Por que o Brasil virou o novo alvo das empresas chinesas?

Por que o Brasil virou o novo alvo das empresas chinesas?

Com a crise interna na China e tensões globais, o Brasil se tornou o novo campo de expansão de gigantes da tecnologia, delivery e comércio.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você já reparou como cada vez mais empresas chinesas estão surgindo no Brasil? De aplicativos de delivery a redes de lojas de chá, o interesse da China pelo nosso país nunca foi tão grande. E por trás dessa invasão comercial existe uma combinação poderosa de crise interna, geopolítica e, claro, olho no nosso bolso.

A crise que empurra a China para fora de casa

O consumo doméstico na China está em queda. O país enfrenta o colapso do setor imobiliário e, para piorar, vive uma verdadeira guerra comercial com os Estados Unidos e a União Europeia. Por causa disso, muitas gigantes chinesas começaram a olhar com ainda mais carinho para mercados emergentes, como o Brasil.

Enquanto a economia interna desacelera, empresas como Meituan, TikTok Shop e Mixue apostam alto na América Latina. Só para você ter uma ideia, a Meituan anunciou um investimento de nada menos que 1 bilhão de dólares para operar no Brasil, começando com o setor de delivery.

"Mixue
Mixue e Meituan prometem mudar o mercado do Brasil

 

Por que o Brasil?

O Brasil é hoje a maior economia da América Latina e possui um público jovem, altamente conectado e consumidor de tecnologia. Além disso, o comércio entre Brasil e China dobrou na última década, o que reforça ainda mais a confiança das empresas chinesas em investir por aqui.

Sem falar na boa relação diplomática. O próprio presidente Lula tem buscado fortalecer os laços com Pequim, criando um ambiente ainda mais favorável para novos investimentos.

As gigantes que estão chegando (ou expandindo)

Nos últimos meses, algumas movimentações chamaram a atenção:

  • TikTok Shop: Lançada oficialmente no Brasil, aproveitando o sucesso do TikTok por aqui.

  • Meituan: Início das operações no país, mirando o mercado de delivery, que já é gigante.

  • Mixue: A maior rede de chás e sobremesas do mundo anunciou que vai contratar milhares de brasileiros para sua expansão.

E a lista tende a crescer nos próximos anos.

Mas será que tudo vai ser um mar de rosas?

Nem tudo são flores nessa história. O modelo de negócios agressivo que muitas dessas empresas usam na China já causou polêmicas, com denúncias sobre condições de trabalho e uso excessivo de dados dos usuários.

Além disso, o Brasil tem um histórico de consumidores exigentes e um ambiente regulatório que pode dificultar a vida das empresas que quiserem repetir aqui os mesmos métodos que usam lá fora.

Outro desafio será a concorrência local. Empresas como iFood, Mercado Livre e Shopee (que, por sinal, também tem raízes asiáticas) não vão abrir espaço tão fácil.

O futuro: uma nova disputa de gigantes?

O movimento das empresas chinesas para o Brasil mostra como o nosso país está cada vez mais no centro das atenções no cenário econômico global. Se por um lado isso significa mais opções e serviços para os consumidores, por outro é importante ficar atento às práticas dessas novas empresas que chegam.

Estamos prontos para essa nova invasão chinesa?

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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