Uma minuciosa análise das amostras do asteroide Ryugu, coletadas pela missão japonesa Hayabusa2 em 2018, revelou novas evidências de que moléculas orgânicas cruciais para o surgimento da vida na Terra podem ter sido transportadas por cometas antigos. Ryugu, um asteroide de 870 metros de largura, destituído de atmosfera protetora, forneceu informações valiosas sobre nosso Sistema Solar.
Durante os 18 meses de estudo, a Hayabusa2 coletou material de superfície do asteroide, identificando "respingos de derretimento" de 5 a 20 micrômetros de largura, formados quando a poeira cósmica atingiu a superfície de Ryugu. Nestes respingos, os cientistas encontraram pequenos materiais carbonáceos, similares à matéria orgânica primitiva, que podem ser considerados "as pequenas sementes de vida, uma vez entregues do espaço para a Terra", segundo Megumi Matsumoto, professora da Universidade de Tohoky.
Os cometas, ao passarem pelas bordas externas do Sistema Solar, são aquecidos pela radiação solar, levando à sublimação de seu material gelado. Esse processo libera material gasoso que carrega consigo partículas da superfície do cometa, formando trilhas de poeira cósmica. Ao adentrar essas trilhas, a Terra pode capturar essas partículas, proporcionando pistas sobre os primórdios do Sistema Solar.
Os materiais carbonáceos descobertos em Ryugu diferem quimicamente da matéria orgânica comum em cometas, carecendo de oxigênio e nitrogênio. A análise continua, com a esperança de identificar mais derretimentos que revelem evidências cruciais sobre a presença de material orgânico primordial no espaço circundante à Terra há mais de 4 bilhões de anos.