Imagine entrar em uma empresa no Japão e descobrir que existe um colega veterano que aparentemente não faz nada. Segundo pesquisas, quase metade das grandes companhias japonesas possui pelo menos um desses personagens, apelidados de ojisan, termo que significa “tiozão” em japonês.
Os relatos dos colegas são reveladores. Muitos dizem que esses veteranos passam o tempo fazendo pausas para fumar e beliscar algo, enquanto outros apenas ficam olhando para o nada ou engatam longas conversas sem relação com o trabalho. Navegar na internet também aparece entre as atividades preferidas.
Por que eles continuam nas empresas
A resposta está, em parte, no sistema corporativo japonês. Muitas empresas ainda mantêm uma estrutura de promoções baseadas em tempo de casa, não em desempenho. Isso significa que, mesmo sem produzir muito, esses funcionários recebem aumentos salariais simplesmente por serem veteranos. Outro fator é a falta de confiança das chefias, que acabam não delegando responsabilidades importantes a eles.
O impacto no ambiente de trabalho
Embora possam parecer inofensivos, esses funcionários afetam diretamente o clima organizacional. Pesquisas indicam que 90 por cento dos colegas consideram sua presença prejudicial. Entre os efeitos mais citados estão a queda na motivação geral, o aumento da carga de trabalho para os demais e até o peso nos custos da empresa.
Curiosidades culturais sobre o fenômeno
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O termo “ojisan” não define uma idade exata, mas geralmente é usado por jovens para se referir a homens de meia-idade ou mais velhos.
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No Japão, existe um termo semelhante chamado madogiwa-zoku, que significa literalmente “tribo da janela”. Ele se refere a funcionários deslocados para funções irrelevantes, muitas vezes perto da aposentadoria.
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Apesar das críticas, alguns especialistas apontam que esses veteranos podem funcionar como figuras sociais dentro da empresa, mantendo conversas e tradições que ajudam a preservar a cultura corporativa.
Reflexão final
A existência desses funcionários é um reflexo não apenas da cultura japonesa de valorização da senioridade, mas também de desafios universais no mundo do trabalho. Afinal, quantas empresas ao redor do mundo não têm também o seu “funcionário fantasma”?