Um pouco de uma parte da Amazônia que se fala Japonês

Um pouco de uma parte da Amazônia que se fala Japonês

Conheça a história de sucesso da comunidade japonesa em Tomé-Açu (PA), que superou desafios ambientais e econômicos, criando um modelo inovador de agrofloresta.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Hajime Yamada, aos 96 anos, é a última testemunha da chegada da primeira leva de japoneses a Tomé-Açu, Pará, em 1929. No interior da Amazônia, enfrentaram desafios marcados por uma praga nos anos 1970 que devastou as plantações. Contudo, a resposta inovadora do engenheiro florestal japonês Noboru Sakaguchi marcou um ponto de virada.

Sakaguchi, então diretor da cooperativa local, propôs abandonar a monocultura e aprender com a diversidade da Floresta Amazônica. Inspirado pelos ribeirinhos locais, que cultivavam com harmonia, Sakaguchi guiou a comunidade japonesa na adoção de um novo modelo de produção.

Michinori Konagano, um dos membros da colônia, relata que Sakaguchi observou a produção equilibrada dos ribeirinhos, tornando-se uma inspiração para a comunidade japonesa. Atualmente, em sua fazenda, Konagano colhe frutos variados, como cacau, açaí, cupuaçu, pitaya, além de madeira e óleos vegetais.

A mudança para esse modelo agroflorestal não apenas reverteu campos degradados em florestas, mas também trouxe de volta animais que haviam desaparecido. A comunidade, antes dependente de um único produto, diversificou suas fontes de receita.

Inspiração Ribeirinha e Técnicas Ancestrais Japonesas

O sucesso do sistema agroflorestal de Tomé-Açu não apenas resgatou a diversidade da região, mas também reavivou técnicas agrícolas ancestrais japonesas. A comunidade, guiada pelo conceito japonês "mottainai" (que desperdício), adotou métodos de adubação sustentáveis, utilizando materiais orgânicos como liteira da mata, palha de arroz e esterco de animais.

Os resultados desse modelo econômico e ambientalmente sustentável transformaram Tomé-Açu em referência para pesquisadores e agricultores em busca de alternativas aos métodos convencionais. Os benefícios incluem a diversificação de receitas, a recuperação de solos esgotados e a promoção da biodiversidade.

Desafios e Perspectivas para o Futuro

Apesar do sucesso, a expansão desse modelo enfrenta desafios tecnológicos, principalmente pela falta de máquinas adequadas. A continuidade do sistema cooperativista também é vital para o êxito da comunidade.

Além disso, a sucessão nas propriedades apresenta desafios, pois muitos descendentes optam por não seguir a tradição agrícola. A comunidade busca superar essa barreira compartilhando seu conhecimento com pesquisadores e agricultores interessados, visando a sobrevivência do modelo além das gerações.

A história de Tomé-Açu destaca não apenas a resiliência da comunidade japonesa na Amazônia, mas também serve como um exemplo inspirador de desenvolvimento sustentável na região.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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