Entenda o que são o 'algoritmo P' e a adultização infantil

Entenda o que são o 'algoritmo P' e a adultização infantil

Entenda os pontos da denúncia de Felca e como vídeos perigosos com crianças se espalham nas redes e o que está por trás disso


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Adultização infantil e o polêmico “algoritmo P”

Nos últimos dias, o youtuber Felca acendeu um alerta sobre um problema grave e pouco discutido: a adultização e a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais. Em um vídeo que já ultrapassa 26 milhões de visualizações, ele expôs como certos conteúdos chegam a potenciais predadores por meio de um mecanismo que apelidou de “algoritmo P”.

O caso ganhou ainda mais repercussão ao envolver o influenciador digital Hytalo Santos e o ambiente em que menores de idade, como a jovem Kamylinha, eram expostos em situações sugestivas. A denúncia colocou em pauta a falta de limites éticos de criadores de conteúdo e a responsabilidade das plataformas em moderar o que chega ao público.

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Youtuber Felca

 

O que significa adultização infantil?

A adultização infantil é o processo de expor crianças a comportamentos, responsabilidades e conteúdos destinados a adultos, incluindo a erotização precoce. Isso pode acontecer tanto com consentimento de responsáveis quanto sem, e nas redes sociais o impacto se amplifica.

Felca destacou casos em que crianças eram induzidas a comportamentos sugestivos, atraindo visualizações, engajamento e, consequentemente, monetização. Segundo especialistas em psicologia e proteção infantil, esse tipo de exposição pode gerar danos emocionais graves e aumentar a vulnerabilidade a abusos.

O que é o “algoritmo P”

O termo criado por Felca se refere ao comportamento dos algoritmos das redes sociais ao detectar interesse de usuários por conteúdos com crianças em situações de erotização. A partir daí, o sistema “entende” essa preferência e começa a recomendar cada vez mais vídeos semelhantes, criando um ciclo de risco.

Embora o algoritmo em si seja uma ferramenta neutra, a ausência de filtros éticos e mecanismos eficazes de bloqueio transforma-o em um facilitador para predadores. Comentários em seções públicas desses vídeos também se tornam espaços de contato e aproximação.

Por que as plataformas são criticadas

Felca argumenta que as redes sociais falham ao priorizar lucro e engajamento em vez de segurança infantil. Vídeos com alto potencial de monetização continuam sendo recomendados, mesmo com denúncias.
O youtuber também ressalta que, apesar de terem recursos para detectar e remover esse tipo de conteúdo, muitas empresas de tecnologia agem de forma lenta ou reativa, permitindo que o dano se espalhe.

O caso Hytalo Santos e Kamylinha

Entre os exemplos citados, o vídeo de Felca focou no caso de Kamylinha, que aos 12 anos começou a participar de conteúdos produzidos por Hytalo Santos. Segundo as denúncias, esses vídeos apresentavam adolescentes com roupas mínimas e comportamentos sugestivos, como danças sensuais e interações com conotação adulta.

A defesa de Hytalo afirma que havia consentimento das mães e que alguns adolescentes eram emancipados. No entanto, o Ministério Público da Paraíba já investigava o influenciador desde 2024 por suspeita de exploração de menores, com base em denúncias feitas ao Disque 100. Após a repercussão do vídeo, novas investigações e um inquérito policial foram abertos, e as redes sociais de Kamylinha foram removidas por decisão judicial.

O que podemos aprender com isso

O caso escancara a necessidade de mais atenção por parte dos responsáveis, das plataformas e do público. Ferramentas de denúncia, filtros de conteúdo e educação digital podem ajudar a reduzir a exposição de crianças a esse tipo de situação.
No entanto, especialistas alertam que enquanto houver audiência e lucro, o problema continuará, exigindo mudanças estruturais e mais fiscalização.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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