Vênus, a famosa Estrela Dalva, atinge seu brilho máximo nesta sexta-feira

Vênus, a famosa Estrela Dalva, atinge seu brilho máximo nesta sexta-feira

Planeta poderá ser localizado sem telescópio após o pôr do sol. Combinação de distância e fase explica a luminosidade intensa.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Pouco depois do pôr do sol, enquanto o céu ainda conserva tons alaranjados e as primeiras estrelas começam a surgir, um ponto de luz chamará atenção no horizonte oeste. Ele será tão intenso que poderá parecer uma aeronave distante, um farol suspenso no céu ou até um objeto não identificado. Mas não haverá mistério: será Vênus em seu brilho máximo.

O planeta alcança o auge de sua luminosidade na sexta-feira, 18 de setembro de 2026. O fenômeno poderá ser acompanhado a olho nu em todo o Brasil, desde que o céu esteja aberto e o observador encontre um local com boa visibilidade para o horizonte oeste.

De acordo com a EarthSky, Vênus atingirá magnitude aparente próxima de -4,8. Na escala astronômica de magnitudes, quanto menor e mais negativo o número, maior é o brilho observado. Isso significa que o planeta ficará muito mais luminoso do que qualquer estrela visível no céu noturno.

O brilho máximo não acontece porque Vênus produz luz própria. Assim como a Lua, o planeta reflete a luz do Sol. A intensidade que enxergamos depende de uma combinação entre a distância de Vênus em relação à Terra, o tamanho aparente de seu disco e a parte iluminada voltada para nós.

No auge de sua luminosidade, Vênus será o terceiro objeto natural mais brilhante do céu, atrás apenas do Sol e da Lua.

Se um ponto extremamente brilhante permanecer quase imóvel no oeste depois do pôr do sol, provavelmente você encontrou Vênus.

Se um ponto extremamente brilhante permanecer quase imóvel no oeste depois do pôr do sol, provavelmente você encontrou Vênus

Por que Vênus atinge o brilho máximo?

Seria natural imaginar que Vênus fica mais brilhante quando toda a sua face iluminada está voltada para a Terra. Curiosamente, não é isso que acontece. Quando o planeta parece quase completamente iluminado, ele está no lado mais distante de sua órbita e, por isso, seu disco parece menor para quem observa daqui.

Vênus gira ao redor do Sol em uma órbita interna à da Terra. Isso faz com que ele apresente fases parecidas com as da Lua. Em alguns momentos, vemos uma porção maior de sua face iluminada. Em outros, o planeta aparece como um crescente fino quando observado por um telescópio.

Em setembro de 2026, Vênus estará se aproximando da Terra, caminho que o levará à chamada conjunção inferior em outubro. Nessa configuração, ele passará entre nosso planeta e o Sol, embora não exatamente alinhado com os dois astros.

À medida que se aproxima, o tamanho aparente de Vênus aumenta. Ao mesmo tempo, a porção iluminada visível da Terra diminui. O brilho máximo ocorre no ponto de equilíbrio entre esses dois efeitos: o planeta já está grande no céu, mas ainda mostra uma área iluminada suficiente para refletir uma quantidade extraordinária de luz.

A luminosidade também é favorecida pelas nuvens densas que cobrem Vênus. Formadas principalmente por gotículas de ácido sulfúrico, elas refletem grande parte da luz solar que recebem. Essa alta capacidade de reflexão, combinada com a proximidade do planeta, explica por que Vênus costuma ser chamado popularmente de estrela-d’alva ou estrela vespertina.

Qual será a aparência de Vênus no telescópio?

A olho nu, Vênus parecerá apenas um ponto extremamente luminoso. Com binóculos comuns, a visão continuará parecida, pois a ampliação pode não ser suficiente para revelar sua forma. Já um telescópio mostrará algo mais curioso: o planeta estará em uma fase crescente.

Essa aparência surpreende quem espera encontrar um círculo completamente iluminado. O crescente venusiano é uma consequência direta da posição do planeta em relação à Terra e ao Sol. Foi justamente a observação dessas fases, realizada por Galileu Galilei no século 17, que ajudou a demonstrar que Vênus gira ao redor do Sol.

Apesar de um telescópio oferecer mais detalhes, nenhum equipamento será necessário para acompanhar o espetáculo. Na realidade, o brilho será tão intenso que a principal dificuldade poderá ser encontrar um horizonte sem prédios, árvores, morros ou nuvens.

Como observar o brilho máximo de Vênus no Brasil?

O melhor momento para procurar Vênus será logo depois do pôr do sol. O observador deve olhar para o lado oeste, na mesma direção em que o Sol desapareceu. É importante esperar que o astro já esteja completamente abaixo do horizonte, evitando olhar diretamente para ele.

Os horários variam de acordo com a cidade, mas a observação pode começar durante o crepúsculo, geralmente entre 18h e 18h30 em grande parte do país. Vênus aparecerá antes de muitas estrelas porque seu brilho consegue atravessar a claridade ainda presente no céu.

Conforme a noite avança, o planeta descerá em direção ao horizonte. Por isso, não é recomendável deixar a observação para muito tarde. Em algumas regiões, prédios, serras ou árvores poderão escondê-lo bem antes de seu ocaso astronômico.

Locais altos e abertos, como praças, mirantes, campos e áreas rurais, oferecem melhores condições. A poluição luminosa das cidades não deve impedir a visualização, já que Vênus é muito brilhante, mas um céu limpo tornará o cenário mais bonito.

No auge de sua luminosidade, Vênus será o terceiro objeto natural mais brilhante do céu, atrás apenas do Sol e da Lua.

No auge de sua luminosidade, Vênus será o terceiro objeto natural mais brilhante do céu, atrás apenas do Sol e da Lua

Como diferenciar Vênus de uma estrela?

A primeira pista é a intensidade. Vênus estará muito mais brilhante do que os demais pontos luminosos ao redor. Ele também será encontrado baixo no horizonte oeste, acompanhando aproximadamente o caminho percorrido pelo Sol.

Outra diferença está na cintilação. As estrelas podem parecer piscar com mais intensidade porque estão extremamente distantes e sua luz chega até nós como um ponto muito pequeno. Ao atravessar as camadas turbulentas da atmosfera, essa luz sofre desvios que produzem o efeito de cintilação.

Os planetas também podem oscilar quando estão muito próximos do horizonte, onde a atmosfera interfere mais na imagem. Ainda assim, Vênus costuma apresentar uma luz mais firme do que a maioria das estrelas.

Seu brilho poderá ser tão forte que algumas pessoas poderão confundi-lo com um avião, um drone ou um objeto voador não identificado. Para tirar a dúvida, basta observar por alguns minutos. Vênus se deslocará muito lentamente junto com o movimento aparente do céu, enquanto uma aeronave mudará de posição rapidamente.

Se um ponto extremamente brilhante permanecer quase imóvel no oeste depois do pôr do sol, provavelmente você encontrou Vênus.

O planeta não desaparecerá imediatamente depois do pico de 18 de setembro. Ele continuará brilhante durante as semanas seguintes, embora apareça cada vez mais baixo no céu do entardecer. No fim de outubro, ficará muito próximo da direção do Sol e deixará temporariamente de ser observado.

Depois disso, Vênus reaparecerá no céu da manhã, antes do nascer do Sol, e terá outro período de grande luminosidade no fim de novembro de 2026. Um brilho semelhante no céu do entardecer, entretanto, só deverá ocorrer novamente em abril de 2028.

O brilho máximo oferece uma oportunidade simples e acessível para olhar o céu. Não é preciso viajar, comprar equipamentos ou conhecer constelações. Basta encontrar o oeste, esperar o Sol se pôr e procurar o ponto luminoso que parecerá desafiar todas as estrelas ao redor.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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