Pois foi exatamente isso que um homem russo fez. Segundo ele, tudo começou quando ele tentou comprar Bitcoin, mas recebeu uma moeda chamada GayCoin. A transação veio com uma mensagem: “Não julgue antes de tentar”. E adivinha só? Ele resolveu seguir o conselho ao pé da letra.
GayCoin, um bilhete e um novo namorado
A história que parece saída de uma comédia absurda se tornou realidade em 2019. O rapaz, que não teve o nome revelado, afirma que após receber GayCoin em vez de Bitcoin, e ler a tal frase enigmática, decidiu experimentar um relacionamento com outro homem.
Resultado: arrumou um namorado e agora, segundo ele, "não sabe como contar para os pais".
Sim, ele entrou na Justiça pedindo um milhão de rublos, alegando "danos morais e psicológicos". Na visão dele, a Apple teria “manipulado sua vontade e empurrado ele para a homossexualidade”.
O que é essa tal de GayCoin?
Para quem não conhece, GayCoin é uma criptomoeda criada como símbolo de apoio à comunidade LGBTQIA+. Assim como o Bitcoin, é um tipo de dinheiro digital, mas com uma pegada ativista e bem-humorada.
Acontece que o rapaz queria Bitcoin e acabou recebendo GayCoin por meio de um app terceirizado que rodava no iPhone. O detalhe é que, mesmo sendo um aplicativo externo, ele responsabilizou a Apple por todo o ocorrido.
O preconceito por trás da piada
Por mais surreal que pareça, o caso também revela um contexto sério: a intolerância contra pessoas LGBTQIA+ na Rússia. Apesar da homossexualidade ter sido descriminalizada no país em 1993, discursos preconceituosos, agressões e até assassinatos continuam sendo uma triste realidade.
A legislação russa ainda proíbe o que chama de "propaganda gay", o que dificulta qualquer tipo de visibilidade ou ativismo. Em um ambiente assim, até um processo absurdo como esse ganha espaço nos tribunais.
Tecnologia, criptomoeda e reflexões fora da caixa
Além do humor involuntário, essa história levanta questões sérias:
Será que as pessoas ainda culpam fatores externos para lidar com sua sexualidade?
Como a tecnologia e os algoritmos influenciam nossas escolhas e desejos?
E por que ainda existe tanto tabu em torno de temas que deveriam ser tratados com naturalidade?
A Apple, até hoje, nunca respondeu oficialmente à acusação.
Mas cá entre nós: não existe aplicativo que "transforme" ninguém em nada que já não esteja dentro de si.