Cirurgia para melhorar depressão crônica. Veja como funciona

Cirurgia para melhorar depressão crônica. Veja como funciona

Um procedimento revolucionário implantou quatro eletrodos no cérebro de uma paciente e abriu caminho para uma nova esperança no tratamento da depressão resistente.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você já ouviu falar em uma cirurgia capaz de “reprogramar” o cérebro e devolver a esperança a quem enfrenta depressão crônica? Pois foi exatamente isso que aconteceu na Colômbia.

Lorena Rodríguez, de 34 anos, conviveu desde a adolescência com crises de ansiedade e depressão resistentes a todos os tratamentos possíveis. Depois de terapias, remédios e até mudanças de país sem resultado duradouro, ela se tornou a primeira pessoa no mundo a passar por uma cirurgia inédita: a implantação de quatro eletrodos em áreas específicas do cérebro para aliviar os sintomas da depressão profunda.

Como funciona a estimulação cerebral profunda

O procedimento se chama estimulação cerebral profunda. Em resumo, eletrodos minúsculos são implantados em regiões associadas à tristeza, culpa e ansiedade. Esses fios são conectados a um neuroestimulador colocado no tórax, que envia impulsos elétricos capazes de reorganizar os circuitos cerebrais ligados ao humor.

Até então, a maioria das cirurgias utilizava apenas um eletrodo por hemisfério. No caso de Lorena, foram usados quatro, criando uma abordagem multitarget — ou seja, atingindo diferentes pontos do cérebro ao mesmo tempo. Esse detalhe fez toda a diferença, já que cada sintoma da depressão envolve redes cerebrais diferentes.

Resultados impressionantes

No dia seguinte à cirurgia, Lorena descreveu a sensação como se um peso tivesse sido retirado do peito. Poucos dias depois, disse que era como “voltar a ver a luz”. Hoje, quatro meses após o procedimento, ela relata pequenas, mas profundas transformações: consegue fazer planos, sente mais estabilidade e afirma estar vivendo, não apenas resistindo.

"Lorena
Lorena Rodríguez, cirurgia depressão

 

Por que essa cirurgia é tão inovadora

Esse tipo de estimulação já era usado em doenças como Parkinson, mas agora abre um caminho promissor para casos de depressão resistente, que afeta milhões de pessoas no mundo. Estudos apontam que entre 40% e 60% dos pacientes apresentam melhora significativa e até 30% conseguem alcançar remissão dos sintomas por longos períodos.

Além de ser a primeira cirurgia multitarget para depressão, o caso de Lorena marca também um avanço científico importante na América Latina, mostrando que tecnologias de ponta não estão restritas à Europa ou aos Estados Unidos.

Curiosidade extra

  • O cérebro humano tem mais de 86 bilhões de neurônios interligados por trilhões de conexões. Alterar a atividade elétrica em apenas algumas dessas áreas já pode transformar completamente a forma como pensamos e sentimos.

  • O córtex cingulado, um dos pontos estimulados na cirurgia, é conhecido como “centro da tristeza” do cérebro. É nele que emoções intensas podem se transformar em sofrimento persistente.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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