Bumbum empinado pode ser sinal oculto de TDAH e autismo

Bumbum empinado pode ser sinal oculto de TDAH e autismo

Entenda como a sua postura corporal e a famosa "inclinação pélvica" escondem pistas surpreendentes sobre o funcionamento do seu cérebro.


Luigi Viana
Por Luigi Viana

Você já parou para observar a sua postura diante do espelho ou a forma como o seu filho caminha pela casa? Muitas vezes, acreditamos cegamente que o formato do nosso corpo é apenas uma herança genética imutável. Mas, e se eu te disser que a curva das suas costas pode revelar segredos fascinantes sobre a sua mente? TDAH?

Acredite se quiser, mas aquele bumbum mais projetado para trás pode ser um sinal sutil de condições neurodivergentes. Quando falamos de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou autismo, a primeira coisa que vem à mente são os desafios sociais, a agitação ou a dificuldade de manter o foco. No entanto, a ciência descobriu uma pista física surpreendente que costuma se esconder bem na nossa retaguarda.

O “Bumbum de Pato” e a Mente

Na grande maioria das vezes, essa característica física não tem absolutamente nada a ver com o formato real ou o tamanho dos glúteos. Trata-se de uma condição postural extremamente comum chamada inclinação pélvica anterior.

Imagine que a sua pélvis é uma bacia cheia de água. Em uma postura neutra, a água não derrama. Mas, na inclinação pélvica anterior, é como se a bacia estivesse inclinada para a frente, derramando a água. O resultado visível? A base da coluna se curva mais para dentro, a barriga é empurrada para a frente e os glúteos ficam projetados para trás, criando o que muita gente chama de “bumbum de pato”.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver essa postura ao longo da vida, ela é curiosamente comum em crianças diagnosticadas com autismo ou TDAH.

Por que o TDAH afeta a postura?

Bumbum empinado pode ser sinal oculto de TDAH e autismo

Bumbum empinado pode ser sinal oculto de TDAH e autismo

A ligação entre uma condição neurológica como o TDAH e a postura pode parecer estranha à primeira vista, mas faz total sentido biológico. Muitas crianças no espectro autista ou com TDAH apresentam um tônus muscular mais baixo desde cedo. Isso significa que a musculatura do core (região abdominal) e dos glúteos pode não ser forte o suficiente para segurar a pélvis no alinhamento perfeito.

Além disso, crianças com TDAH costumam apresentar algumas dificuldades invisíveis com o equilíbrio, a coordenação motora e a consciência corporal. Como se não bastasse, hábitos como sentar por longos períodos ou andar na ponta dos pés acabam encurtando os músculos flexores do quadril, puxando a pélvis ainda mais para fora da posição ideal.

Tudo isso, somado, cria um “combo” postural: a cabeça se projeta para a frente, os ombros ficam arredondados e a pélvis se inclina.

O que dizem os cientistas?

Para entender melhor essa mecânica, pesquisadores utilizaram tecnologia de análise de movimento 3D. Eles descobriram que crianças em idade escolar com autismo tendem a caminhar com a pélvis muito mais inclinada para a frente do que seus colegas neurotípicos.

Em outro estudo revelador, a ciência apontou os holofotes diretamente para o TDAH. Descobriu-se que meninos diagnosticados com TDAH possuíam um ângulo pélvico anterior que era, em média, 4,5 graus maior do que o de crianças sem a condição.

“Nossos resultados sugerem que o ângulo pélvico anterior representa uma variável de marcha específica, que está diretamente relacionada aos sintomas do TDAH”, destacaram os autores do estudo.

Existe solução para o desalinhamento?

Ter essa inclinação não é motivo para pânico, mas ignorá-la pode causar dores incômodas na região lombar, no quadril e até nos joelhos no futuro, além de afetar o equilíbrio.

A boa notícia é que o corpo humano é adaptável. Seja para uma criança com TDAH ou um adulto curioso, exercícios simples focados em alongar os flexores do quadril e fortalecer os glúteos e o abdômen, como pontes, pranchas, elevação de pernas e o agachamento na parede, são excelentes para colocar a pélvis de volta no eixo.

Especialistas ressaltam que trabalhar com um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional é o melhor caminho. Eles sabem exatamente como transformar esses exercícios monótonos em brincadeiras divertidas para crianças com autismo ou TDAH, adaptando cada movimento às necessidades e sensibilidades sensoriais de cada pequeno paciente.

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Sobre o autor

Luigi Viana

Luigi é criador de conteúdo e escreve sobre estética clássica, filosofia e o impacto da tecnologia digital na cultura contemporânea.

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