Lavagem nasal incorreta leva apresentador ao hospital; qual o jeito certo?

Lavagem nasal incorreta leva apresentador ao hospital; qual o jeito certo?

Apresentador é internado após erro durante lavagem nasal. Infecção grave acendeu alerta sobre erros comuns na técnica.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Quem costuma sofrer com rinite, sinusite ou gripes provavelmente já ouviu o mesmo conselho diversas vezes: faça uma lavagem nasal. O procedimento é simples, barato e considerado um dos métodos mais eficazes para aliviar a congestão, eliminar secreções e melhorar a respiração. Mas um caso recente mostrou que até mesmo uma técnica bastante segura pode trazer complicações quando é realizada da maneira errada.

O apresentador e radialista cearense João Inácio Jr. precisou ser internado após desenvolver uma mastoidite bilateral, uma infecção grave que atingiu os ossos localizados atrás das orelhas. Segundo o próprio comunicador, o problema teria surgido após ele realizar a lavagem nasal com pressão excessiva, seguindo orientações vistas em um vídeo nas redes sociais.

O episódio chamou a atenção justamente porque milhares de pessoas fazem esse procedimento diariamente. Afinal, como uma prática tão recomendada pode acabar causando problemas? A resposta está na forma como ela é executada.

Os especialistas são unânimes em afirmar que a lavagem nasal continua sendo uma das melhores formas de cuidar das vias respiratórias.

Os especialistas são unânimes em afirmar que a lavagem nasal continua sendo uma das melhores formas de cuidar das vias respiratórias

Como fazer a lavagem nasal corretamente?

Os especialistas são unânimes em afirmar que a lavagem nasal continua sendo uma das melhores formas de cuidar das vias respiratórias.

Ela ajuda a fluidificar o muco, remover poeira, vírus, bactérias, poluentes e alérgenos, reduzindo sintomas de rinite, sinusite, gripes e resfriados. Em alguns casos, estudos mostram que o procedimento também pode diminuir a duração das infecções respiratórias.

O problema não está na técnica em si, mas na maneira como ela é realizada.

Segundo otorrinolaringologistas, um dos erros mais frequentes é acreditar que aplicar mais força tornará a limpeza mais eficiente.

Na prática, acontece justamente o contrário.

A lavagem nasal é extremamente segura quando realizada corretamente. O risco costuma surgir quando há excesso de pressão durante a aplicação do soro.

O excesso de pressão pode atingir os ouvidos

Ao utilizar garrafinhas ou seringas com muita força, parte do soro pode alcançar a tuba auditiva, estrutura que conecta o nariz ao ouvido médio.

Normalmente essa passagem permanece fechada e só se abre em situações específicas, como ao engolir ou bocejar. Porém, quando o líquido chega até essa região sob alta pressão, ele pode provocar desconforto e, em algumas circunstâncias, favorecer o desenvolvimento de uma infecção.

Se já houver vírus ou bactérias presentes na região, o ambiente úmido pode facilitar o surgimento de uma otite.

Sem tratamento adequado, essa inflamação pode evoluir para uma mastoidite, exatamente o quadro enfrentado pelo apresentador.

Além disso, especialistas lembram que a lavagem nasal feita de maneira inadequada também pode provocar pequenos ferimentos na mucosa ou irritação do septo nasal.

A lavagem nasal é extremamente segura quando realizada corretamente. O risco costuma surgir quando há excesso de pressão durante a aplicação do soro.

A lavagem nasal é extremamente segura quando realizada corretamente. O risco costuma surgir quando há excesso de pressão durante a aplicação do soro

Por que a lavagem nasal continua sendo recomendada?

Apesar da repercussão do caso, médicos reforçam que ninguém deve abandonar a prática.

Pelo contrário.

A lavagem nasal continua sendo indicada para praticamente todas as faixas etárias, desde bebês até idosos, justamente porque seus benefícios superam amplamente os riscos quando o procedimento é realizado da forma correta.

Quais cuidados ajudam a evitar complicações?

Os especialistas recomendam utilizar soro fisiológico a 0,9%, preferencialmente em temperatura próxima à do corpo, tornando a aplicação mais confortável.

Durante o procedimento, a pessoa deve permanecer em frente à pia, inclinando levemente a cabeça para frente e um pouco para o lado.

O aplicador deve ser direcionado para a lateral da cavidade nasal, em direção à orelha do mesmo lado da narina utilizada, e nunca diretamente para o centro do nariz.

Outro detalhe importante é permitir que o soro flua naturalmente, sem apertar excessivamente o frasco ou a seringa.

Também é fundamental higienizar corretamente os dispositivos reutilizáveis após cada utilização para evitar contaminações por bactérias.

Na maioria dos casos, basta reduzir a pressão aplicada durante o procedimento para tornar a lavagem nasal segura e altamente eficaz.

O apresentador e radialista cearense João Inácio Jr. precisou ser internado após desenvolver uma mastoidite bilateral

O apresentador e radialista cearense João Inácio Jr. precisou ser internado após desenvolver uma mastoidite bilateral

O que é a mastoidite?

A mastoidite é uma infecção que atinge o osso mastoide, localizado logo atrás da orelha.

Ela normalmente surge como uma complicação de uma otite não tratada adequadamente.

Os principais sintomas incluem dor intensa, febre, inchaço atrás da orelha, secreção e diminuição da audição.

Em situações mais graves, a infecção pode provocar complicações importantes, como perda auditiva, meningite, sepse e até colocar a vida do paciente em risco.

O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Alguns pacientes respondem bem ao uso de antibióticos intravenosos, enquanto outros podem precisar de cirurgia para drenagem do pus acumulado.

No caso de João Inácio Jr., a internação permitiu o início rápido do tratamento, reduzindo os riscos de agravamento.

O episódio serve como um alerta sobre os perigos de seguir orientações de vídeos sem respaldo profissional.

Embora a internet ofereça milhares de tutoriais sobre saúde, pequenas diferenças na execução de um procedimento podem fazer toda a diferença.

A lavagem nasal continua sendo uma grande aliada da saúde respiratória, mas, como qualquer técnica, deve ser realizada corretamente e, sempre que possível, seguindo orientações de profissionais de saúde.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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