A Noruega, em um movimento inédito, avançou rumo à possibilidade de se tornar o primeiro país a permitir a mineração comercial em alto mar. A decisão, resultante de uma votação parlamentar realizada na última terça-feira (09), recebeu sinal verde, apesar dos alertas de cientistas sobre possíveis impactos devastadores na vida marinha.
Resistência Internacional
Enfrentando forte oposição da União Europeia e do Reino Unido, que pediram uma proibição temporária da mineração em alto mar devido a preocupações ambientais, a Noruega viu a proposta ser aprovada por 80% dos parlamentares. Isso acelerará a exploração de minerais, incluindo metais preciosos, demandados pelas tecnologias verdes.
Águas Internacionais em Jogo
Inicialmente aplicável apenas às águas norueguesas, estima-se que a área exposta à mineração por empresas poderá superar o tamanho da Grã-Bretanha. Empresas poderão solicitar licenças para extrair minerais como lítio, escândio e cobalto. Há expectativas de que um acordo sobre mineração em águas profundas em áreas internacionais seja alcançado até o final do ano.
Críticas e Expectativas
A decisão gerou críticas imediatas, inclusive da Greenpeace, que a considerou um "dia vergonhoso" para a Noruega. O chefe do Greenpeace Noruega, Frode Pleym, destacou o paradoxo de posicionar-se como líder oceânico enquanto permite a destruição nas águas do Ártico.
Apesar da aprovação, o governo norueguês estabeleceu que as empresas não começarão imediatamente a perfurar em alto mar. Propostas detalhadas, incluindo avaliações ambientais, serão necessárias, e cada licença será analisada individualmente pelo parlamento.
Alternativas e Investimentos
Grupos ativistas argumentam a favor de mais investimentos em reciclagem e reutilização de minerais já extraídos em terra. Um relatório da Fundação para Justiça Ambiental sugere que uma melhor reciclagem de celulares poderia recuperar 16 mil toneladas de cobalto anualmente.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) busca finalizar regras de exploração mineral em alto mar em águas internacionais em 2024, com votação final prevista para 2025. Enquanto mais de 30 países apoiam uma proibição temporária, nações como a China estão ansiosas pelo progresso da ISA nesse campo.