Nona Gaprindashvili - A rainha real do tabuleiro de xadrez

Nona Gaprindashvili – A rainha real do tabuleiro de xadrez

A história que a Netflix tentou apagar (e pagou caro por isso)


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou que uma mulher que derrotou 59 homens em partidas simultâneas de xadrez e depois processou a Netflix por 5 milhões de dólares? Pois é, essa história é real, surpreendente e vai fazer você repensar tudo que viu em “O Gambito da Rainha”.

A verdadeira rainha do tabuleiro

O nome dela é Nona Gaprindashvili, e o que ela fez nos anos 60 não foi apenas raro. Foi histórico. Enquanto o mundo do xadrez era completamente dominado por homens, ela não só jogou de igual para igual como superou a maioria deles.

Em 1962, Nona quebrou barreiras e se tornou a primeira mulher do mundo a conquistar o título de Grande Mestre Internacional. Um feito tão impressionante que parece coisa de filme. E olha que ela fez isso enfrentando 28 Grandes Mestres entre os 59 homens que encarou numa só rodada de partidas simultâneas. Isso mesmo: cinquenta e nove adversários de uma vez.

Cinco títulos mundiais e um sacrifício pessoal

Ela não parou por aí. Nona venceu cinco campeonatos mundiais femininos consecutivos, um recorde que ninguém quebrou até hoje. E quando teve a chance de disputar o campeonato absoluto (aquele onde homens e mulheres jogam juntos), ela foi impedida pela União Soviética porque queria levar o filho. Preferiu ficar com a família e, ainda assim, seguiu vencendo.

O processo contra a Netflix

Décadas depois, em 2020, a série “O Gambito da Rainha” conquistou o público com a personagem fictícia Beth Harmon. Mas uma única frase no roteiro despertou a indignação de Nona: “Ela nunca enfrentou homens” — diziam, referindo-se a ela.

Aos 80 anos, ela entrou com um processo contra a Netflix por difamação. E adivinha? Ganhou. A empresa precisou se retratar e pagar uma indenização milionária. A verdade venceu — mais uma vez.

E ela continua vencendo

Em 2022, aos 79 anos, Nona conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial Sênior de Xadrez por Equipes. Mesmo com quase oito décadas de vida, ela continuava colecionando vitórias. O talento não envelhece.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

  • O estilo de jogo de Nona era agressivo e imprevisível, algo incomum entre as jogadoras da época.

  • Ela aprendeu a jogar xadrez com apenas 5 anos de idade, observando o irmão mais velho.

  • Na Geórgia, sua terra natal, ela é considerada uma heroína nacional e tem estátua em sua homenagem.

  • Em seu auge, era chamada de “a garota que desafiou o sistema soviético com um tabuleiro e 32 peças”.

Um legado que vai além da ficção

Na próxima vez que você assistir “O Gambito da Rainha”, lembre-se disso: antes de Beth Harmon, já existia Nona Gaprindashvili. Ela não apenas jogava xadrez. Ela redefiniu o jogo — com coragem, talento e história de sobra para dar um xeque-mate na injustiça.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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