Com a chegada do frio e do ar seco, muitas pessoas sofrem com o incômodo do nariz entupido. A solução rápida é recorrer aos descongestionantes nasais, mas o uso excessivo e prolongado desses medicamentos pode ser perigoso. De acordo com especialistas, a dependência química é uma das consequências graves, e, em casos extremos, o uso indiscriminado pode até levar à morte.
Segundo o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas de São Paulo, o uso incorreto de descongestionantes nasais está entre os principais problemas causados por medicamentos, ficando atrás apenas dos anti-inflamatórios e analgésicos. Qualquer marca de descongestionante pode levar à dependência, destaca o otorrinolaringologista Arnaldo Tamiso, do Hospital Paulista.
"Os descongestionantes nasais proporcionam alívio imediato, o que leva as pessoas a usarem cada vez mais o produto. Essa prática pode resultar em uma dependência química séria", explica Tamiso.
A congestão nasal é uma reação do corpo a inflamações, infecções ou problemas anatômicos, como desvio de septo. Quando as narinas são irritadas, os vasos sanguíneos se dilatam, aumentando o fluxo de sangue e inchando os cornetos nasais, o que obstrui a passagem de ar.
Os descongestionantes nasais contêm substâncias vasoconstritoras, como nafazolina e oximetazolina, que contraem os vasos sanguíneos, diminuem o fluxo de sangue e reduzem o inchaço da mucosa nasal, proporcionando alívio temporário.
Um dos maiores riscos do uso contínuo de descongestionantes é o desenvolvimento de rinite medicamentosa, uma condição em que o uso prolongado do medicamento agrava a irritação nasal. O nariz passa a depender do medicamento para funcionar normalmente, e o intervalo entre as aplicações diminui.
"Em casos graves, a pessoa pode precisar de cirurgia para reverter os danos causados pelo uso excessivo de descongestionantes", alerta Tamiso. Outros riscos incluem taquicardia, hipertensão e arritmia cardíaca, que podem levar à morte em situações extremas. Por isso, o uso desses medicamentos é contraindicado para pessoas com hipertensão ou problemas cardíacos.
Felizmente, os efeitos do uso excessivo de descongestionantes podem ser revertidos. "O corpo pode eliminar o medicamento se o uso não for prolongado. Caso contrário, pode ser necessário um tratamento médico", afirma Tamiso. Uma dica para reduzir a dependência é diluir gradualmente o descongestionante em soro fisiológico até eliminá-lo completamente.
Para tratar a congestão nasal, o médico recomenda alternativas menos agressivas. "O soro fisiológico é uma excelente opção para resfriados e sinusites agudas, pois hidrata o nariz sem causar dependência", sugere Tamiso. Para obstruções crônicas, causadas por desvio de septo ou outras lesões, uma avaliação clínica pode indicar a necessidade de cirurgia.