Tristeza no domingo à noite? Psicólogos explicam o motivo

Tristeza no domingo à noite? Psicólogos explicam o motivo

Especialistas explicam o que está por trás da famosa tristeza de domingo e como lidar com ela.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O sol começa a se pôr, a música do Fantástico toca, e de repente o peito parece apertar.
Aquela sensação de angústia, ansiedade e leve tristeza toma conta como se o fim do domingo marcasse o fim de um refúgio.
Se você já sentiu isso, saiba que não está sozinho: o fenômeno é conhecido como “síndrome do domingo à noite”, e afeta milhões de pessoas no mundo todo.

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O fenômeno “síndrome do domingo à noite” afeta milhões de pessoas

 

Quando o fim de semana pesa na alma

Embora o termo não apareça em nenhum manual médico, psicólogos afirmam que o sentimento é real.
Segundo o professor e psicólogo Fernando Diogo Padovan, essa melancolia de domingo pode ser reflexo direto de uma rotina exaustiva e sem prazer.

Durante o fim de semana, o corpo descansa, mas a mente tenta escapar da pressão do cotidiano. Quando chega o domingo à noite, essa “bolha de alívio” estoura — e o peso da realidade volta a cair sobre os ombros.

“Não é uma patologia, mas um alerta emocional”, explica o especialista.
“O corpo pode estar descansado, mas a mente já começa a se preparar para uma nova rodada de estresse.”

As causas da tristeza de domingo

A chamada síndrome do domingo à noite é um reflexo psicológico da insatisfação e da sobrecarga.
De acordo com o psicólogo Gustavo Trevisan, os motivos mais comuns são:

  • insatisfação profissional;

  • excesso de responsabilidades;

  • solidão ou falta de vínculos emocionais;

  • uso excessivo de telas e redes sociais;

  • e até a falta de propósito na rotina semanal.

Em outras palavras, o problema não está no domingo.. está na vida que espera por você na segunda-feira.

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A síndrome do domingo à noite é um reflexo psicológico da sobrecarga

 

O “domingo do medo”

Nos Estados Unidos, o fenômeno é chamado de “Sunday Scaries”, algo como “o domingo do medo”.
É o momento em que o descanso dá lugar à ansiedade.
A mente começa a repassar as tarefas da semana, as pendências do trabalho, as cobranças e as obrigações — e o corpo reage como se estivesse diante de um perigo real.

“É uma sensação de desespero e incapacidade”, explica Trevisan.
“A pessoa sente que perdeu o controle da própria rotina.”

Esse ciclo pode se repetir por meses ou anos, até que a pessoa perceba que precisa reavaliar seu modo de viver — e não apenas “sobreviver” à segunda-feira.

Como driblar o peso do domingo

A boa notícia é que há maneiras simples de aliviar essa angústia.
Psicólogos recomendam transformar o domingo em um dia de autocuidado e prazer, em vez de um lembrete do fim do descanso.

Veja algumas estratégias:

  • Evite tarefas de trabalho ou obrigações pesadas;

  • Pratique algo prazeroso, como caminhar, cozinhar ou ouvir música;

  • Desconecte-se das redes sociais por algumas horas;

  • Prepare-se para a segunda, mas sem ansiedade — arrume suas coisas com calma;

  • E, se possível, repense sua rotina profissional: talvez o problema não seja o domingo, e sim o que vem depois dele.

“Quando o domingo se torna um peso, é sinal de que algo precisa mudar — e não apenas no calendário”, reforça Padovan.

Um lembrete importante

Sentir tristeza no domingo não é fraqueza, é um sinal de exaustão emocional.
Talvez seja o corpo pedindo pausa, ou a mente implorando por mudanças.
Mais do que uma síndrome, o “domingo à noite” é um espelho — refletindo o quanto precisamos de equilíbrio entre trabalho, prazer e descanso.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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