Olhe para a Lua nesta noite e talvez, em um primeiro momento, ela pareça exatamente como sempre. Aos poucos, porém, uma sombra começará a avançar sobre seu brilho. A pequena faixa iluminada ficará cada vez mais estreita, enquanto o restante do disco lunar poderá assumir tons escuros, acastanhados ou avermelhados.
Na noite desta quinta-feira, 27 de agosto, para a madrugada de sexta-feira, 28, o Brasil poderá acompanhar o último eclipse lunar de 2026. O fenômeno será parcial, mas a sombra da Terra cobrirá uma porção tão grande da Lua que o evento terá aparência semelhante à de um eclipse total.
De acordo com o Observatório Nacional, 96,2% do disco lunar ficará obscurecido no momento máximo. A Lua não desaparecerá completamente porque uma pequena parte permanecerá fora da umbra, a região mais escura da sombra terrestre.
O eclipse lunar poderá ser observado em todo o território brasileiro, desde que as condições meteorológicas permitam. Também haverá visibilidade em outras áreas das Américas, além de partes da Europa, África e região do Pacífico.
No auge do eclipse lunar, apenas uma pequena faixa da Lua permanecerá diretamente iluminada pelo Sol.

O eclipse será parcial na classificação astronômica, mas quase total para os olhos de quem observar
Quando acontecerá o eclipse lunar no Brasil?
Um eclipse lunar acontece quando a Terra fica posicionada entre o Sol e a Lua. Nessa configuração, a sombra projetada pelo nosso planeta alcança a superfície lunar.
O alinhamento só ocorre durante a Lua Cheia, mas não acontece todos os meses. Isso porque a órbita da Lua possui uma inclinação aproximada de cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre. Na maioria das luas cheias, o satélite passa acima ou abaixo da sombra da Terra.
Quando o alinhamento é suficiente, a Lua atravessa duas regiões diferentes dessa sombra. A primeira é a penumbra, mais clara e difícil de perceber a olho nu. A segunda é a umbra, muito mais escura e responsável pela transformação mais evidente no disco lunar.
O eclipse penumbral começará às 22h24 de quinta-feira, considerando o horário de Brasília. Nesse primeiro momento, a mudança será discreta. Um observador desavisado poderá olhar para o céu e não perceber nada muito diferente.
A fase parcial, quando a Lua começa a entrar na umbra, terá início às 23h34. A partir daí, a sombra terrestre parecerá dar uma grande “mordida” no satélite. O máximo acontecerá à 1h13 da madrugada de sexta-feira, quando 96,2% da superfície visível estará escurecida.
A Lua começará então a sair gradualmente da umbra. A fase parcial terminará às 2h52, enquanto o eclipse penumbral chegará ao fim às 4h02.
Os principais horários no fuso de Brasília são:
| Fase do eclipse lunar | Data | Horário de Brasília |
|---|---|---|
| Início da fase penumbral | 27 de agosto | 22h24 |
| Início da fase parcial | 27 de agosto | 23h34 |
| Máximo do eclipse | 28 de agosto | 1h13 |
| Fim da fase parcial | 28 de agosto | 2h52 |
| Fim da fase penumbral | 28 de agosto | 4h02 |
A parte mais interessante para a observação será a fase parcial, com duração aproximada de três horas e 18 minutos. Quem não quiser acompanhar todo o processo pode olhar para o céu próximo ao horário máximo.
Qual será o horário em cada fuso brasileiro?
Os horários divulgados nacionalmente costumam seguir o fuso de Brasília, mas o Brasil possui quatro fusos oficiais. Por isso, o eclipse lunar poderá aparecer no relógio em momentos diferentes, embora o fenômeno astronômico aconteça simultaneamente em todo o planeta.
Confira os horários da fase parcial:
| Região ou fuso | Início da fase parcial | Máximo | Fim da fase parcial |
| Fernando de Noronha, UTC-2 | 0h34 do dia 28 | 2h13 do dia 28 | 3h52 do dia 28 |
| Brasília, UTC-3 | 23h34 do dia 27 | 1h13 do dia 28 | 2h52 do dia 28 |
| Amazonas, Mato Grosso e áreas em UTC-4 | 22h34 do dia 27 | 0h13 do dia 28 | 1h52 do dia 28 |
| Acre e extremo oeste do Amazonas, UTC-5 | 21h34 do dia 27 | 23h13 do dia 27 | 0h52 do dia 28 |
No fuso de Brasília estão cidades como Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Curitiba, Porto Alegre e a própria capital federal. Nesses locais, o momento mais impressionante deverá ocorrer por volta de 1h13.
Em Manaus, Cuiabá, Campo Grande e Porto Velho, o auge será por volta de 0h13. Já em Rio Branco e no extremo oeste do Amazonas, o máximo acontecerá ainda na quinta-feira, aproximadamente às 23h13.
Para confirmar o horário exato em uma cidade, é possível utilizar plataformas de astronomia que calculam a visibilidade com base na localização geográfica. O site Time and Date permite pesquisar diretamente pelo nome do município. Aplicativos como Stellarium Mobile, Star Walk 2 e Sky Tonight também mostram onde a Lua estará posicionada no céu.

No auge do eclipse lunar, apenas uma pequena faixa da Lua permanecerá diretamente iluminada pelo Sol
Por que o eclipse parcial parecerá quase total?
Um eclipse lunar parcial ocorre quando apenas uma parte da Lua entra na umbra da Terra. Para que o fenômeno seja classificado como total, todo o disco lunar precisa ficar mergulhado nessa região escura.
Neste evento, a Lua passará profundamente pela umbra, mas não o suficiente para desaparecer por completo dentro dela. Uma pequena borda continuará recebendo luz solar direta, impedindo a classificação como eclipse total.
Mesmo assim, a diferença visual será pequena para quem observar sem instrumentos. Com 96,2% do disco escurecido, o eclipse lunar poderá lembrar uma Lua quase totalmente encoberta, com apenas uma faixa brilhante em uma das extremidades.
A porção mergulhada na sombra também poderá adquirir cores que variam do castanho ao vermelho-acobreado. Essa coloração acontece porque parte da luz do Sol atravessa a atmosfera terrestre antes de alcançar a Lua.
Durante esse percurso, a atmosfera espalha com maior intensidade os comprimentos de onda azulados e permite que tons vermelhos e alaranjados avancem. É o mesmo processo que produz as cores quentes do nascer e do pôr do sol.
A aparência real dependerá das condições atmosféricas da Terra. Poeira, fumaça, nuvens e partículas suspensas podem deixar a Lua mais escura ou alterar a intensidade dos tons avermelhados.
O eclipse será parcial na classificação astronômica, mas quase total para os olhos de quem observar.
Como observar o eclipse lunar com segurança?
Ao contrário de um eclipse solar, o eclipse lunar pode ser observado diretamente e sem filtros especiais. Não existe risco para os olhos ao olhar para a Lua durante o fenômeno.
Também não será necessário usar telescópio. A olho nu, será possível acompanhar a sombra avançando sobre a superfície lunar. Um binóculo poderá tornar a experiência mais detalhada, permitindo observar crateras e diferenças de luminosidade próximas à borda da sombra.
O ideal é escolher um local com visão livre do céu e, se possível, afastado de postes, fachadas iluminadas e outras fontes intensas de luz. Como a Lua estará alta durante boa parte do evento, prédios e árvores não deverão representar um grande obstáculo na maioria das cidades.
A poluição luminosa não impede a observação de um eclipse lunar da mesma maneira que prejudica a visualização de estrelas mais fracas. Ainda assim, um ambiente escuro ajuda os olhos a perceber melhor as tonalidades e o contraste da sombra.
As nuvens serão o principal risco para quem pretende acompanhar o espetáculo. Antes de sair de casa, vale consultar a previsão do tempo e observar imagens atualizadas de nebulosidade.
Quem quiser fotografar poderá usar um celular apoiado em um tripé ou superfície estável. Reduzir a exposição e tocar sobre a Lua para ajustar o foco ajuda a evitar que o satélite apareça apenas como uma mancha branca. Em aparelhos com controles manuais, também é recomendável diminuir o ISO e utilizar um temporizador para evitar tremores.
Se o céu estiver encoberto, ainda haverá uma alternativa. O Observatório Nacional transmitirá o eclipse lunar ao vivo em seu canal no YouTube a partir das 23h, reunindo imagens de diferentes cidades. Assim, mesmo que as nuvens apareçam em uma região, câmeras posicionadas em outros pontos poderão registrar o fenômeno.
Será uma oportunidade especial. Em 2027, os eclipses lunares previstos serão penumbrais, geralmente mais discretos. Segundo o Observatório Nacional, um eclipse total da Lua novamente visível em todo o Brasil só ocorrerá na noite de 25 para 26 de junho de 2029.
Até lá, o espetáculo desta madrugada será uma das melhores chances de observar a sombra da Terra quase engolindo completamente a Lua.