Projeto de lei pode punir flanelinhas por extorsão

Projeto de lei pode punir flanelinhas por extorsão

Projeto de lei quer transformar cobrança de flanelinha em crime de extorsão com pena de até oito anos de prisão.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou se flanelinha virar crime no Brasil?

Entenda como essa prática pode ser considerada extorsão e render até oito anos de prisão

Se você já parou o carro em alguma rua movimentada, é quase certo que um flanelinha tenha aparecido oferecendo para “olhar o veículo”. Muitas vezes, você nem pediu o serviço, mas a cobrança vem de qualquer jeito. Agora, essa prática pode ganhar um novo status: o de crime de extorsão.

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe que cobrar para vigiar carro em via pública, sem autorização, seja punido com multa e até oito anos de prisão. Mais do que isso: se a vítima for mulher, idoso ou estiver acompanhada de crianças, a pena pode aumentar ainda mais.

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Projeto propõe que cobrar para vigiar carro em via pública pode ser crime

 

De gorjeta a ameaça: como o flanelinha virou polêmica

Muita gente encara o flanelinha como uma forma de “seguro informal”: você paga e o carro fica sem riscos. Mas também existem relatos de motoristas que se recusaram a pagar e encontraram o veículo arranhado ou danificado. É justamente essa sensação de pressão psicológica que faz a prática ser considerada por alguns como uma forma de extorsão.

Curiosamente, essa atividade não é nova. Os primeiros registros de flanelinhas no Brasil datam da década de 1970, quando eles limpavam para-brisas em troca de algumas moedas. Com o tempo, a limpeza foi ficando de lado e o serviço passou a ser basicamente “vigiar o carro”.

O que pode mudar se a lei for aprovada

O Projeto de Lei 239/25, de autoria do deputado General Pazuello, prevê punições severas. A prática seria proibida em todo território nacional, exceto quando houver autorização formal da prefeitura ou de empresas privadas responsáveis por estacionamentos.

Além da pena de prisão, a lei prevê aumento da punição em casos de ameaça, violência ou quando a vítima for parte de um grupo vulnerável. Em outras palavras: a era do flanelinha “pedindo uma ajudinha” pode estar com os dias contados.

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A prática seria proibida em todo território nacional

 

E se acabar o flanelinha, o que acontece?

Aqui entra uma curiosidade: cidades que tentaram banir flanelinhas enfrentaram um efeito inesperado. Em alguns casos, aumentaram os furtos de veículos, já que o “olhar informal” deles também inibia criminosos. Em outras localidades, a organização de estacionamentos públicos se fortaleceu, gerando empregos formais e maior sensação de segurança.

Será que a ausência dos flanelinhas deixaria as ruas mais seguras ou mais vulneráveis? Eis a polêmica que promete render muita discussão nos próximos meses.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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