Quando os latidos ecoam mais que o riso das crianças
Em Piacenza, uma charmosa cidade da região de Emilia-Romagna, no norte da Itália, há um dado curioso que despertou a atenção de todo o país: hoje, há mais cachorros do que crianças.
O fenômeno, ao mesmo tempo encantador e reflexivo, mostra como os lares italianos têm mudado nas últimas décadas. Segundo a prefeitura local, o número de cães registrados praticamente dobrou em dez anos, de 6.316 em 2012 para 11.125 em 2022. Já o número de crianças com até 11 anos ficou em 10.335.
“Em Piacenza, existe um cachorro para cada quatro famílias”, revelou o jornal italiano Libertà, destacando que muitas dessas famílias também têm crianças em casa.
Uma fotografia dos tempos modernos

A queda da natalidade na Itália, e em boa parte da Europa, é um tema recorrente e preocupante. Menos nascimentos, cidades mais envelhecidas e lares menores são algumas das marcas de um novo estilo de vida moderno.
Katia Tarasconi, prefeita de Piacenza, explicou que, apesar dessa tendência, há sinais de recuperação. Foram registrados 360 nascimentos desde o início do último ano, e em 2022 houve mil nascimentos — um avanço em relação a 2020.
“Precisamos de mais crianças, e uma das nossas prioridades é apoiar as mães, investir em creches e criar condições para incentivar o nascimento”, afirmou Tarasconi.
Consequências e novos desafios urbanos
Mas essa onda de “bebês de quatro patas” também traz desafios. Com tantos cães nas ruas, a cidade enfrenta problemas crescentes de limpeza e responsabilidade pública.
“Cada cidadão deve recolher os dejetos dos animais. Lançamos uma campanha para incentivar essa consciência, com penalidades para quem não respeitar as regras”, alertou a prefeita.
Ainda assim, Tarasconi destaca o valor positivo desses companheiros fiéis: “Os cachorros são muito úteis em casa, tanto para crianças quanto para idosos. As duas coisas não se opõem, seria ótimo termos muitos filhos e muitos cães.”
Em tempos de solidão urbana e relações mais digitais do que humanas, os números de Piacenza revelam mais do que uma estatística: mostram o quanto os laços de afeto, sejam humanos ou caninos, continuam essenciais para preencher o silêncio das cidades.