O ano de 2023 entrou para a história como o mais quente já registrado, superando as piores projeções climáticas. Com uma temperatura média global 1,48 °C acima da era pré-industrial, o recorde anterior de 2016 foi ultrapassado em 0,17 °C, conforme divulgado pelo observatório europeu Copernicus. Enquanto o mundo absorve essa notícia, a questão que ecoa é: como serão as temperaturas em 2024?
Os Impactos de 2023: O Calor Extremo e o El Niño
O El Niño entrou em cena em março do ano anterior, gerando chuvas torrenciais na América do Sul e expandindo sua influência global no segundo semestre. No Brasil, a desigual distribuição de chuvas causou danos significativos, com a região norte enfrentando seca acentuada e o sul lidando com tempestades e ciclones devastadores. O calor atingiu picos alarmantes, ultrapassando os 40 °C em várias localidades e atingindo uma sensação térmica de 60 °C no Rio de Janeiro em novembro.
Elevação das Temperaturas e Seus Efeitos
A região amazônica, em meio à estiagem, enfrentou agravantes com a fumaça das queimadas, afetando a qualidade do ar de maneira crítica. O relatório do serviço de clima europeu destaca que apontar um único motivo para o calor recorde não é adequado, pois, embora o El Niño tenha contribuído, as emissões contínuas de gases poluentes desde a era pré-industrial desempenham um papel significativo.
Previsões para 2024: O Que Esperar
Enquanto estamos no auge do verão, o El Niño continua a exercer sua influência, e há incertezas quanto a um possível retorno da La Niña este ano. A expectativa geral é que eventos climáticos extremos se tornem mais frequentes, e as temperaturas continuem a aumentar em 2024, especialmente durante a presença do El Niño. A preocupação cresce diante da possibilidade de o ano superar o recorde de 2023.
O relatório destaca a probabilidade de um período de 12 meses, encerrado em janeiro ou fevereiro de 2024, exceder 1,5 °C acima do nível pré-industrial. No entanto, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 60% de que, a partir do outono deste ano, o planeta entre em um período de transição para a neutralidade, com a redução da influência do El Niño. As próximas previsões climáticas prometem um 2024 repleto de desafios e incertezas climáticas.