EUA vivem maior paralisação do governo da história

EUA vivem maior paralisação do governo da história

O “shutdown” de 2025 já ultrapassa 40 dias e paralisa serviços, afeta aeroportos e provoca perdas bilionárias na economia americana.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Quando o governo para: a crise que parou os EUA

Imagine acordar e descobrir que o seu governo simplesmente parou de funcionar. É o que milhões de americanos estão enfrentando em 2025, com o mais longo “shutdown” da história dos Estados Unidos – uma paralisação parcial do governo federal que já dura mais de 40 dias.

Tudo começou em 1º de outubro, quando o Congresso não conseguiu aprovar o orçamento nem um financiamento emergencial para manter as atividades públicas. Sem acordo, as portas de parques nacionais se fecharam, aeroportos ficaram sobrecarregados e centenas de milhares de servidores deixaram de receber salário.

“Quando o Congresso não aprova o dinheiro, a máquina pública trava. Ficam apenas os serviços que garantem a segurança e a vida da população”, resume um dos relatórios do governo americano.

O que funciona e o que parou

Serviços considerados “essenciais” — como segurança pública, controle de tráfego aéreo e proteção à vida e propriedade — continuam, mas com equipes reduzidas e funcionários trabalhando sem pagamento.

Por outro lado, funções “não essenciais”, como parques nacionais, museus e grande parte dos órgãos administrativos, estão suspensas. Sites oficiais, relatórios econômicos e dados federais também deixaram de ser divulgados, impactando até as decisões de mercado.

Em aeroportos, controladores operam sem receber, o que reduziu em até 10% o número de voos e deixou milhares de passageiros presos em filas e atrasos. Nos programas sociais, o risco é ainda mais sensível: benefícios alimentares do SNAP podem ser interrompidos caso o impasse continue.

A disputa política por trás do shutdown

Por trás do caos, há uma guerra política que se transfere até para os canais oficiais do governo. A Casa Branca lançou uma página chamada Government Shutdown Clock, com um cronômetro e mensagens atribuindo a culpa do impasse aos democratas, algo que levou especialistas a questionarem a legalidade do uso partidário de sites federais.

“Transformar os canais institucionais do governo em ferramentas de disputa política rompe com décadas de neutralidade administrativa nos EUA”, afirmaram analistas citados pela NPR.

Essa “batalha de narrativas” elevou ainda mais a tensão entre republicanos e democratas, num dos momentos mais polarizados da política americana recente.

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Captura de tela do website oficial da casa branca mostrando o contador do "Shutdown"


Impacto bilionário na economia

Segundo cálculos do Congressional Budget Office (CBO), o shutdown já reduziu entre 1% e 2% o crescimento anualizado do PIB no trimestre, representando perdas estimadas entre 7 e 14 bilhões de dólares. Outras projeções apontam prejuízos semanais de até 16 bilhões, atingindo especialmente o setor aéreo, turismo e pequenas empresas contratadas pelo governo.

“Mesmo após a reabertura, parte desse dinheiro está perdida. Trabalhadores ficaram semanas sem renda, contratos foram interrompidos e programas públicos ficaram paralisados”, alerta o relatório do CBO.

Cerca de 900 mil funcionários federais estão afastados temporariamente, enquanto mais de 1 milhão trabalham sem remuneração até que o orçamento seja aprovado.

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Aeroporto internacional de Tacoma lotado de americanos com seus voos cancelados

Exemplo real de danos provenientes do "Shutdown"

Na cultura norte americana é normal que neste tempo do mês os americanos se juntem com a família para o "Thanksgiving day", ou dia da ação de graças. Com o "shutdown" a todo vapor, a maioria dos voos estão sendo cancelados devido a falta de pagamentos aos funcionários de todos os aeroportos, assim fazendo quase impossível para vários americanos se encontrarem com suas famílias que moram em outros estados nesta data de extrema importância para eles.


Quando (e se) o governo vai reabrir

O Senado dos EUA já aprovou um acordo para restaurar temporariamente o financiamento federal até janeiro de 2026, mas a proposta ainda precisa passar pela Câmara e ser sancionada pelo presidente. Até lá, o país continua em meio a uma das crises administrativas mais profundas do século.

O “shutdown” de 2025 deixa marcas econômicas, sociais e institucionais duradouras. Mais do que números, a paralisação expõe o limite da política no coração da maior economia do mundo — e mostra o quanto a confiança pública pode desabar quando o Estado simplesmente… para.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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