Um rim de porco está funcionando em um humano há mais de 8 meses

Um rim de porco está funcionando em um humano há mais de 8 meses

Bioengenharia permite que um rim suíno funcione em humano por 6 meses, abrindo caminho para um futuro com menos filas de transplante.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou um rim de porco funcionando em um corpo humano?

O que parecia ficção científica agora é realidade. Em janeiro de 2025, o norte-americano Tim Andrews, de 67 anos, recebeu um rim de porco geneticamente modificado após passar dois anos em diálise. Seis meses depois, o órgão continua funcionando normalmente, sem sinais de rejeição e sem necessidade de hemodiálise. Esse feito já entrou para a história como a maior sobrevida registrada de um órgão suíno em um ser humano vivo.

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Foto: Reprodução/ Kate Flock/Hospital Geral de Massachusetts

 

A revolução dos xenotransplantes

Esse procedimento faz parte de uma área da medicina chamada xenotransplante, que estuda a utilização de órgãos de animais em humanos. O segredo do sucesso está na bioengenharia. Cientistas conseguiram modificar o DNA do porco, eliminando antígenos que causariam rejeição, inserindo genes humanos e desativando retrovírus que poderiam causar problemas no corpo humano.
O resultado? Um rim compatível o suficiente para funcionar como se fosse humano.

O futuro dos transplantes pode estar nos porcos

Hoje, milhares de pessoas no mundo inteiro vivem presas às máquinas de diálise enquanto aguardam um transplante. Só no Brasil, são mais de 65 mil pacientes em hemodiálise e uma fila enorme de espera por órgãos. Se a técnica se confirmar segura em larga escala, porcos geneticamente editados poderão se tornar a chave para salvar incontáveis vidas.

Curiosidades que você talvez não saiba

  • Os porcos foram escolhidos porque seus órgãos têm tamanho e funcionamento semelhantes aos dos humanos.

  • Além dos rins, cientistas já estudam a possibilidade de transplantar corações, fígados e até pulmões suínos.

  • A Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos EUA, já autorizou novos testes clínicos com mais pacientes.

  • A ideia de xenotransplante existe desde o século XX, mas só agora a engenharia genética tornou isso viável.

Ética e avanços científicos

Esse tipo de procedimento também levanta debates importantes sobre ética, biossegurança e bem-estar animal. Mas, para muitos especialistas, os benefícios superam os dilemas. Afinal, salvar vidas humanas que antes não tinham esperança pode ser a grande justificativa para o avanço da prática.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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