu de agosto terá alguns dias mais tranquilos. Vênus continuará visível depois do pôr do sol, enquanto a Lua voltará gradualmente ao céu noturno, passando pelas fases crescente e gibosa.
No fim do mês, o aumento da iluminação lunar praticamente encerrará as boas condições para observar meteoros fracos. Em compensação, a própria Lua se transformará na protagonista do maior espetáculo astronômico de agosto para quem vive no Brasil.

Agosto de 2026 terá dois eclipses, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano e uma excelente aparição de Vênus
27 e 28 de agosto: eclipse lunar parcial no Brasil
Na noite de 27 para 28 de agosto, a Lua cheia atravessará parte da sombra projetada pela Terra. Diferentemente do eclipse solar, que só pode ser visto de uma faixa limitada do planeta, o eclipse lunar será visível de grande parte das Américas, da Europa e da África.
A fase parcial começará aproximadamente às 23h33 do dia 27, no horário de Brasília. O ponto máximo acontecerá por volta de 1h14 do dia 28, e a fase parcial terminará aproximadamente às 2h52.
Antes e depois desse período, a Lua ainda estará dentro da penumbra, a parte mais clara da sombra terrestre. Essa fase provoca apenas um escurecimento discreto, que pode ser difícil de perceber sem fotografias ou comparação direta.
No momento máximo, a magnitude umbral será de aproximadamente 0,93. Isso significa que cerca de 93% do diâmetro lunar estará dentro da umbra, a região escura da sombra da Terra. Apenas uma faixa relativamente pequena continuará recebendo luz solar direta.
Embora não seja um eclipse total, o fenômeno poderá parecer bastante dramático. A parte encoberta deverá adquirir tonalidades escuras, acobreadas ou avermelhadas.
A coloração surge porque parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de alcançar a Lua. As cores azuladas se espalham com maior facilidade, enquanto os tons alaranjados e vermelhos conseguem atravessar a atmosfera e iluminar a superfície lunar. É um efeito semelhante ao que colore o céu durante o nascer e o pôr do sol.
Ao contrário do eclipse solar, o eclipse lunar pode ser observado com segurança a olho nu. Binóculos e pequenos telescópios são opcionais e permitem acompanhar com mais detalhes a borda curva da sombra da Terra avançando sobre a superfície lunar.
A Lua cheia de agosto também é popularmente chamada de Lua do Esturjão. O nome está associado a tradições registradas entre povos algonquinos do nordeste da América do Norte, que relacionavam esse período à maior disponibilidade de esturjões nos Grandes Lagos e em outras grandes áreas de água doce. A denominação é cultural e não indica qualquer mudança física na Lua.
Para acompanhar os eventos, a principal recomendação é consultar a previsão do tempo e procurar uma área com horizonte desobstruído. Aplicativos de astronomia também podem ajudar a identificar planetas, constelações e a posição da Lua conforme a cidade do observador.
Os horários podem apresentar pequenas diferenças locais, especialmente quando o fenômeno ocorre próximo ao nascer ou ao pôr de um astro. No eclipse lunar, porém, a Lua estará alta durante boa parte do evento para grande parte do território brasileiro, favorecendo a observação.
Agosto de 2026 não oferecerá o mesmo espetáculo para todos. O eclipse solar pertencerá principalmente aos observadores do norte do planeta. As Perseidas aparecerão melhor nas regiões mais próximas ao Equador e no Hemisfério Norte. O eclipse lunar, por outro lado, colocará o Brasil em uma posição privilegiada.
Será um mês para olhar o céu em horários diferentes: ao oeste depois do pôr do sol para encontrar Vênus, ao norte durante a madrugada para procurar meteoros e diretamente para a Lua quando a sombra da Terra começar a cobri-la.
O universo não mudará seu ritmo por causa do nosso calendário. Ainda assim, durante algumas semanas, o céu de agosto parecerá ter organizado uma programação especial para quem estiver disposto a diminuir as luzes, abandonar a tela do celular e simplesmente olhar para cima.