Quando Vianet Djenguet foi convidado para registrar a gradual exposição de uma família de gorilas à presença humana nas florestas da República Democrática do Congo, uma experiência única começou a se desenrolar. O gigante de dorso prateado, Mpungwe, líder do grupo, testou a coragem do cinegrafista com um ataque controlado. Djenguet, embora aterrorizado, compreendeu que o primata de 254 kg não buscava feri-lo, mas sim avaliar seu respeito. O cinegrafista compartilhou sua experiência de três meses convivendo com esses primatas fascinantes.
Djenguet recebeu o convite dos conservacionistas do Parque Nacional Kahuzi-Biega para documentar o processo de habituação, um esforço que pode levar de dois a dez anos para acostumar os gorilas à presença humana. O sucesso dessa adaptação é crucial, pois Mpungwe e sua família representam alguns dos últimos gorilas de terras baixas orientais na região. A iniciativa visa não apenas proteger esses primatas da extinção, mas também criar uma oportunidade de ecoturismo para gerar receita destinada à conservação.
Mpungwe, órfão desde 1996 devido a uma guerra civil, lidera um grupo de 23 gorilas, incluindo machos, fêmeas e filhotes. Djenguet enfrentou desafios diários ao carregar uma câmera de 50 kg pela densa floresta, imitando gestos e maneirismos dos gorilas para ganhar sua confiança. Ele observou de perto o cuidado materno das gorilas fêmeas, destacando semelhanças notáveis com comportamentos humanos.
Além das pressões naturais, a população de gorilas enfrenta ameaças significativas, incluindo guerras passadas, caça e armadilhas deixadas por caçadores. A conservação é vital, não apenas para os gorilas, mas também para preservar o equilíbrio ecológico da região. Djenguet ressalta que, embora o ecoturismo seja uma solução, a prioridade deve ser a criação de fundos suficientes para a conservação, eliminando a necessidade de os gorilas participarem desse tipo de atividade.
A convivência com os gorilas, apesar dos desafios, proporcionou a Djenguet uma experiência única de humildade. No último dia de filmagem, Mpungwe pareceu se despedir, batendo no peito, deixando uma marca duradoura na memória do cinegrafista.