'Respiração anal' pode ajudar pessoas com problemas pulmonares

'Respiração anal' pode ajudar pessoas com problemas pulmonares

Pesquisadores japoneses e americanos desenvolvem método que entrega oxigênio pelo intestino


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou respirar por onde o sol não bate?

Pode parecer piada, mas não é. Pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos estão desenvolvendo uma técnica que permite entregar oxigênio ao corpo humano por uma via bastante… inesperada: o reto.
E, por mais estranho que soe, a ideia é promissora e pode até salvar vidas.

"Respiração
Por mais estranho que soe, a ideia é promissora e pode até salvar vidas.

Como tudo começou

O método foi inspirado em criaturas que já dominam essa arte da “respiração alternativa”. Alguns peixes, como as lochas, conseguem absorver oxigênio através do intestino quando a água ao redor tem pouco ar. Eles engolem bolhas de oxigênio, e o gás é absorvido pelas paredes internas do trato digestivo o que, de certa forma, significa respirar “pelo outro lado”.

Outros animais, como tartarugas e pepinos-do-mar, também conseguem captar oxigênio por vias não convencionais. Foi essa curiosidade da natureza que levou os cientistas a pensar: se funciona com eles, por que não tentar em humanos?

A técnica por trás da ideia

O nome científico da técnica é ventilação enteral.
Em termos simples, ela funciona como um tipo de “enema de oxigênio”. Um líquido rico em oxigênio é inserido cuidadosamente no reto, onde o gás pode ser absorvido pelas paredes do intestino e chegar até a corrente sanguínea.

Em testes iniciais, 27 voluntários no Japão aceitaram participar da experiência.
Eles receberam pequenas quantidades de um líquido especial chamado perfluorodecalina, conhecido por sua capacidade de armazenar oxigênio. O objetivo inicial não era provar que o método funciona para respirar, mas verificar se o corpo humano tolera o processo.

Os resultados surpreendentes

O experimento mostrou que, apesar do desconforto natural, não houve efeitos colaterais graves.
Alguns participantes relataram inchaço e sensação de pressão, mas nada além disso.
Essa primeira fase serviu para confirmar a segurança da técnica, o que abre caminho para o próximo passo: testar líquidos realmente oxigenados para ver se o corpo humano consegue, de fato, absorver oxigênio dessa forma.

“Agora que comprovamos a segurança, queremos medir a eficiência da técnica em aumentar o oxigênio no sangue”, explicou o pesquisador japonês Takanori Takebe, um dos autores do estudo.

Um futuro promissor (e curioso)

Durante a pandemia de Covid-19, o mundo viveu a escassez de respiradores mecânicos e oxigênio hospitalar. Em casos assim, uma técnica como essa poderia ser uma alternativa de emergência para pacientes com falência respiratória.

Pode soar engraçado, mas o impacto é sério: estamos diante de uma possível nova forma de respiração artificial, inspirada pela natureza e alimentada pela criatividade humana.

Quem diria que uma ideia digna de um episódio de ficção científica poderia um dia salvar vidas reais?

Reportar um erro

Encontrou um erro neste conteúdo? Descreva o problema abaixo e nossa equipe verificará.

Reportar-erro

Compartilhar

Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

Saiba mais

Veja também