Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam uma queda nos índices de violência no Brasil nos primeiros dez meses de 2023, comparados ao mesmo período do ano anterior. Embora tenha havido uma redução de 3,3% nos homicídios, o país ainda é considerado um dos mais inseguros do mundo, ocupando a 132ª posição no Índice de Paz Global (GPI). Mesmo em comparação com outros países da América Latina, o Brasil figura entre os cinco mais perigosos, ficando atrás apenas da Colômbia, Venezuela e México.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada em setembro, revela que seis em cada dez brasileiros sentem insegurança ao caminhar pelas ruas de suas cidades. A preocupação com a segurança permanece uma questão crucial para a população, impactando não apenas diretamente, mas também na percepção do ambiente ao redor.
Especialistas consultados pela BBC News Brasil alertam para os efeitos adversos à saúde mental e física causados pelo constante estado de alerta e preocupação com a segurança. O psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Christian Haag Kristensen, destaca que a percepção da violência, mesmo sem sua ocorrência direta, afeta diversos sistemas do corpo, desde níveis fisiológicos até cognitivos.
O impacto varia entre os indivíduos, dependendo de como cada um lida com o estresse. A pesquisa do Datafolha indica que 65% das mulheres se sentem inseguras em suas cidades, em comparação com 53% dos homens. A diferença na percepção também é notável entre diferentes classes sociais, sendo que os mais ricos sentem mais segurança em seus bairros do que nas ruas da cidade.
Pedro Henrique, morador de Salvador, uma das cidades mais violentas do Brasil, relata a constante vigilância ao andar nas ruas. No entanto, a sensação de segurança pode variar, e o ambiente social e econômico desempenha um papel significativo.
A exposição crônica ao estresse causado pela insegurança urbana pode levar o corpo a um estado constante de "luta ou fuga", prejudicando o sistema imunológico e resultando em problemas gástricos, digestivos e até mesmo reprodutivos. Além disso, estudos indicam uma correlação entre áreas consideradas mais inseguras e o desenvolvimento de transtornos mentais, como depressão e sofrimento psicológico.
A chamada hipervigilância, um estado constante de alerta e sensibilidade aos perigos ao redor, pode ser agravada por conteúdos consumidos nas redes sociais, tornando-se um sintoma de diversos transtornos mentais. Especialistas recomendam estratégias como o consumo crítico de informações nas redes sociais, atividades físicas regulares e interações sociais saudáveis para mitigar os impactos negativos.
Em casos mais graves, buscar ajuda médica e aconselhamento psicológico é fundamental. Além disso, ações coletivas são destacadas como importantes, especialmente em comunidades com maior vulnerabilidade social, visando fortalecer redes de apoio e interações positivas.