Apple lança aluguel de iPhone para driblar preços altos

Apple lança aluguel de iPhone para driblar preços altos

Entenda como funciona o contrato para ter um iPhone sem precisar comprá-lo definitivamente.


Luigi Viana
Por Luigi Viana

Imagine a seguinte situação. Você acorda, pega o seu Iphone e percebe que ele já está um pouco lento. A bateria não dura como antes e a câmera já não entrega aquela qualidade surpreendente de quando era novo. Você quer o modelo mais recente, mas o preço cobrado nas lojas é assustador. E se você pudesse simplesmente alugar o aparelho, pagar uma mensalidade muito mais baixa e trocá-lo por um modelo recém-lançado no ano seguinte? Essa é exatamente a nova aposta de uma das maiores gigantes da tecnologia. A Apple anunciou na terça-feira um programa chamado Apple Upgrade, que permite aos clientes nos Estados Unidos alugarem dispositivos em vez de comprá-los.

Nós da equipe do portal Já Imaginou Isso fomos investigar como essa mudança radical no formato de consumo pode transformar a nossa relação diária com a tecnologia. O programa, feito em parceria com a empresa financeira Klarna, estará disponível tanto nas lojas físicas quanto no site oficial da marca. O grande detalhe que separa essa modalidade do parcelamento comum é que o cliente não será o dono do aparelho ao final dos pagamentos. Quando o prazo do contrato de locação terminar, o usuário poderá devolver o produto, fazer um upgrade imediato para um modelo mais recente ou comprá-lo definitivamente através de um pagamento único adicional.

Apple lança aluguel de iPhone para driblar preços altos

Apple lança aluguel de iPhone para driblar preços altos

Como funciona o novo aluguel de iPhone e outros aparelhos?

O funcionamento do Apple Upgrade lembra muito o mercado de aluguel de veículos, onde você paga apenas pelo tempo de uso e não pela posse do bem material. Os clientes poderão escolher contratos de doze ou vinte e quatro meses para os relógios inteligentes e para os celulares, enquanto os computadores e tablets da marca poderão ser alugados por períodos de vinte e quatro ou trinta e seis meses. O processo exige uma verificação de crédito simples por parte da empresa, que não afeta a pontuação financeira do consumidor.

Os preços variam de acordo com o modelo escolhido e com o tempo de duração. Para quem deseja um celular, os pagamentos mensais começam em 17,99 dólares e podem chegar a 31,99 dólares em um contrato de dois anos. Se o cliente decidir alugar um iPhone 17 Pro desbloqueado, o custo será de 31,99 dólares mensais no plano de dois anos, ou 45,99 dólares mensais caso opte pelo contrato mais curto de apenas um ano. Alguns dispositivos considerados de entrada, como o iPhone 16 e o MacBook Neo, ficaram de fora dessa novidade. Em contrapartida, modelos avançados como MacBook Air, Mac Studio, iPad Pro e Apple Watch Ultra estão confirmados.

“A grande sacada estratégica do aluguel é que a marca consegue desviar a atenção do preço total, que costuma ser muito alto, e foca em uma mensalidade que cabe perfeitamente no orçamento mensal do cliente.”

Um exemplo prático ajuda a entender a grande diferença financeira da proposta. Um iPhone 17 padrão, equipado com 256 gigabytes de armazenamento, custa 33,29 dólares por mês para ser comprado através de um plano de parcelamento tradicional de vinte e quatro meses. Se o cliente optar pelo aluguel durante exatamente o mesmo período, a mensalidade cai para 22,99 dólares. A troca de benefícios é bastante clara, pois o consumidor paga menos todos os meses, mas termina os dois anos de contrato de mãos vazias e sem o aparelho.

A crise dos chips e o aumento de preços

Essa mudança drástica de estratégia não aconteceu por acaso. No mês passado, a Apple precisou aumentar os preços de diversos equipamentos devido a uma grave escassez global de chips de memória, um problema que foi impulsionado pelo atual boom da inteligência artificial. Os computadores e tablets ficaram pelo menos cem dólares mais caros em suas configurações iniciais, com alguns modelos sofrendo aumentos pesados que ultrapassaram a marca de mil dólares.

As previsões para o futuro próximo indicam que a inflação tecnológica vai pesar ainda mais no bolso. A empresa de análises Morgan Stanley estima que a Apple pode precisar aumentar o preço da futura linha iPhone 18 Pro em cerca de duzentos dólares para conseguir preservar a sua margem de lucro bruto. Além disso, especialistas do setor esperam o lançamento de um telefone dobrável inédito em setembro, que deverá estrear no mercado com um valor especulado de cerca de 2.500 dólares. O aluguel surge, portanto, como uma alternativa muito mais barata para que o consumidor continue tendo acesso a essas inovações sem precisar desembolsar milhares de dólares de uma só vez.

Vale a pena assinar em vez de comprar um iPhone?

Para o mercado financeiro e para os executivos da marca, o programa de aluguel resolve um grande problema histórico de vendas. Segundo estimativas da empresa Bernstein, o ciclo médio em que as pessoas trocam de aparelho se estendeu para quase quatro anos, e esse novo formato incentiva os clientes a trocarem de telefone muito mais rápido e em um cronograma fixo. A diretora de pesquisa da IDC, Nabila Popal, afirmou que a maioria dos consumidores da Apple já compra seus dispositivos através de planos de parcelamento ou programas de troca, o que abre espaço para ofertas muito mais agressivas.

No entanto, a recepção do público nas redes sociais foi bastante dividida e gerou debates acalorados. Muitos usuários criticaram abertamente a iniciativa, apontando que esse é mais um passo perigoso em direção a um mundo dominado por assinaturas. Na plataforma Reddit, um usuário ironizou a situação escrevendo que as pessoas não serão donas de nada e serão felizes, enquanto outros chamaram a novidade de um verdadeiro indicador de recessão econômica. Por outro lado, há quem defenda o modelo prático. Um usuário relatou que troca de aparelho todos os anos e que ser o proprietário do telefone é algo que simplesmente não importa para a sua rotina.

As regras do contrato e o mercado de operadoras

Para quem se interessou pela facilidade, é fundamental ficar atento às regras operacionais. O programa não cobra pagamentos de entrada ou depósito de segurança, mas existem taxas adicionais caso o cliente decida cancelar o contrato antes do prazo final ou fazer um upgrade antecipado. A parceira financeira Klarna garantiu que não cobrará multas por pequenos atrasos, mas encerrará o contrato de aluguel automaticamente e sem aviso se houver três meses de pagamentos perdidos.

Com a transição para o Apple Upgrade, que inclusive substitui oficialmente o antigo iPhone Upgrade Program nos Estados Unidos, a marca da maçã passa a competir de forma muito mais direta com as grandes operadoras de telefonia do país, como AT&T, Verizon e T-Mobile. Historicamente, essas operadoras utilizam financiamentos de aparelhos subsidiados para atrair clientes e prendê-los em planos sem fio de longo prazo. Agora, o poder de escolha fica mais centralizado nas mãos do consumidor, que precisará decidir se a vontade de ter o celular do ano compensa a ideia de pagar mensalidades por um objeto que nunca será seu.

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Sobre o autor

Luigi Viana

Luigi é criador de conteúdo e escreve sobre estética clássica, filosofia e o impacto da tecnologia digital na cultura contemporânea.

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