Você está em um almoço de família, uma comemoração ou um jantar entre amigos. Na mesa, alguém oferece uma taça de vinho para a gestante e logo surge a frase que muita gente já ouviu: “Só um pouquinho não faz mal”.
Mas faz.
A ideia de que pequenas doses seriam inofensivas ainda circula entre muitas pessoas, mas especialistas são diretos ao afirmar que grávidas não podem beber álcool em nenhuma fase da gestação. Isso acontece porque a substância atravessa rapidamente a placenta e chega ao bebê, que ainda não tem capacidade de metabolizar o álcool como um adulto.
Na prática, cada gole ingerido pela mãe também é compartilhado com o feto.

Na prática, cada gole ingerido pela mãe também é compartilhado com o feto
Por que grávidas não podem beber álcool?
Quando uma mulher consome bebida alcoólica durante a gravidez, o álcool entra na corrente sanguínea, passa pelo fígado e, em pouco tempo, alcança a placenta. A partir daí, ele chega ao organismo do bebê.
O problema é que o feto não possui enzimas suficientes para quebrar e eliminar o álcool. Isso faz com que a substância permaneça circulando por mais tempo no organismo em desenvolvimento.
O álcool pode chegar mais forte ao bebê
Cerca de uma hora após a ingestão de bebida alcoólica, o nível de álcool no sangue do bebê pode ser até 30% maior do que o da mãe. Isso acontece porque o corpo fetal é muito mais sensível e incapaz de metabolizar a substância de maneira eficiente.
Grávidas não podem beber álcool porque não existe uma quantidade considerada segura durante a gestação.
Além disso, os riscos aumentam conforme a frequência do consumo, a quantidade ingerida e o período da gravidez. Quanto maior a exposição, maior a chance de problemas graves.
Muita gente acredita que cerveja, vinho ou espumante seriam menos perigosos do que bebidas destiladas, mas isso não é verdade. O que realmente importa é a quantidade de álcool presente.
Os riscos podem começar ainda no primeiro trimestre
O primeiro trimestre costuma ser o período mais delicado, porque é quando os órgãos do bebê estão se formando. Nesse momento, o álcool pode interferir diretamente no crescimento celular, no cérebro, no coração e em outras estruturas fundamentais.
Por isso, grávidas não podem beber álcool mesmo antes de a barriga aparecer ou antes de saberem da gestação. Muitas mulheres descobrem a gravidez semanas depois da concepção, e é justamente nesse período inicial que o bebê está mais vulnerável.
O álcool pode atravessar a placenta, mas a proteção não consegue atravessar de volta.

O álcool pode atravessar a placenta, mas a proteção não consegue atravessar de volta
Quais problemas o álcool pode causar na gravidez?
Os efeitos podem variar bastante, mas há uma lista de complicações associadas ao consumo de álcool durante a gestação.
Entre os principais riscos estão parto prematuro, restrição do crescimento do bebê, baixo peso ao nascer, aborto espontâneo e até morte fetal.
O que é o Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal?
Uma das consequências mais graves do consumo de álcool na gravidez é o chamado Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal, conhecido como TEAF.
Esse conjunto de alterações pode afetar o desenvolvimento neurológico, cognitivo e físico da criança. Dependendo da intensidade da exposição, o bebê pode apresentar problemas faciais, atraso no crescimento, alterações cerebrais, dificuldades de aprendizagem, déficit de atenção, hiperatividade e problemas de comportamento.
Também podem surgir malformações cardíacas, alterações renais, problemas nos ossos e fragilidade no sistema imunológico.
Em alguns casos, os efeitos não aparecem logo após o nascimento. Eles podem surgir apenas na infância, adolescência ou vida adulta, prejudicando o desempenho escolar, a socialização e até a saúde mental.
O álcool também afeta depois do parto
Mesmo após o nascimento, o cuidado continua sendo necessário. Isso porque o álcool ingerido pela mãe também passa para o leite materno.
O bebê pode apresentar sonolência excessiva, suor, irritação, perda de peso e dificuldade de crescimento. Em casos mais frequentes, podem surgir efeitos de longo prazo relacionados ao comportamento e ao desenvolvimento cognitivo.
Por isso, grávidas não podem beber álcool e mães que estão amamentando também devem conversar com o médico antes de consumir qualquer bebida alcoólica.
No fim das contas, a regra é simples: durante a gravidez, não existe dose segura, tipo de bebida mais leve ou “só um golinho”. O único caminho realmente seguro para proteger o bebê é evitar completamente o álcool do início ao fim da gestação.