Número de crianças obesas supera o de desnutridas pela 1ª vez

Número de crianças obesas supera o de desnutridas pela 1ª vez

Relatório revela que, pela primeira vez, a obesidade infantil superou a subnutrição em quase todas as regiões do mundo.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou um mundo onde existem mais crianças com obesidade do que crianças passando fome? Pois é, esse cenário já é realidade. De acordo com um relatório do Unicef, pela primeira vez na história, o número de crianças e adolescentes com obesidade superou o de jovens subnutridos.

O que os números revelam sobre a infância

Entre os anos 2000 e 2025, a taxa de subnutrição infantil caiu de 13% para 9,2%. Já a obesidade quase triplicou, saltando de 3% para 9,4%. Isso significa que, atualmente, 391 milhões de jovens ao redor do mundo estão acima do peso, e 188 milhões vivem com obesidade.

"Obesidade
Já a obesidade quase triplicou, saltando de 3% para 9,4%.

 

O dado mais curioso é que o termo má-nutrição não se refere mais apenas à falta de comida, mas também à alimentação baseada em produtos ultraprocessados. Ou seja, muitas crianças comem bastante, mas continuam malnutridas porque não recebem os nutrientes necessários para crescer de forma saudável.

Como os ultraprocessados viraram vilões da infância

Alimentos ricos em açúcar, gordura saturada, sódio e aditivos químicos estão cada vez mais acessíveis e, em muitos países, custam menos que frutas e vegetais. O resultado é uma geração com maior risco de desenvolver diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer já na vida adulta.

Um exemplo marcante é o Chile, onde 27% das crianças e adolescentes já vivem com obesidade. Nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes Unidos, a taxa chega a 21%.

O Brasil também está nesse cenário

Aqui no Brasil, a obesidade infantil já ultrapassou a subnutrição desde os anos 2000. Em 2022, 15% das crianças e adolescentes brasileiros estavam obesos, número três vezes maior do que no início do século.

Por outro lado, o país também foi elogiado por medidas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que limita a compra de ultraprocessados nas escolas, além da rotulagem frontal e o banimento das gorduras trans.

Qual é o impacto para o futuro?

Segundo o Unicef, se nada mudar, até 2035 o impacto econômico da obesidade e do sobrepeso poderá custar mais de 20 trilhões de reais por ano ao mundo.

A boa notícia é que políticas públicas e hábitos familiares podem reverter esse cenário. Diminuir o consumo de ultraprocessados, incentivar frutas, legumes e proteínas naturais e restringir publicidade infantil são algumas das estratégias já aplicadas com bons resultados em alguns países.

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a taxa de subnutrição infantil caiu de 13% para 9,2%.

 

Reflexão final

Esse dado histórico nos leva a uma pergunta importante: será que estamos trocando a fome pela má-nutrição? O desafio agora é garantir que as próximas gerações tenham acesso não apenas a comida, mas a uma alimentação realmente saudável e nutritiva.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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