Paracetamol na gravidez e risco de autismo. Entenda a relação

Paracetamol na gravidez e risco de autismo. Entenda a relação

O analgésico mais comum do mundo pode ter efeitos ocultos na gravidez, enquanto outro medicamento traz esperança para o autismo.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou que um simples remédio pode estar ligado ao autismo?

O governo dos Estados Unidos deve anunciar que o paracetamol, um dos medicamentos mais consumidos do planeta, pode estar associado a um risco maior de autismo quando usado durante a gravidez. O alerta é polêmico porque o paracetamol sempre foi considerado o analgésico mais seguro para gestantes, justamente por não trazer os riscos de outros remédios, como os anti-inflamatórios.

Segundo autoridades americanas, pesquisas do Mount Sinai e de Harvard encontraram indícios de que o uso de paracetamol no início da gestação poderia estar ligado a alterações no desenvolvimento neurológico do bebê, aumentando as chances de condições como déficit de atenção e até autismo. Por isso, a recomendação deve ser de cautela: só usar o medicamento em casos necessários, como febre, e sempre com orientação médica.

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O paracetamol pode estar associado a um risco maior de autismo

A leucovorina, um remédio que pode ajudar

Ao mesmo tempo em que ligam o paracetamol ao risco de autismo, as autoridades devem destacar a leucovorina, um medicamento pouco conhecido, como possível tratamento. A leucovorina é usada principalmente para combater efeitos colaterais de certos remédios e para corrigir deficiência de vitamina B9.

Em testes clínicos, algumas crianças com autismo que receberam leucovorina apresentaram melhoras na fala e na compreensão, algo que tem despertado muito interesse na comunidade científica. Embora os resultados ainda sejam iniciais, pesquisadores acreditam que a substância pode abrir portas para novas abordagens no tratamento do transtorno.

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A leucovorina, pode ser um possível tratamento para o autismo

 

O que sabemos sobre o autismo hoje

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por dificuldades de comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Nos Estados Unidos, uma em cada 31 crianças de 8 anos é diagnosticada com autismo, número que vem crescendo nas últimas décadas.

Mas por que esse aumento? A ciência ainda não tem uma resposta definitiva. Parte pode ser explicada por diagnósticos mais precisos e maior conscientização, mas muitos especialistas acreditam que existem fatores ambientais e genéticos combinados atuando em conjunto. Hoje, já são conhecidos mais de 100 genes relacionados ao TEA, mas ainda há muito a descobrir.

Curiosidade extra: um dos remédios mais consumidos do mundo

Pouca gente sabe, mas o paracetamol está no topo da lista dos medicamentos mais vendidos globalmente, com bilhões de doses ingeridas todos os anos. Ele é tão popular que, em alguns países, pode ser comprado em supermercados. Isso mostra como até remédios aparentemente inofensivos podem esconder complexidades que a ciência ainda tenta entender.

O paracetamol continua sendo considerado seguro para gestantes quando usado de forma controlada. A grande questão é que agora autoridades e cientistas estão reforçando que até medicamentos comuns devem ser usados com responsabilidade.
Ao mesmo tempo, novas pesquisas com a leucovorina podem trazer esperança para famílias que convivem com o autismo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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