Você já viu uma notícia sobre conflitos no Oriente Médio e se deparou com os termos xiita e sunita? Para muita gente, essas palavras parecem distantes, quase técnicas. Mas, na prática, elas carregam uma história que atravessa mais de 1.300 anos e ainda influencia o mundo atual.
Tudo começa com uma pergunta simples, mas poderosa: quem deveria liderar uma comunidade após a morte de seu fundador?
Foi exatamente isso que aconteceu no século 7, após a morte do profeta Maomé, figura central do islamismo. A partir desse momento, uma decisão política acabou se transformando em uma das maiores divisões religiosas da história.
O que significa xiita e sunita?
De forma direta, xiita e sunita são duas vertentes do islamismo.
Ambas compartilham os mesmos pilares da fé. Acreditam em Alá, seguem o Alcorão e reconhecem Maomé como o último profeta. No entanto, divergem em um ponto fundamental: a liderança da comunidade islâmica após a morte do profeta.
Essa diferença inicial acabou moldando práticas religiosas, estruturas políticas e até identidades culturais ao longo dos séculos.
Às vezes, uma divisão começa como política e acaba se tornando parte da identidade de milhões de pessoas.

O falecido aiatolá Ali Khamenei, líder do Irã, e o príncipe Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita
Como surgiu a divisão entre xiita e sunita?
Após a morte de Maomé, em 632, não havia uma regra clara sobre quem deveria assumir o comando da comunidade islâmica.
Foi aí que surgiram dois grupos.
De um lado, estavam aqueles que acreditavam que o líder deveria ser alguém da família do profeta. Esse grupo defendia Ali ibn Abi Talib, primo e genro de Maomé. Eles deram origem aos xiitas.
Do outro lado, a maioria defendia que o líder poderia ser escolhido entre os companheiros do profeta, desde que fosse respeitado e seguisse seus ensinamentos. Esse grupo apoiou Abu Bakr e deu origem aos sunitas.
A decisão final favoreceu os sunitas, que passaram a liderar a expansão inicial do islamismo.
Mas a divisão já estava criada.

Após a morte de Maomé, em 632, não havia uma regra clara sobre quem deveria assumir o comando da comunidade islâmica
Quem são os xiitas?
Os xiitas acreditam que a liderança deve permanecer na linhagem do profeta, através de seus descendentes.
Para eles, esses líderes possuem uma espécie de autoridade espiritual especial para interpretar a religião.
Essa crença deu origem ao conceito de imãs, figuras centrais na tradição xiita.
Um dos episódios mais marcantes para esse grupo é a morte de Hussein, neto de Maomé, na Batalha de Karbala, em 680.
Esse evento é lembrado até hoje em rituais e celebrações, como a Ashura, considerada uma das datas mais importantes do calendário xiita.
Quem são os sunitas?
Os sunitas representam a maioria dos muçulmanos no mundo, cerca de 85% da população islâmica.
Para eles, a liderança não precisa estar ligada à família do profeta. O mais importante é que o líder siga os ensinamentos e tradições de Maomé.
A palavra “sunita” vem de “sunna”, que significa tradição.
Essa vertente se espalhou rapidamente ao longo da história, consolidando-se como a principal corrente do islamismo em diversos países.
Quais são as principais diferenças entre xiita e sunita?
Apesar das semelhanças na base da fé, existem diferenças importantes entre xiita e sunita.
Entre elas:
Forma de liderança religiosa
Interpretação de textos sagrados
Rituais e práticas religiosas
Organização das autoridades religiosas
No dia a dia, essas diferenças podem aparecer em detalhes como a forma de rezar, celebrações específicas e interpretações teológicas.
Mas é importante destacar que ambas as vertentes compartilham a essência do islamismo.

Mas é importante destacar que ambas as vertentes compartilham a essência do islamismo
Por que essa divisão ainda influencia conflitos?
A divisão entre xiita e sunita não é apenas religiosa. Ao longo do tempo, ela se misturou com política, poder e território.
Em muitos casos, conflitos no Oriente Médio envolvem fatores geopolíticos, econômicos e históricos que vão muito além da religião.
No entanto, a identidade religiosa pode intensificar essas disputas.
Exemplos disso incluem:
Tensões no Iraque após 2003
Guerra civil na Síria
Conflitos no Iêmen
Além disso, eventos como a Revolução Iraniana de 1979 reforçaram o papel político do islamismo xiita na região.
Nem todo conflito é religioso. Mas quando a religião entra na equação, ele ganha ainda mais força.
Onde estão xiitas e sunitas hoje?
Hoje, os sunitas são maioria no mundo islâmico.
Já os xiitas são minoria global, mas predominam em alguns países importantes, como Irã e Iraque.
Em muitos lugares, as duas vertentes convivem de forma pacífica. Em outros, existem tensões que variam de acordo com o contexto político e social.
Xiita e sunita: uma divisão que vai além da religião
Entender a diferença entre xiita e sunita é mais do que compreender um aspecto religioso.
É entender uma parte importante da história do mundo.
Uma divisão que começou com uma escolha de liderança acabou influenciando séculos de cultura, política e identidade.
E, de certa forma, continua ajudando a explicar muitos dos acontecimentos atuais.
No fim das contas, essa história mostra algo curioso.
Nem sempre os grandes conflitos começam com grandes diferenças.
Às vezes, eles nascem de uma única pergunta sem resposta.