Uso de telas pode causar atrasos de linguagem em bebês

Uso de telas pode causar atrasos de linguagem em bebês

O uso excessivo de celulares e tablets pode atrasar o desenvolvimento da fala em crianças menores de 3 anos?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Seu bebê ainda não balbucia, mesmo depois dos 12 meses? Não diz nenhuma palavra aos 18 meses? Parece não interagir com outras pessoas como deveria? Talvez a resposta esteja mais perto do que você imagina… ou melhor, na palma da sua mão.

Cada vez mais estudos revelam uma ligação preocupante entre o uso excessivo de telas e o atraso no desenvolvimento da linguagem em crianças pequenas. E quando falamos em telas, estamos incluindo celulares, tablets, televisões e até mesmo aqueles vídeos “educativos” que parecem inofensivos.

O cérebro infantil precisa de gente, não de pixels

Os primeiros três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento do cérebro. É nesse período que acontecem as conexões neurais que vão moldar o jeito como a criança pensa, sente e se comunica.

Mas aqui está o ponto: essas conexões não se formam assistindo desenho animado. Elas se formam no olhar da mãe, na troca de sons com o pai, nas risadas, nas perguntas, nos sons do cotidiano.

As telas oferecem estímulos visuais e sonoros, mas são passivas. Elas não respondem com afeto, não corrigem, não reagem à maneira única que uma criança tem de explorar o mundo.

O que os estudos estão mostrando

Um estudo publicado pela JAMA Pediatrics em 2017 revelou que crianças que usam telas por muitas horas por dia têm mais risco de apresentar atrasos no desenvolvimento da fala e da comunicação.

Outro estudo da Universidade de Calgary, no Canadá, confirmou que o uso prolongado de telas está relacionado à diminuição nas habilidades verbais de crianças pequenas.

Quando é hora de acender o alerta?

Fique atento a esses sinais:

  • Bebê que não balbucia ou imita sons até 12 meses

  • Criança que não fala nenhuma palavra com 18 meses

  • Falta de frases com duas palavras aos 24 meses

  • Pouco ou nenhum interesse por outras pessoas

  • Falta de resposta ao ser chamado pelo nome

Esses comportamentos podem indicar um atraso no desenvolvimento e precisam ser avaliados por um especialista.

O que fazer para evitar ou reverter esse cenário

A boa notícia é que, em muitos casos, o atraso pode ser revertido com atitudes simples e diárias:

  • Evite o uso de telas para crianças com menos de 18 meses

  • Reserve um tempo do dia para conversar e brincar de forma ativa com seu filho

  • Leia histórias em voz alta e cante músicas

  • Estimule o contato visual e a imitação de sons e expressões

  • Use o cotidiano como espaço de aprendizado: nomeie objetos, descreva ações, faça perguntas

A Academia Americana de Pediatria recomenda que o uso de telas seja totalmente evitado até os 18 meses (exceto chamadas de vídeo com familiares) e, entre os 2 e 5 anos, limitado a no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão de um adulto.

Um mundo mais real do que virtual

No fim das contas, o que uma criança pequena mais precisa é de presença, atenção e afeto. O toque, o som da voz dos pais, a interação com o ambiente real… tudo isso vale mais para o desenvolvimento dela do que qualquer vídeo colorido com musiquinha chiclete.

Então, da próxima vez que for entreter seu filho com uma tela, lembre-se de que ele está em fase de construção do cérebro. E que os melhores tijolos dessa construção são feitos de amor, conversa e tempo juntos.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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