15 milhões de usuários de vapes têm entre 13 e 15 anos

15 milhões de usuários de vapes têm entre 13 e 15 anos

Organização Mundial da Saúde revela crescimento alarmante do uso de cigarros eletrônicos entre jovens.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine uma geração que cresceu ouvindo sobre os perigos do cigarro, mas que agora troca a fumaça pelo vapor — e acredita estar mais segura. Essa é a realidade que preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS), que acaba de divulgar dados inéditos sobre o uso global de cigarros eletrônicos, os famosos vapes.

Segundo o relatório, 15 milhões de pessoas entre 13 e 15 anos já utilizam cigarros eletrônicos no mundo. É o primeiro levantamento global da OMS que revela a dimensão desse novo hábito, que rapidamente se tornou um problema de saúde pública.

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15 milhões de pessoas entre 13 e 15 anos já utilizam cigarros eletrônicos

O tabaco tradicional está caindo, mas o vape está subindo

A boa notícia é que o consumo de tabaco está diminuindo em escala global. A má notícia é que os vapes surgiram como uma nova porta de entrada para a dependência da nicotina, especialmente entre os mais jovens.

Atualmente, um em cada cinco adultos ainda é dependente do tabaco, mas o destaque do relatório vai mesmo para o crescimento explosivo dos cigarros eletrônicos entre adolescentes.

“A indústria do tabaco está reagindo com novos produtos de nicotina, direcionados agressivamente aos jovens”, alerta Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Como os vapes conquistaram os jovens

Com designs modernos, sabores adocicados e uma aparência “inofensiva”, os cigarros eletrônicos foram se infiltrando nas escolas e redes sociais.
O apelo tecnológico e o disfarce de que “fazem menos mal” criaram o terreno perfeito para uma nova geração de dependentes.

Segundo a OMS, 86 milhões de adultos também usam cigarros eletrônicos, e a maioria vive em países de alta renda, onde o produto é amplamente comercializado e menos regulamentado.

Mas o maior perigo está no grupo adolescente. Estudos mostram que quanto mais cedo o contato com a nicotina, maior é o risco de dependência duradoura e de problemas respiratórios e cardiovasculares a longo prazo.

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Com designs modernos, sabores adocicados e uma aparência “inofensiva”

Brasil é exemplo na luta contra o tabaco

Entre as boas notícias, o Brasil aparece como um dos países com melhor desempenho nas políticas de combate ao tabagismo.
Campanhas educativas, leis restritivas e aumento de impostos sobre o cigarro tradicional contribuíram para uma queda histórica no número de fumantes.

O número de mulheres que fumam, por exemplo, caiu de 277 milhões em 2010 para 206 milhões em 2024, segundo dados da OMS.
Atualmente, mais de 80% dos consumidores de tabaco no mundo são homens, mas o país segue como um exemplo de avanço.

“Milhões de pessoas estão deixando de usar, ou não estão começando a usar produtos de tabaco, graças aos esforços de controle”, afirma a OMS.

E o cenário mundial?

Mesmo com avanços, a Europa ainda lidera o ranking de consumo, com 24,1% dos adultos fumando.
Nas Américas, o índice é de 14%, mas há países sem dados atualizados — o que pode mascarar uma realidade ainda preocupante.

A tendência global aponta que, enquanto o cigarro tradicional perde espaço, o vape avança silenciosamente, impulsionado por campanhas de marketing e pelo fácil acesso em lojas e plataformas digitais.

Um desafio para os próximos anos

A OMS alerta que os governos precisam agir rápido para conter a expansão dos cigarros eletrônicos entre jovens.
A recomendação é clara: políticas de controle mais rígidas, proibição de publicidade voltada a menores de idade e educação sobre os riscos reais do vape.

O relatório conclui que o combate ao tabagismo evoluiu, mas a guerra está longe de terminar.
A diferença é que, agora, o inimigo é colorido, cheira a morango e cabe no bolso de um adolescente.

“O que parecia o fim do vício do cigarro pode ser apenas o começo de uma nova epidemia silenciosa”, adverte o relatório da OMS.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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