Primavera começa nesta terça e deve ter calor, seca e tempestades severas

Primavera começa nesta terça e deve ter calor, seca e tempestades severas

Estação começa às 21h05 sob influência de um El Niño intenso. Temperaturas elevadas devem atingir praticamente todo o Brasil.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Enquanto flores surgem nos jardins e os dias se tornam mais longos, o céu brasileiro se prepara para uma estação marcada por contrastes. Em algumas regiões, nuvens carregadas poderão se formar rapidamente e provocar tempestades severas. Em outras, o calor e a falta de chuva devem prolongar a sensação de seca.

A primavera de 2026 começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. O momento corresponde ao equinócio de setembro, evento astronômico que encerra o inverno no Hemisfério Sul e inaugura uma nova estação.

Desta vez, porém, a mudança no calendário chega acompanhada por um fator climático poderoso. O El Niño está se intensificando no Oceano Pacífico e possui mais de 90% de probabilidade de atingir uma categoria considerada muito forte durante a primavera e o verão de 2026 e 2027.

Projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos indicam ainda 75% de chance de o fenômeno superar a intensidade dos eventos registrados desde 1950. Isso não significa que todos os recordes de calor ou chuva serão automaticamente quebrados, mas aumenta a possibilidade de impactos mais expressivos.

A primavera de 2026 não terá o mesmo rosto em todo o Brasil: enquanto algumas áreas enfrentam excesso de chuva, outras podem atravessar calor intenso e estiagens prolongadas.

Com o El Niño muito forte, essa reorganização da atmosfera tende a acontecer de maneira mais irregular

Com o El Niño muito forte, essa reorganização da atmosfera tende a acontecer de maneira mais irregular

Como será a primavera de 2026 no Brasil?

Em condições normais, a primavera já funciona como uma estação de transição. O frio perde espaço, as temperaturas sobem e a umidade amazônica começa a avançar com mais força em direção ao Centro-Oeste e ao Sudeste. Esse movimento favorece a retomada das chuvas depois de meses de seca em grande parte do Brasil central.

Com o El Niño muito forte, essa reorganização da atmosfera tende a acontecer de maneira mais irregular. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa mudança afeta ventos, correntes de umidade e padrões de chuva em várias partes do planeta.

No Brasil, os efeitos geralmente são diferentes entre o norte e o sul do país. A Região Sul costuma apresentar maior probabilidade de chuva acima da média, enquanto áreas do Norte e do Nordeste enfrentam redução das precipitações e períodos secos mais persistentes.

O prognóstico não deve ser interpretado como uma previsão exata para todos os dias da estação. Ele aponta tendências para os próximos meses. Dentro de uma primavera mais seca, por exemplo, ainda podem ocorrer tempestades isoladas. Da mesma forma, uma região com previsão de chuva acima da média pode atravessar alguns períodos de calor e tempo firme.

Onde a chuva pode ficar acima da média?

A maior atenção está voltada para a Região Sul, onde o El Niño costuma fortalecer os sistemas responsáveis por chuvas frequentes e volumosas. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem enfrentar episódios de temporais, alagamentos, enxurradas, granizo e rajadas fortes de vento.

Também existe possibilidade de volumes elevados em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste, especialmente em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, o encontro entre calor, umidade e frentes frias pode favorecer a formação rápida de nuvens carregadas.

Outro fenômeno que merece atenção é o Complexo Convectivo de Mesoescala. Apesar do nome complicado, ele pode ser entendido como um grande aglomerado de tempestades que se organiza e avança por uma extensa área. Esses sistemas conseguem produzir chuva intensa, descargas elétricas, granizo e ventos fortes durante várias horas.

Nem todo o Sudeste, porém, deve apresentar o mesmo comportamento. Boletins conjuntos de órgãos federais indicam possibilidade de chuva abaixo da média em áreas de Minas Gerais e Espírito Santo. Isso mostra como a influência do El Niño pode variar mesmo dentro de uma única região.

A recomendação é acompanhar os alertas meteorológicos de curto prazo. Uma tendência sazonal ajuda a entender o panorama geral, mas são as previsões emitidas com poucos dias ou horas de antecedência que conseguem indicar onde uma tempestade poderá acontecer.

Quais regiões podem enfrentar seca e calor?

O cenário mais preocupante para a falta de chuva está concentrado nas regiões Norte e Nordeste, além de partes do Brasil central. Norte do Piauí, noroeste do Ceará, centro-norte de Mato Grosso e norte de Goiás estão entre as áreas com possibilidade de déficit de precipitação.

A irregularidade das chuvas também pode afetar a Amazônia. Rios, comunidades e sistemas de transporte fluvial ainda sentem os efeitos de anos recentes de déficit hídrico. Quando a estação chuvosa começa de forma atrasada ou fraca, os níveis dos rios podem levar mais tempo para se recuperar.

O calor deverá ser outro elemento marcante. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, as temperaturas podem permanecer acima da média em praticamente todo o Brasil, embora a intensidade varie de uma região para outra.

Dias muito quentes combinados com ar seco aumentam o risco de queimadas e incêndios florestais. A preocupação é maior no Centro-Oeste, no sul da Amazônia e em áreas do interior onde a vegetação permanece ressecada depois do inverno.

Na agricultura, a distribuição irregular da chuva pode interferir no plantio, na germinação das sementes, na disponibilidade de água e no desenvolvimento das lavouras. Os efeitos dependerão da cultura, do tipo de solo, da região e do momento em que as precipitações realmente começarem.

Por isso, o El Niño não deve ser entendido apenas como um fenômeno distante no oceano. Ele pode influenciar o preço dos alimentos, a geração de energia, o transporte, o abastecimento de água e a rotina de milhões de pessoas.

A primavera de 2026 não terá o mesmo rosto em todo o Brasil: enquanto algumas áreas enfrentam excesso de chuva, outras podem atravessar calor intenso e estiagens prolongadas.

A primavera de 2026 não terá o mesmo rosto em todo o Brasil: enquanto algumas áreas enfrentam excesso de chuva, outras podem atravessar calor intenso e estiagens prolongadas

Por que o equinócio marca o início da primavera?

A primavera começa quando a Terra alcança uma posição específica em sua trajetória ao redor do Sol. No equinócio, os hemisférios Norte e Sul recebem iluminação solar de maneira mais equilibrada.

Costuma-se dizer que o dia e a noite apresentam exatamente a mesma duração durante o evento. Na prática, eles ficam próximos de 12 horas cada, mas fatores como a refração da luz na atmosfera e a forma utilizada para calcular o nascer e o pôr do sol produzem pequenas diferenças.

A partir do equinócio, os dias passam a ficar progressivamente mais longos no Hemisfério Sul. Esse movimento continuará até o solstício de dezembro, quando o verão começará. Em 2026, a próxima estação está prevista para começar no dia 21 de dezembro, às 18h50. O calendário oficial do Inmet confirma o início da primavera às 21h05 do dia 22 de setembro.

No Hemisfério Norte, acontece o contrário. O equinócio de setembro marca o começo do outono, e as noites passam a ganhar duração até a chegada do inverno.

Embora seja lembrada pelas flores, pelos dias claros e pela transformação das paisagens, a primavera brasileira também é uma estação de extremos. O aquecimento da atmosfera e o aumento gradual da umidade criam condições para tempestades intensas, principalmente durante a tarde e a noite.

Em 2026, esse comportamento típico será reforçado por um El Niño de intensidade incomum. A estação poderá reunir calor acima da média, seca prolongada, chuvas volumosas e tempestades severas dentro do mesmo território nacional.

O cenário pede atenção, mas também exige cautela com interpretações exageradas. Uma previsão climática indica probabilidades, não certezas absolutas. Outros fatores, como a temperatura do Oceano Atlântico, a circulação de ventos e a passagem de frentes frias, também influenciam o tempo no Brasil.

A primavera começa trazendo mais luz para os dias, mas também um lembrete importante: em um país continental, a mesma estação pode produzir paisagens completamente diferentes. Enquanto uma cidade observa rios subindo, outra pode esperar semanas pela primeira chuva.

Reportar um erro

Encontrou um erro neste conteúdo? Descreva o problema abaixo e nossa equipe verificará.

Reportar-erro

Compartilhar

Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

Saiba mais

Veja também