Em busca do corpo desejado, Larissa*, uma maquiadora de 28 anos, decidiu utilizar o Ozempic, uma caneta com agulha conhecida por seus efeitos emagrecedores. No entanto, ao interromper o tratamento após atingir seu objetivo, ela enfrentou ganho de peso e compulsão alimentar, revelando impactos surpreendentes.
O mesmo cenário foi vivido por Marina*, uma vendedora de 32 anos, que, influenciada por vídeos online, adquiriu o medicamento sem receita médica, alcançando a perda de peso desejada nas primeiras semanas. No entanto, ao suspender o uso sem orientação profissional, ela enfrentou o reganho de peso, buscando novamente o Ozempic, sem resultados positivos.
Esses relatos são recorrentes entre indivíduos que optam pelo uso não autorizado do Ozempic, prática desaconselhada pelo fabricante e especialistas. No Brasil, o medicamento é liberado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2.
A alta demanda pelo efeito emagrecedor levou à escassez do Ozempic nas farmácias, mas seu uso não aprovado para perda de peso, conhecido como "off-label", é uma prática arriscada.
O Ozempic, cujo nome comercial refere-se à semaglutida, não possui aprovação da Anvisa para combater a obesidade. O laboratório Novo Nordisk, fabricante do medicamento, enfatiza a necessidade de prescrição médica e alerta contra o uso não autorizado.
A semaglutida atua no controle do açúcar no sangue, aumentando a produção de insulina e reduzindo a glicose hepática. Seu efeito inibidor de apetite imita o hormônio GLP-1, regulando a saciedade e a vontade de comer. Entretanto, seu uso deve ser supervisionado, pois apresenta contraindicações, como gestação, histórico de gastroparesia, pancreatite, carcinoma medular de tireoide e alergia à semaglutida.
Os efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos e constipação, sendo necessário um aumento gradual das doses sob orientação médica. O abandono abrupto do tratamento pode resultar em ganho de peso, compulsão alimentar e a busca por alimentos prazerosos.
Além dos aspectos físicos, a semaglutida interfere no sistema nervoso central, reduzindo o apetite e, consequentemente, auxiliando no controle do diabetes tipo 2. Quando interrompido sem supervisão, o cérebro perde o estímulo de saciedade, levando à volta aos hábitos alimentares antigos.
Especialistas destacam a importância da reeducação alimentar e atividade física no tratamento do diabetes, utilizando a semaglutida como coadjuvante. A redução gradual do medicamento, sob acompanhamento médico, é crucial para evitar complicações como compulsão alimentar.
Em resumo, os impactos ao parar o uso de Ozempic vão além do ganho de peso, abrangendo a saúde mental e física dos pacientes. O apelo por resultados rápidos e o uso não supervisionado podem resultar em consequências indesejadas, enfatizando a importância da consulta médica para garantir um tratamento seguro e eficaz.
O nome foi alterado a pedido das entrevistadas.