Supermercados recorrem ao Exército por falta de mão de obra

Supermercados recorrem ao Exército por falta de mão de obra

Setor vive apagão de mão de obra e busca solução fora do óbvio.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou sair do quartel direto para o caixa do supermercado?
Parece inusitado, mas isso está acontecendo no Brasil. E não por acaso.

O setor supermercadista brasileiro tem enfrentado um paradoxo curioso: há cerca de 350 mil vagas abertas, mas mesmo com tanto desempregado no país, essas vagas continuam sobrando.

O motivo? Os jovens não querem mais esse tipo de emprego.

A geração que foge do 6 por 1

Jornadas exaustivas, salários baixos e poucas chances de crescimento. Esse é o pacote tradicional oferecido por muitos supermercados. E a nova geração, que preza por qualidade de vida e flexibilidade, tem simplesmente dito não.

Muitos preferem trabalhos informais ou autônomos, mesmo com menos segurança, desde que ofereçam liberdade de horários e mais autonomia. A ideia de fazer carreira como estoquista ou operador de caixa já não encanta como antes.

Ex-militares como solução

Diante da dificuldade de preencher cargos operacionais, redes de supermercados passaram a firmar parcerias com as Forças Armadas.

A estratégia é aproveitar jovens que acabam de sair do serviço militar obrigatório. Eles chegam ao mercado com atributos que o varejo valoriza: disciplina, pontualidade, foco e resistência à pressão.

Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul já testam a ideia com bons resultados.

Mas o problema vai além da mão de obra

A verdade é que o setor precisa mais do que tapar buracos. Precisa se reinventar.

A Associação Brasileira de Supermercados já discute melhorias: oferecer capacitação, criar planos de carreira, atrair pessoas com mais de 60 anos e tornar os supermercados espaços de trabalho mais humanizados e motivadores.

A escassez de trabalhadores é só a ponta do iceberg. O que está em jogo é o modelo de emprego tradicional, que talvez precise evoluir para acompanhar os novos desejos da sociedade.

O futuro do trabalho pode começar na prateleira

No fim das contas, o que essa história revela é algo maior: as pessoas estão escolhendo viver melhor, mesmo que ganhem menos.

E talvez isso seja um sinal claro de que o mercado de trabalho, em todos os setores, precisa mudar para continuar existindo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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