Orkut vai voltar em 2026? Entenda quais são os próximos passos do projeto

Orkut vai voltar em 2026? Entenda quais são os próximos passos do projeto

Novo site reúne apoiadores de uma futura plataforma, mas ainda não permite criar perfis ou recuperar contas antigas. Você voltaria a usar o Orkut?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você abria o computador, conferia os scraps e descobria que alguém tinha escrito um depoimento para você. Depois, entrava em uma comunidade sobre sua banda favorita ou encontrava milhares de desconhecidos unidos por uma reclamação cotidiana. Para quem viveu aquela época, lembrar do Orkut é recordar uma internet em que participar de uma conversa podia ser tão importante quanto publicar alguma coisa.

Essa memória voltou a ganhar força em 8 de outubro de 2026, com a apresentação de um novo site e de uma iniciativa liderada por Orkut Büyükkökten, criador da antiga rede social. Em entrevista ao TechTudo, ele explicou que pretende construir uma plataforma voltada a comunidades, interesses compartilhados e conexões entre pessoas.

A notícia, porém, pede uma distinção: o Orkut original não foi reativado, e ainda não há uma data de lançamento anunciada para a nova rede social. O que está disponível é uma campanha de apoio a esse projeto. A nostalgia ajuda a chamar atenção, mas a proposta pretende discutir o futuro da internet.

A saudade do Orkut talvez seja também a saudade de entrar na internet para encontrar pessoas e participar de alguma coisa.

A saudade do Orkut talvez seja também a saudade de entrar na internet para encontrar pessoas e participar de alguma coisa

O Orkut vai voltar em 2026?

Até o anúncio consultado, não existe confirmação de que uma nova plataforma será lançada ainda em 2026. O site oficial do Orkut apresenta uma mensagem do fundador e uma petição para reunir interessados na criação de outra rede social. Não oferece a experiência de perfis, scraps ou comunidades da antiga plataforma.

Assinar também não equivale a garantir acesso antecipado. A página esclarece que a participação não reserva nome de usuário, conta ou posição em uma fila. O apoiador recebe um código e um selo para compartilhar. Portanto, o formulário registra interesse na iniciativa, sem funcionar como cadastro em uma rede já disponível.

Na entrevista ao TechTudo, Büyükkökten apresentou a mobilização como uma etapa para reunir pessoas que compartilham sua visão. A intenção é avançar na construção da plataforma a partir desse apoio. Ainda faltam, contudo, informações que permitam saber como será a experiência completa.

Também não há anúncio de recuperação dos antigos perfis. Para quem imagina reencontrar automaticamente fotos, recados e depoimentos, essa expectativa precisa ser separada do projeto apresentado. Criar uma nova rede social não significa restaurar o banco de dados de um serviço encerrado há 12 anos.

O que o criador quer mudar nas redes sociais?

A proposta parte de uma crítica à disputa constante pela atenção. Na visão do fundador, as plataformas passaram a privilegiar mecanismos de engajamento, enquanto a convivência perdeu espaço. Seu objetivo declarado é favorecer relações e participação em comunidades.

A inteligência artificial também aparece nessa discussão. O site critica conteúdos artificiais que dificultam reconhecer quem está do outro lado, mas admite que a tecnologia pode ajudar a aproximar pessoas. Trata-se de uma visão para o projeto, não de uma demonstração de ferramentas já prontas.

Essa diferença importa. Prometer uma experiência mais humana é o ponto de partida; concretizá-la exige decisões sobre funcionamento, moderação, privacidade e sustentabilidade financeira. Será preciso observar como esses princípios aparecerão na plataforma quando houver algo disponível para testar.

A saudade do Orkut talvez seja também a saudade de entrar na internet para encontrar pessoas e participar de alguma coisa.

Por que o Orkut marcou tanto a internet brasileira?

Lançado em 2004, o Orkut ajudou muitos brasileiros a descobrir o que significava manter uma vida social on-line. O perfil reunia gostos, amizades e mensagens, mas a experiência se estendia para espaços coletivos. Uma pessoa podia encontrar antigos colegas e, na mesma visita, conversar com desconhecidos sobre cinema, futebol ou música.

Vale corrigir um detalhe histórico: a rede não foi comprada pelo Google em 2008. Ela nasceu dentro da empresa, como projeto experimental de um engenheiro. O próprio Google recordou essa origem no comunicado oficial de encerramento do Orkut, que anunciou a desativação para 30 de setembro de 2014.

Os scraps funcionavam como recados deixados nos perfis. Podiam carregar uma felicitação de aniversário, uma brincadeira ou uma conversa que outras pessoas acompanhavam. Já os depoimentos tinham um peso diferente: eram textos sobre o dono da página, exibidos mediante aprovação, frequentemente usados para demonstrar amizade e afeto.

As comunidades acrescentavam outra dimensão. Seus nomes podiam expressar uma preferência, uma opinião ou uma piada, enquanto os fóruns permitiam desenvolver discussões. Participar de um grupo sobre uma banda, por exemplo, significava encontrar gente para comentar discos, dividir impressões e acompanhar novidades.

A dimensão desse universo aparece no registro do Google sobre a história das comunidades. Ao encerrar o serviço, em 2014, a empresa anunciou um arquivo com 51 milhões de comunidades, 120 milhões de tópicos e mais de 1 bilhão de interações. Esses números descrevem o acervo anunciado naquela época, não uma promessa de que ele será incorporado ao novo projeto.

Orkut Büyükkökten pretende construir uma plataforma voltada a comunidades, interesses compartilhados e conexões entre pessoas

Orkut Büyükkökten pretende construir uma plataforma voltada a comunidades, interesses compartilhados e conexões entre pessoas

A nostalgia será suficiente para uma nova rede dar certo?

A lembrança cria curiosidade, mas não responde sozinha à pergunta. Uma plataforma precisa oferecer motivos para que as pessoas voltem depois do primeiro acesso. Reencontrar uma aparência familiar pode despertar emoção; formar uma comunidade depende de participação contínua.

Depois do encerramento do Orkut, Büyükkökten criou a Hello Network, também orientada por interesses compartilhados. Segundo o histórico apresentado pelo TechTudo, o serviço encerrou suas atividades em abril de 2022. A experiência integra a trajetória do fundador, mas não garante o desempenho de uma nova iniciativa.

O desafio agora será conciliar o que as pessoas valorizavam na antiga rede com as necessidades do presente. Espaços de conversa precisam lidar com conflitos, abusos e conteúdos enganosos. A promessa de pertencimento só ganha consistência quando os participantes conseguem conviver, contribuir e se sentir respeitados.

Também vale evitar a idealização de uma época inteira. A internet dos anos 2000 não precisa ter sido perfeita para que suas comunidades tenham deixado boas lembranças. É possível reconhecer o valor daquela experiência sem imaginar que reproduzir todos os seus detalhes resolveria os problemas atuais.

Por enquanto, o novo capítulo do Orkut é uma proposta pública em busca de apoio. Sua relevância está na pergunta que coloca em circulação: como seria uma rede social construída para aproximar pessoas e sustentar conversas?

Quem guarda saudade dos scraps pode acompanhar os próximos anúncios. Mas a parte mais interessante dessa história talvez esteja além de recuperar um nome conhecido: descobrir se ainda conseguimos criar lugares digitais aos quais desejamos pertencer.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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