Brasil está entre as regiões mais afetadas por calor extremo no Mundo

Brasil está entre as regiões mais afetadas por calor extremo no Mundo

Estudo global mostra que bilhões de pessoas enfrentam mais dias de calor intenso. Estudo revela avanço do calor extremo no Brasil.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine terminar um dia sufocante esperando que a noite traga algum alívio. Agora imagine que esse refresco simplesmente não chegue. A sensação de calor permanece durante a madrugada, dificultando o sono, aumentando o cansaço e tornando a recuperação do corpo cada vez mais difícil.

Essa realidade já está se tornando mais comum em diversas partes do planeta. E o Brasil aparece entre as regiões mais afetadas por essa transformação silenciosa. Um novo estudo internacional revelou que o número de pessoas expostas ao calor extremo cresceu de forma acelerada nas últimas décadas, atingindo atualmente bilhões de indivíduos em todo o mundo.

Os dados foram publicados na revista científica Nature Climate Change e apontam que o calor extremo no Brasil e em outras regiões da América do Sul está mais frequente, mais intenso e mais duradouro do que era nos anos 1970.

Mais do que uma sensação desagradável, os pesquisadores alertam que esse fenômeno pode trazer impactos diretos para a saúde, a produtividade e a qualidade de vida das populações.

O calor extremo não está apenas aumentando. Ele está permanecendo por mais tempo e invadindo períodos que antes serviam para a recuperação do corpo.

O calor extremo no Brasil apresentou um aumento significativo tanto durante o dia quanto durante a noite.

O calor extremo no Brasil apresentou um aumento significativo tanto durante o dia quanto durante a noite

Como o calor extremo no Brasil mudou nas últimas décadas?

Os pesquisadores analisaram registros climáticos entre 1950 e 2024 utilizando um indicador chamado UTCI, sigla para Índice Universal de Clima Térmico.

Diferentemente da temperatura comum exibida nos termômetros, esse sistema considera fatores como umidade do ar, velocidade do vento, radiação solar e sensação térmica. Dessa forma, ele consegue estimar de maneira mais precisa o impacto real do calor sobre o organismo humano.

Os resultados mostraram que aproximadamente 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam atualmente pelo menos um dia de calor extremo por ano em comparação com a década de 1970.

Na América do Sul, o cenário é ainda mais preocupante. O calor extremo no Brasil apresentou um aumento significativo tanto durante o dia quanto durante a noite.

Em várias regiões sul-americanas, a sensação térmica máxima dos dias mais quentes aumentou entre 2°C e 4°C desde os anos 1970. Durante a noite, o crescimento varia entre 1°C e 3°C.

O problema das noites cada vez mais quentes

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos cientistas foi a velocidade com que as temperaturas noturnas estão aumentando.

Segundo os pesquisadores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), as noites estão aquecendo mais rapidamente do que os próprios dias.

Isso acontece porque a atmosfera mais quente retém uma quantidade maior de calor, reduzindo o resfriamento natural que normalmente ocorre após o pôr do sol.

Para o corpo humano, isso representa um desafio importante. Durante a noite, o organismo precisa reduzir sua temperatura interna para descansar adequadamente e se recuperar do estresse térmico acumulado ao longo do dia.

Quando esse resfriamento não acontece, aumentam os riscos de exaustão térmica, problemas cardiovasculares, desidratação e dificuldades relacionadas ao sono.

Sensação térmica mais alta significa maior risco

O estudo mostra que não é apenas a temperatura absoluta que importa.

A combinação entre calor, umidade e radiação solar faz com que a sensação térmica se torne muito mais intensa. Em determinadas situações, mesmo temperaturas aparentemente moderadas podem gerar condições perigosas para a saúde.

Por isso, especialistas vêm acompanhando não apenas os termômetros, mas também índices que medem o estresse térmico real enfrentado pelas pessoas.

Quais regiões enfrentam mais dias de calor intenso?

O levantamento aponta que o norte da América do Sul poderá registrar até 80 dias adicionais por ano com calor muito forte quando comparado ao cenário observado nos anos 1970.

No Sul e Sudeste do Brasil, o aumento chega a aproximadamente 50 dias extras de calor intenso ao longo do ano.

Em eventos classificados como extremos, a frequência aumentou cerca de 2,5 vezes em relação ao que era observado cinco décadas atrás.

Esses dados ajudam a explicar por que episódios recentes de calor intenso têm chamado tanta atenção em várias cidades brasileiras.

Em muitas regiões, o desafio já não é apenas enfrentar dias quentes, mas conviver com semanas inteiras de calor persistente.

Segundo o estudo, essas sequências estão se tornando mais longas e mais frequentes em praticamente todos os continentes.

Segundo o estudo, essas sequências estão se tornando mais longas e mais frequentes em praticamente todos os continentes

Eventos prolongados estão se tornando mais comuns

Outro aspecto observado pelos pesquisadores foi o crescimento dos chamados eventos combinados.

Esses episódios acontecem quando vários dias muito quentes são acompanhados por noites igualmente quentes, sem que haja uma pausa suficiente para o resfriamento do ambiente.

Segundo o estudo, essas sequências estão se tornando mais longas e mais frequentes em praticamente todos os continentes.

Quanto maior a duração desses eventos, maiores tendem a ser os impactos na saúde pública, na agricultura, no abastecimento de água e no consumo de energia elétrica.

Por que o calor extremo está aumentando?

Os cientistas apontam dois fatores principais.

O primeiro é o crescimento populacional. Hoje, mais pessoas vivem em áreas urbanas vulneráveis às altas temperaturas.

O segundo é o avanço do aquecimento global, impulsionado principalmente pela emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o estudo, quando se analisam eventos de calor prolongado, o peso das mudanças climáticas se torna ainda mais evidente.

Atualmente, cerca de 70% da população mundial vive em regiões que registram pelo menos 90 dias de calor forte por ano. Nos anos 1970, esse percentual era de aproximadamente 55%.

Outro dado que preocupa especialistas é o impacto sobre as crianças. Estimativas da Unicef indicam que cerca de 559 milhões de crianças já estão expostas a ondas de calor frequentes em diversas partes do planeta.

O estudo deixa claro que o calor extremo no Brasil não é mais uma projeção distante. Ele já faz parte da realidade de milhões de pessoas e tende a influenciar cada vez mais a forma como vivemos, trabalhamos e nos adaptamos ao clima nas próximas décadas.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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