Por que Trump quer retomar testes nucleares após 30 anos?

Por que Trump quer retomar testes nucleares após 30 anos?

O que está por trás da retomada dos testes após 30 anos de pausa?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine o silêncio do deserto de Nevada sendo quebrado novamente pelo som ensurdecedor de uma explosão subterrânea. Trinta anos se passaram desde o último teste nuclear dos Estados Unidos, mas agora, Donald Trump quer reacender a era atômica.

O anúncio pegou o mundo de surpresa. Pouco antes de se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, na Coreia do Sul, Trump declarou nas redes sociais que ordenou ao Departamento de Guerra o retorno imediato dos testes nucleares.

“Devido aos programas de testes de outros países, eu instruí o Departamento de Guerra a iniciar os testes de nossas armas nucleares em igualdade de condições.”

Segundo o próprio Trump, a medida é uma forma de garantir que os Estados Unidos não fiquem atrás de Rússia e China, na corrida armamentista do século XXI.

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A medida é uma forma de garantir que os Estados Unidos não fiquem atrás

O retorno de uma era perigosa

A decisão marca o fim de uma moratória que vinha desde 1992, quando o então presidente George H. W. Bush encerrou oficialmente os testes após o fim da Guerra Fria. Desde então, os Estados Unidos vinham modernizando seu arsenal sem realizar novas detonações.

Mas, agora, Trump afirma que não teve escolha.

“Não podemos permitir que outras potências avancem enquanto ficamos parados. É hora de garantir que nosso poder nuclear continue sendo o maior do planeta.”

O discurso chega em meio a um novo clima de tensão mundial, especialmente após a Rússia divulgar o teste de duas novas armas capazes de carregar ogivas nucleares, incluindo o temido drone submarino Poseidon, projetado para gerar ondas radioativas gigantescas.

A nova corrida nuclear

De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a China praticamente dobrou seu arsenal nuclear nos últimos cinco anos, e pode ultrapassar mil ogivas até 2030.

Atualmente, o arsenal americano é estimado em cerca de 5.225 ogivas, enquanto a Rússia possui aproximadamente 5.580. Mesmo com números tão altos, Trump teme que a China “alcance os EUA em apenas cinco anos”.

A retomada dos testes, segundo ele, seria essencial para “manter a liderança mundial” e “garantir a segurança nacional”.

Mas a decisão não é apenas estratégica, é também política. Ela ocorre a menos de 100 dias do vencimento do tratado New Start, o último acordo de controle de armas nucleares ainda em vigor entre EUA e Rússia, que limita o número de ogivas a 1.550 por país.

As memórias do deserto de Nevada

O último teste nuclear americano aconteceu em 23 de setembro de 1992, no Campo de Testes de Nevada, a pouco mais de 100 km de Las Vegas. O experimento, chamado Divider, foi o 1.054º teste nuclear dos Estados Unidos.

O local, ainda controlado pelo governo, pode ser reativado rapidamente caso Trump leve adiante sua proposta.

Segundo o Museu Nacional de Ciência e História Nuclear, “o Campo de Testes de Nevada permanece pronto para ser utilizado, caso seja considerado necessário”.

Esse mesmo deserto foi palco do teste Trinity, em 1945, o primeiro da história, que marcou o início da era nuclear e culminou nas tragédias de Hiroshima e Nagasaki.

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Esse mesmo deserto foi palco do teste Trinity, em 1945

Um futuro incerto

O retorno dos testes não representa apenas uma disputa entre potências. Ele reacende velhas feridas da humanidade e faz o mundo se perguntar se estamos, mais uma vez, à beira de uma nova corrida armamentista.

Embora Trump defenda a medida como “necessária”, especialistas temem que isso provoque um efeito dominó, levando outras nações a também retomarem seus programas.

“Cada teste nuclear é uma lembrança do poder humano de criar, e destruir, em escala global.”

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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