A invenção bilionária que não rendeu nada ao inventor

A invenção bilionária que não rendeu nada ao inventor

A história trágica por trás do identificador de chamadas.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Nélio José Nicolai, um eletrotécnico da Telebrasília, criou o primeiro identificador de chamadas do mundo, o "Bina", no final dos anos 70, em Brasília, como uma solução para os trotes telefônicos. Ele percebeu que a central telefônica já possuía o número de origem da ligação e criou um protótipo, adaptando uma calculadora para exibir essa informação. Apesar de a Telebrasília ter recusado a ideia, alegando "invasão de privacidade," Nélio patenteou sua invenção em 1980. O Bina chamou a atenção internacional, com a Bell Canada demonstrando interesse em 1984, mas Nélio foi demitido antes de um acordo se concretizar. Pouco depois, em 1986, a Bell lançou um identificador próprio, e a tecnologia de Nélio explodiu globalmente sem que ele recebesse qualquer crédito ou compensação.

Nos anos 90, com a popularização da tecnologia, Nélio iniciou uma longa e custosa batalha judicial contra dezenas de grandes corporações (como Vivo, Claro, Ericsson, e Intelbras) que utilizavam o Bina sem pagar royalties. A luta durou 35 anos, período em que ele precisou vender todos os seus bens — casas e carros — para arcar com os custos advocatícios. Em 2003, multinacionais conseguiram anular sua patente. Embora a Organização Mundial da Propriedade Intelectual o tenha reconhecido com uma medalha de ouro, Nélio nunca recebeu um centavo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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