Em quase todo relacionamento um sente frio e o outro calor

Em quase todo relacionamento um sente frio e o outro calor

Por que um sente frio e o outro calor ao dormir? Como casais aprendem a conviver com isso.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Toda noite, quando as luzes se apagam e chega a hora de dormir, muitos casais entram em uma espécie de acordo silencioso: um sente frio e o outro calor. De um lado da cama, alguém se enrola no cobertor até o pescoço, veste meias, fecha a janela e ainda pergunta se o ventilador pode ficar desligado. Do outro, existe uma pessoa deitada quase sem coberta, com a perna para fora da cama e implorando por uma corrente de ar.

É como se o quarto fosse dividido entre duas estações do ano ao mesmo tempo. Enquanto um sente frio e o outro calor, os dois tentam encontrar um meio-termo para conseguir dormir em paz.

Essa cena é tão comum que parece fazer parte da vida a dois. Mas por trás dessa diferença aparentemente engraçada, existem explicações biológicas bastante curiosas.

É como se o quarto fosse dividido entre duas estações do ano ao mesmo tempo

É como se o quarto fosse dividido entre duas estações do ano ao mesmo tempo

Por que um sente frio e o outro calor?

A sensação térmica não depende apenas da temperatura do ambiente. O corpo humano regula o calor de formas diferentes, e isso envolve metabolismo, hormônios, circulação sanguínea, quantidade de gordura corporal e massa muscular.

Pessoas com mais massa muscular tendem a produzir mais calor naturalmente. Isso acontece porque os músculos funcionam como pequenas “usinas” de energia, gerando calor mesmo quando o corpo está em repouso. Já quem tem menos massa muscular pode sentir mais frio, principalmente nas extremidades, como mãos, pés e pernas.

Dormir junto é, muitas vezes, aprender a negociar cobertor, ventilador, janela aberta e até qual lado da cama é mais quente

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Mulheres costumam sentir mais frio?

Em muitos casos, sim. De forma geral, as mulheres costumam ter menos massa muscular e uma circulação sanguínea diferente, o que faz com que o corpo preserve mais calor nos órgãos internos. Como consequência, mãos e pés podem ficar gelados mesmo quando a temperatura do quarto parece agradável.

Por isso, é muito comum que em um casal um sente frio e o outro calor, especialmente quando a mulher está de meias e cobertor, enquanto o homem já está tentando ligar o ventilador.

Em muitos relacionamentos, a maior incompatibilidade não está no gosto musical ou no futebol. Está no termostato do quarto.

Mas isso não é uma regra fixa. Com o passar dos anos, especialmente durante o climatério e a menopausa, muitas mulheres passam a sentir mais calor do que antes. Ondas de calor, suor noturno e sensação de abafamento podem mudar completamente a dinâmica da cama.

Em alguns casos, aquela pessoa que dormia coberta até a cabeça começa a abrir a janela no meio da madrugada, mesmo em noites frias.

Em muitos relacionamentos, a maior incompatibilidade não está no gosto musical ou no futebol. Está no termostato do quarto

Em muitos relacionamentos, a maior incompatibilidade não está no gosto musical ou no futebol. Está no termostato do quarto

E os homens podem sentir frio também?

Podem, e isso é mais comum do que parece. Embora muitos homens tenham mais massa muscular e metabolismo acelerado, fatores como idade, cansaço, baixa circulação, perda de peso e alterações hormonais também podem aumentar a sensação de frio.

Além disso, algumas pessoas simplesmente têm um “termostato interno” diferente. Existem indivíduos que sentem calor facilmente, enquanto outros parecem viver eternamente com os pés gelados.

É justamente por isso que em muitos quartos um sente frio e o outro calor, independentemente de quem seja homem ou mulher.

Dormir junto é, muitas vezes, aprender a negociar cobertor, ventilador, janela aberta e até qual lado da cama é mais quente.

Os rituais curiosos que surgem na hora de dormir

Além das diferenças biológicas, existe um lado quase ritualístico na forma como cada pessoa dorme. Tem gente que só consegue pegar no sono com uma perna descoberta. Outros precisam deixar um pé para fora do cobertor para equilibrar a temperatura do corpo.

Há quem durma totalmente enrolado, mas deixe um braço de fora. Alguns não conseguem dormir sem ventilador. Outros precisam de silêncio absoluto e um cobertor pesado.

Esses hábitos funcionam como sinais para o cérebro de que é hora de descansar. Quando repetimos sempre os mesmos gestos antes de dormir, o corpo começa a associar esses comportamentos ao relaxamento.

Por isso, mesmo quando um sente frio e o outro calor, muitos casais acabam encontrando pequenas soluções para conviver com essas diferenças. Alguns usam cobertores separados. Outros deixam um ventilador voltado apenas para um lado da cama. Há ainda quem escolha lados fixos do colchão porque um deles é mais frio ou mais quente.

No fim das contas, essas diferenças fazem parte da intimidade. Talvez todo relacionamento tenha mesmo dois personagens fixos: o ser humano cobertor e o ser humano ventilador.

E, curiosamente, eles quase sempre continuam funcionando muito bem juntos.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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