Já imaginou pagar para ser congelado depois da morte e esperar que, um dia, a ciência consiga trazer você de volta? Parece roteiro de filme de ficção científica, mas já é um serviço real oferecido por uma startup em Berlim chamada Tomorrow Bio.
A ideia é simples na teoria e complexa na prática: após a morte legal, um time de emergência atua 24 horas por dia para iniciar um procedimento chamado criopreservação, que esfria o corpo rapidamente a temperaturas extremamente baixas para impedir a decomposição e o dano celular.
Quanto custa “pausar” a morte
O pacote completo sai por cerca de duzentos mil dólares. Até agora, três ou quatro pessoas e cinco animais de estimação já foram criopreservados. Outros setecentos clientes assinaram o contrato, apostando que a medicina do futuro será capaz de reverter a morte.
A primeira da Europa e planos ambiciosos
A Tomorrow Bio é o primeiro laboratório de criônica da Europa e já anunciou planos para expandir seus serviços para os Estados Unidos a partir de 2025.
Ciência ou ilusão congelada
Apesar do apelo futurista, a criopreservação ainda está longe de ser uma realidade comprovada. Até hoje, nenhum ser humano ou animal foi revivido após o processo. Cientistas como o neurocientista Clive Coen, do King’s College London, consideram a ideia improvável, apontando riscos de danos irreversíveis ao cérebro e tecnologias ainda inexistentes, como nanomedicina avançada ou mapeamento neural completo.
Não é apenas congelar
Segundo Emil Kendziorra, cofundador da empresa, “você não quer congelar o corpo, você quer criopreservá-lo”. Isso porque, ao simplesmente congelar, formam-se cristais de gelo que destroem os tecidos. A criopreservação utiliza técnicas para evitar esse problema, tentando preservar as células em melhor estado possível para um eventual futuro “despertar”.
Curiosidade histórica
A ideia de “dormir no gelo” até que a ciência avance não é nova. Desde a década de 1960, empresas nos Estados Unidos oferecem criopreservação, embora nenhuma tenha conseguido ressuscitar um paciente. Um dos casos mais famosos é o de James Bedford, professor universitário preservado desde 1967, cujo corpo segue armazenado até hoje.
A pergunta que não quer calar
Se a tecnologia realmente funcionar no futuro, será que você acordaria no mesmo mundo que deixou? Ou estaria em uma realidade totalmente diferente, séculos à frente? A criopreservação não garante respostas… mas para alguns, vale a aposta.