Pesquisadores brasileiros criam filtro solar à base de cerveja

Pesquisadores brasileiros criam filtro solar à base de cerveja

A descoberta da USP que reaproveita cerveja. Resíduos do lúpulo podem reforçar a proteção solar.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Quando alguém fala em cerveja, normalmente vêm à cabeça churrasco, happy hour e uma garrafa gelada no fim de semana. Mas e se parte dessa bebida pudesse ajudar a proteger a pele do sol? Parece improvável, mas pesquisadores brasileiros descobriram que resíduos descartados durante a produção da cerveja podem ser reaproveitados na fabricação de cosméticos.

O chamado filtro solar à base de cerveja é uma inovação criada a partir de sobras de lúpulo, ingrediente responsável pelo aroma e pelo sabor amargo da bebida. O que antes era tratado como lixo industrial agora pode se transformar em um aliado da saúde, da sustentabilidade e até da redução de custos dos protetores solares.

O chamado filtro solar à base de cerveja é uma inovação criada a partir de sobras de lúpulo

O chamado filtro solar à base de cerveja é uma inovação criada a partir de sobras de lúpulo

Como funciona o filtro solar à base de cerveja?

A descoberta surgiu a partir de estudos realizados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que investigaram o potencial dos resíduos gerados durante a fabricação da cerveja. Em especial, eles analisaram restos de lúpulo que sobram após etapas de filtragem e do chamado dry hopping, técnica usada para intensificar aroma e sabor.

Esses resíduos, que normalmente seriam descartados, ainda concentram compostos valiosos, como os polifenóis e o xantohumol, substâncias conhecidas por sua ação antioxidante e por ajudarem a proteger a pele contra os danos causados pelos raios ultravioleta.

O que torna esse resíduo tão valioso?

Durante o processo industrial da cerveja, muitas substâncias voláteis se perdem. Com isso, o que sobra do lúpulo acaba ficando ainda mais concentrado em compostos capazes de reforçar a proteção solar.

Os cientistas extraíram esses componentes usando etanol e incorporaram o material em formulações de cremes com proteção UVA e UVB. O resultado chamou atenção: o filtro solar à base de cerveja apresentou desempenho superior em relação às fórmulas feitas com lúpulo puro, especialmente na proteção contra os raios UVB, que estão ligados a queimaduras solares e danos mais imediatos à pele.

O que era resíduo industrial pode se transformar em um ingrediente valioso para a saúde da pele e para a preservação do meio ambiente.

Além de melhorar o FPS, o reaproveitamento do lúpulo pode contribuir para tornar a produção de cosméticos mais sustentável. Afinal, a indústria cervejeira gera toneladas de resíduos todos os anos, e boa parte deles ainda não tem um destino realmente útil.

Pode virar um produto comum no futuro?

Apesar dos resultados promissores, o filtro solar à base de cerveja ainda não está disponível nas farmácias. Antes de chegar ao mercado, a fórmula precisa passar por testes clínicos rigorosos para comprovar sua segurança, estabilidade e eficácia em humanos.

Também será necessário padronizar a quantidade de compostos antioxidantes presentes em cada lote, já que diferentes cervejas utilizam receitas e processos variados. Isso significa que ainda pode levar alguns anos até que o produto seja vendido ao público.

Mesmo assim, a descoberta já desperta interesse porque une três fatores importantes: inovação, sustentabilidade e economia. Se os próximos estudos confirmarem os resultados iniciais, esse tipo de protetor solar poderá custar menos e oferecer uma proteção ainda mais eficiente.

Será que, no futuro, os resíduos da cerveja vão deixar de ser lixo para se tornar um dos ingredientes mais valiosos da indústria cosmética?

Apesar dos resultados promissores, o filtro solar à base de cerveja ainda não está disponível nas farmácias

Apesar dos resultados promissores, o filtro solar à base de cerveja ainda não está disponível nas farmácias

A ciência por trás da cerveja e da proteção solar

A ideia de usar ingredientes naturais em cosméticos não é nova, mas o caso do filtro solar à base de cerveja chama atenção porque transforma um problema ambiental em solução. Em vez de descartar resíduos ricos em antioxidantes, os pesquisadores encontraram uma forma de reaproveitá-los em produtos com potencial real de mercado.

Esse tipo de descoberta também mostra como a ciência pode encontrar valor onde quase ninguém imagina. Algo que sobra da fabricação de uma bebida pode acabar ajudando a combater o envelhecimento precoce da pele, reduzir danos causados pelo sol e tornar a indústria mais sustentável.

No fim das contas, o filtro solar à base de cerveja é mais uma prova de que inovação nem sempre surge de laboratórios futuristas. Às vezes, ela nasce justamente daquilo que iria parar no lixo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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