Já imaginou transformar chumbo em ouro? Cientistas conseguiram!

Já imaginou transformar chumbo em ouro? Cientistas conseguiram!

Um sonho dos alquimistas da Idade Média que a ciência moderna finalmente realizou – mas não como você imagina.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou transformar chumbo em ouro? Durante séculos, alquimistas perseguiram obsessivamente esse objetivo. Parecia magia, uma obsessão mística e impossível… até agora. Em pleno século 21, cientistas do CERN, o maior centro de física do planeta, conseguiram realizar esse antigo sonho — transformaram átomos de chumbo em ouro de verdade. Sim, ouro de verdade.

Mas calma, não é o tipo de transmutação que vai deixar ninguém rico (pelo menos por enquanto).

Como o chumbo virou ouro?

O feito aconteceu dentro do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o mais potente acelerador de partículas do mundo, localizado na fronteira entre a Suíça e a França. Lá, os núcleos de chumbo foram acelerados a velocidades absurdas — quase a da luz (99,999993%!) — e colidiram tão fortemente que acabaram perdendo algumas partículas subatômicas no processo.

O chumbo, que tem 82 prótons, ao perder prótons e nêutrons, pode se transformar em elementos vizinhos da tabela periódica, incluindo ouro (79 prótons).

É como se a própria tabela periódica se curvasse diante do poder da ciência.

Alquimia moderna ou ficção científica?

Apesar de parecer coisa de filme, o processo é real e foi documentado em uma publicação científica séria: Physical Review C. A responsável pela façanha foi a equipe do experimento ALICE, do CERN, que usou calorímetros ultra precisos para detectar a presença de núcleos de ouro entre os detritos das colisões.

Segundo a física Uliana Dmitrieva, trata-se da primeira vez que essa transformação é detectada e analisada sistematicamente no LHC. Um marco histórico para a física moderna.

Dá pra enriquecer com isso?

Infelizmente, não. O processo consome quantidades gigantescas de energia e gera apenas alguns átomos de ouro, que não são nem próximos do suficiente para produzir uma pepita, quanto mais uma aliança. Mas a conquista tem um valor muito maior do que o financeiro: ela ajuda a entender os mistérios da matéria, das forças que regem o universo… e também a origem de elementos pesados como o ouro no cosmos.

Curiosidade de bônus: o ouro do universo vem de explosões!

A maior parte do ouro que existe na Terra surgiu de colisões violentas entre estrelas de nêutrons, há bilhões de anos. Essas explosões cósmicas liberaram tanta energia que criaram metais pesados — como ouro, platina e urânio — e os espalharam pelo espaço. Ou seja: as joias que usamos já foram poeira estelar.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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