Por que o futebol brasileiro sofre com escassez de laterais?

Por que o futebol brasileiro sofre com escassez de laterais?

A nova geração de laterais brasileiros preocupa. Por que a Seleção sofre com essa posição?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Houve um tempo em que falar de laterais era quase falar de Brasil.

O país que revelou Cafu, Roberto Carlos, Carlos Alberto, Marcelo e Daniel Alves parecia ter uma fábrica inesgotável de jogadores capazes de atacar, defender, cruzar, driblar e decidir partidas inteiras pelos lados do campo.

Mas algo mudou.

Hoje, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, a Seleção Brasileira vive uma situação curiosa e preocupante: talvez a lateral seja a posição mais carente do elenco.

E isso levanta uma pergunta que muita gente tem feito: afinal, o que aconteceu com os laterais brasileiros?

E isso levanta uma pergunta que muita gente tem feito: afinal, o que aconteceu com os laterais brasileiros?

E isso levanta uma pergunta que muita gente tem feito: afinal, o que aconteceu com os laterais brasileiros?

Por que os laterais brasileiros perderam espaço?

O futebol brasileiro continua exportando talentos, mas a posição de lateral parece ter sofrido mais do que as outras.

Hoje, 14 dos 20 times da Série A contam com pelo menos um estrangeiro nas laterais. E não apenas como opção de elenco.

Muitos deles são titulares absolutos e peças fundamentais.

É o caso de Guillermo Varela, no Flamengo, Joaquín Piquérez, no Palmeiras, Ángelo Preciado, no Atlético Mineiro e Pedro Milans, no Corinthians.

Enquanto isso, os laterais brasileiros vivem um cenário de incerteza, tanto nos clubes quanto na Seleção.

O Brasil já foi referência mundial em laterais. Hoje, procura soluções até improvisando zagueiros na posição.

Essa mudança parece ter várias causas ao mesmo tempo.

A saída precoce dos laterais brasileiros para a Europa

Uma das principais razões apontadas por especialistas é que os laterais brasileiros estão indo para a Europa cedo demais.

Antigamente, jogadores como Cafu chegavam ao futebol europeu já prontos, depois de passarem anos no futebol brasileiro, conquistarem títulos e amadurecerem taticamente.

Cafu foi para a Europa aos 24 anos, já campeão mundial pelo Brasil e multicampeão pelo São Paulo.

Hoje, muitos laterais brasileiros saem ainda adolescentes.

Caio Henrique, por exemplo, foi para a Europa aos 18 anos.

Isso faz com que esses jogadores sejam formados em escolas táticas diferentes, geralmente mais defensivas e menos criativas do que a tradição brasileira.

O resultado é uma geração de laterais que, muitas vezes, perde justamente aquilo que fazia o Brasil se destacar: a coragem de atacar, o drible, a técnica e a presença ofensiva.

Laterais brasileiros perderam espaço para atacantes

Outro problema está nas categorias de base.

Muitos jovens simplesmente não querem mais ser laterais.

A maioria sonha em ser atacante, ponta ou camisa 10.

Existe uma percepção de que a lateral exige muito esforço, muita corrida e pouco glamour.

Segundo Ronald Cabral, ex-lateral e supervisor de base do Fluminense, quando você pergunta para uma turma de garotos quem quer ser lateral-direito, quase ninguém levanta a mão. Mas quando a pergunta é quem quer ser atacante, praticamente todos se oferecem.

Isso cria um efeito em cadeia.

Menos jovens querem jogar na lateral.

Menos talentos aparecem.

E os poucos que surgem acabam saindo cedo demais para o exterior.

A lateral virou uma posição ingrata: exige muito fisicamente, recebe pouca atenção e quase nunca é o sonho de uma criança.

A preocupação da Seleção Brasileira

A crise dos laterais brasileiros ficou ainda mais evidente com Carlo Ancelotti.

Mesmo já classificado para a Copa, o treinador segue testando nomes em ambos os lados do campo.

Na esquerda, já passaram Caio Henrique, Alex Sandro e Douglas Santos.

Na direita, foram observados Paulo Henrique, Vanderson, Vitinho e Wesley.

Em alguns momentos, Ancelotti chegou a improvisar Éder Militão, que é zagueiro, como lateral-direito.

Isso mostra o tamanho da preocupação.

A Seleção Brasileira, que já teve laterais lendários, hoje entra em ano de Copa sem ter um dono absoluto da posição.

E isso não acontecia há muito tempo.

Mesmo já classificado para a Copa, o treinador segue testando nomes em ambos os lados do campo

Mesmo já classificado para a Copa, o treinador segue testando nomes em ambos os lados do campo

Ainda existe esperança para os laterais brasileiros?

Apesar do cenário complicado, há quem peça calma.

O próprio Cafu acredita que o Brasil ainda possui jogadores capazes de honrar a tradição da posição, mas que muitos ainda precisam de tempo, adaptação e amadurecimento.

Além disso, alguns jovens nomes seguem surgindo nas categorias de base, como Julio Fidelis, do Fluminense.

Talvez a questão não seja falta de talento.

Talvez seja uma combinação de pressa, mudança cultural e transformação no próprio futebol.

Hoje, o lateral precisa defender como zagueiro, atacar como ponta, correr o jogo inteiro e ainda participar da construção das jogadas.

É uma das posições mais exigentes do futebol moderno.

E talvez seja justamente por isso que os laterais brasileiros tenham ficado tão raros.

Porque formar um grande lateral nunca foi tão difícil.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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