Você sai de casa sob um sol forte, confere a previsão para o dia seguinte e encontra um alerta de tempestade. Em setembro, mudanças assim podem ocorrer rapidamente: o ar quente e úmido favorece a formação de nuvens de chuva, enquanto sistemas de baixa pressão e frentes frias reorganizam o tempo em áreas extensas do país.
Entre sábado, 19 de setembro, e segunda-feira, 21 de setembro de 2026, essa combinação merece atenção. Segundo a previsão publicada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), um ciclone extratropical deve passar pela Argentina entre domingo e segunda-feira e depois se deslocar em direção ao oceano Atlântico. O sistema favorecerá o avanço de uma frente fria e intensificará as instabilidades, sobretudo no Sul do Brasil.
A chuva, porém, não começará apenas com a chegada do ciclone. Já no sábado, áreas de baixa pressão e um corredor de umidade devem provocar pancadas e trovoadas na faixa oeste do país. Por isso, entender quando cada fenômeno atua ajuda a compreender uma previsão que reúne, ao mesmo tempo, temporais, granizo e temperaturas acima de 40 °C.

A influência de um ciclone extratropical não se limita ao lugar por onde passa seu centro: a frente fria e as áreas de instabilidade podem mudar o tempo a centenas de quilômetros dali
Como o ciclone extratropical influencia o tempo no Brasil?
Um ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão associado a diferenças de temperatura entre massas de ar. A circulação dos ventos ao seu redor pode favorecer a formação e o deslocamento de uma frente fria. Neste episódio, o centro do sistema é previsto primeiro sobre a Argentina e, posteriormente, sobre o Atlântico. Seus efeitos no Brasil estarão ligados principalmente à frente fria, aos ventos e às áreas de instabilidade que se desenvolvem ao redor dela.
Há outros ingredientes nessa previsão. O Inmet aponta a presença de áreas de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai, além de um canal de umidade que se estende pelo interior da América do Sul. Com calor e vapor d’água disponíveis, a atmosfera reúne condições para formar nuvens carregadas. O resultado pode variar bastante de uma cidade para outra: uma localidade pode registrar chuva intensa enquanto outra, próxima, tem apenas pancadas isoladas.
A influência de um ciclone extratropical não se limita ao lugar por onde passa seu centro: a frente fria e as áreas de instabilidade podem mudar o tempo a centenas de quilômetros dali.
Quando as tempestades devem ganhar força?
No sábado, 19, o Inmet prevê chuva e trovoadas em partes do oeste da Amazônia, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul e da Região Sul. Há possibilidade de granizo no oeste do Paraná e de Santa Catarina, no noroeste do Rio Grande do Sul e, à noite, no sul de Mato Grosso do Sul. Áreas desses estados, além de uma faixa de São Paulo próxima à divisa com o Paraná, aparecem sob avisos de tempestade.
No domingo, 20, as instabilidades persistem. A previsão indica chuva e trovoadas no Sul e em Mato Grosso do Sul, enquanto o ciclone extratropical se aproxima da costa argentina. Para a noite de domingo, o Inmet prevê aviso laranja de perigo para tempestades em todo o Rio Grande do Sul. A distribuição exata da chuva e do granizo ainda pode mudar conforme os sistemas evoluem.
Na segunda-feira, 21, o ciclone deve estar sobre o Atlântico e continuar influenciando o Sul. De acordo com o instituto, grande parte do Paraná e de Santa Catarina, além de todo o Rio Grande do Sul, fica sob aviso laranja de perigo para tempestades. A frente fria também deve provocar rajadas de vento, e o potencial para granizo pode avançar em direção a Santa Catarina e ao Paraná.

Um ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão associado a diferenças de temperatura entre massas de ar
Onde pode chover mais e por que ainda fará tanto calor?
O mapa de chuva do Inmet aponta os maiores acumulados previstos para uma faixa entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em algumas áreas, o modelo meteorológico indica 80 a 150 milímetros de chuva no período entre sexta-feira, 18, e o fim de segunda-feira, 21. Esse total se refere a vários dias, não necessariamente a 24 horas, e representa uma previsão que pode ser atualizada.
Mato Grosso do Sul e o sul de São Paulo também exigem atenção às tempestades. Em qualquer área sob aviso, vale consultar a abrangência e o horário de validade do alerta para o município. Os comunicados podem mudar à medida que o Inmet recebe novas observações e atualiza seus modelos.
O calor vai diminuir em todo o país?
Não imediatamente. Enquanto parte do Brasil enfrenta chuva, áreas do centro do país devem continuar sob tempo quente e seco. A previsão do Inmet aponta temperaturas de até 41 °C em Cuiabá no domingo e na segunda-feira. Em Goiânia, as máximas previstas para sábado e domingo chegam a 36 °C. O instituto também indica calor e baixa umidade no norte de Goiás, inclusive na região da Chapada dos Veadeiros.
Esse contraste ocorre porque a frente fria avança de forma gradual e não altera todas as regiões ao mesmo tempo. No Rio Grande do Sul, há tendência de queda das temperaturas a partir de terça-feira, 22, após a passagem do sistema. Mais ao norte, o calor pode persistir por mais tempo.
Para quem está nas áreas de tempestade, a orientação prática é acompanhar os avisos meteorológicos do Inmet e os comunicados da Defesa Civil local. Durante vento forte e chuva intensa, procure abrigo, evite ficar sob árvores e não atravesse ruas alagadas. Já nas regiões quentes e secas, hidratação e atenção à baixa umidade seguem necessárias.
A previsão mostra como um mesmo fim de semana pode ter cenários muito diferentes no Brasil. O ciclone extratropical ajuda a impulsionar a mudança no Sul, enquanto a umidade e o calor já alimentam tempestades em outras áreas. Saber onde esses sistemas devem atuar é o primeiro passo para se preparar.