Trump completa 1 ano de mandato com polêmicas e tensões globais

Trump completa 1 ano de mandato com polêmicas e tensões globais

A Casa Branca voltou a testar limites internos e externos. O que esperar para 2026?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você já notou como uma única pessoa pode alterar o ritmo de um planeta inteiro em apenas 12 meses? Isso é o que aconteceu quando Donald Trump completou um ano do seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2026. Ao longo desses 365 dias, o governo americano executou medidas que reverberaram em todos os cantos do mundo, reformulando alianças, aquecendo antigas rivalidades e sacudindo o sistema global de segurança.

O que se viu foi uma diplomacia mais controversa e muitas vezes unilateral, com a política econômica se tornando arma geopolítica, medidas militares diretas e uma série de ameaças e ações que forçaram países a recalcularem suas estratégias externas. Aqui está o panorama desse período marcante.

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Ao longo desses 365 dias, o governo americano executou medidas que reverberaram em todos os cantos do mundo


Tarifas e guerra comercial: uma nova ordem econômica

Uma das marcas mais profundas do primeiro ano foi o uso de tarifas alfandegárias como instrumento de política externa e doméstica. Trump não apenas continuou, como escalou políticas protecionistas que já tinham causado impacto no passado, mas agora de forma mais abrangente e agressiva.

Ele elevou ou impôs tarifas em série:

  • 25% sobre importações do México e Canadá sob o pretexto de controlar imigração e drogas, provocando retaliações desses países e ativando tensões dentro da economia trilateral norte-americana.

  • Expansão de tarifas universais de 10% a praticamente todos os países, com exceções temporárias para atenuar o efeito nas cadeias produtivas.

  • Aumento de tarifas sobre aço, alumínio, carros e uma gama de produtos industriais e tecnológicos.

  • Em 2026, Trump afirmou que qualquer país que fizer negócios com o Irã pagará tarifa de 25% sobre todo o comércio com os EUA como forma de pressão anti-Irã.

Essa estratégia foi apresentada como uma forma de “equilibrar déficits” e proteger a indústria americana, mas seu efeito foi muito mais amplo: desencadeou guerra comercial com vários países, aumentou incertezas para negócios internacionais e forçou outros governos a reformularem suas cadeias de exportação e seus acordos comerciais.

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Uma das marcas mais profundas do primeiro ano foi o uso de tarifas alfandegárias como instrumento de política


Política Doméstica e Reformas Governamentais

A agenda doméstica foi dominada por esforços para reduzir o tamanho do governo federal e implementar reformas fiscais e regulatórias.
Redução da Força de Trabalho Federal: A administração buscou uma redução drástica na força de trabalho federal, com a perda de mais de 317.000 empregos federais até novembro, embora parte tenha sido compensada por recontratações após desafios judiciais . Agências consideradas desalinhadas com a missão de Trump, como o Departamento de Educação e o U.S. Agency for International Development, foram alvos de cortes ou propostas de eliminação .
Reforma Tributária e Econômica: Em 4 de julho de 2025, o Presidente Trump assinou a "One Big Beautiful Bill", que tornou permanentes os cortes de impostos de 2017 para famílias e introduziu medidas populares como a isenção de impostos sobre gorjetas ("No Tax on Tips") e a criação das "Trump Accounts", depósitos de US$ 1.000 para recém-nascidos .
Ações Executivas: O ano foi notável pelo volume de ações executivas, com 225 ordens executivas assinadas, indicando uma preferência por governar via decreto em vez de legislação
A política anti-imigração tornou-se um pilar central do mandato. O governo reforçou barreiras na fronteira sul, restringiu pedidos de asilo e acelerou deportações em massa, cumprindo a retórica de Trump de ser “implacável” na aplicação das leis migratórias. Em estados do interior, ações agressivas do ICE (polícia migratória) geraram confrontos – em Minnesota, agentes se envolveram em um incidente letal que ganhou destaque nacional. Organizações de direitos humanos e lideranças estrangeiras denunciaram o impacto humanitário dessas medidas, enquanto Trump justificou as ações em nome da segurança nacional. No final de 2025, a administração enfrentou obstáculos nos tribunais (vários decretos foram contestados e alguns barrados pelos juízes federais e até pela Suprema Corte).
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A política anti-imigração tornou-se um pilar central do mandato

América Latina, Venezuela e intervenções diretas

O cenário latino-americano foi um dos mais afetados nesse primeiro ano do mandato. A política de Trump para a região misturou pressão econômica, retórica dura e ações militares concretas.

Em um episódio que chocou o mundo, forças dos EUA realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, levando-os a Nova York para enfrentar acusações, segundo relato de fontes internacionais. Essa medida histórica levantou questões imediatas sobre soberania, direito internacional e precedentes globais, pois é raro que um presidente estrangeiro seja removido por força militar sem ampla coalizão internacional.

Além disso, Trump ameaçou e continuou pressionando outros governos latino-americanos para que adotem posições alinhadas com a política de Washington, especialmente em relação a drogas, fronteiras e regimes considerados adversários. Esse tipo de ação tem gerado grande preocupação em países vizinhos sobre a volatilidade das relações e a possibilidade de novas intervenções sob pretextos de segurança nacional.

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Forças dos EUA realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro


Oriente Médio e Irã: máxima pressão e risco de escalada

No Oriente Médio, Trump manteve e intensificou uma política de máxima pressão sobre o Irã, retomando e ampliando sanções econômicas e ameaças contra o governo de Teerã, que enfrenta uma crise interna prolongada. Essas medidas atingiram não apenas o Irã diretamente, mas também países que mantêm relações comerciais com ele, criando uma rede de retaliação econômica em escala global.

Ao mesmo tempo, os conflitos regionais continuaram voláteis. Um cessar-fogo frágil na Faixa de Gaza, mediado em parte com participação americana, mostrou-se difícil de sustentar sem um plano de paz duradouro. A ausência de uma estratégia ampla para a região fez com que a tensão entre Israel, grupos palestinos e outros atores permaneça elevada, com risco de novos episódios de violência.

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No Oriente Médio, Trump manteve e intensificou uma política de máxima pressão sobre o Irã


Europa, Groenlândia e a crise transatlântica

Talvez nenhum tema tenha simbolizado tanto as rupturas deste primeiro ano quanto a obsessão de Trump em adquirir ou controlar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca com importância estratégica no Ártico. O presidente americano não descartou a possibilidade de uso de força ou tarifas punitivas para pressionar a transferência de controle territorial.

Além disso, em janeiro de 2026 Trump propôs tarifas de 10% a 25% contra países europeus que não apoiassem seus planos sobre a Groenlândia, gerando forte reação de líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, que criticou a medida como uma traição a acordos comerciais pré-existentes.

Esses episódios não apenas tensionaram relações com a União Europeia, mas também provocaram debates sobre a coesão da OTAN e alianças tradicionais, que dependem da confiança entre Washington e seus parceiros para garantir segurança coletiva.

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O ano também foi marcado pela obsessão de Trump em adquirir ou controlar a Groenlândia


China, Taiwan e disputa tecnológica

A relação com a China continuou marcada por um misto de competição econômica e rivalidade geopolítica. Trump ampliou tarifas sobre produtos chineses, especialmente no setor tecnológico, e reforçou restrições voltadas a exportações de tecnologia e semicondutores, parte de um esforço para reduzir a dependência americana de cadeias produtivas estrangeiras e proteger a própria indústria nacional.

O tema de Taiwan, embora não tenha se tornado um foco militar direto neste primeiro ano, permaneceu como um ponto de atenção: Pequim segue pressionando contra qualquer reconhecimento formal de independência taiwanesa, enquanto Washington continuou seu apoio implícito à segurança da ilha e suas capacidades de defesa, ampliando a tensão na Ásia-Pacífico.

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O tema de Taiwan permaneceu como um ponto de atenção


Rússia, Ucrânia e um conflito que não termina

O conflito entre Rússia e Ucrânia seguiu sem resolução durante 2025. A posição de Washington oscilou entre pressões por negociações e ceticismo quanto à continuidade das hostilidades. A resistência europeia na manutenção do apoio a Kyiv, mesmo diante de divergências com a Casa Branca, mostrou que a guerra continuará sendo um dos principais focos geopolíticos em 2026, influenciando decisões sobre segurança, energia e alianças.

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O conflito entre Rússia e Ucrânia seguiu sem resolução durante 2025


O que esperar em 2026

Se o primeiro ano foi intenso, o segundo promete mais ainda. Alguns pontos que podem ganhar destaque:

  • Pressão tarifária contínua, mesmo com custo político interno, já que tarifas elevadas podem pressionar preços ao consumidor americano.

  • Eleições legislativas de meio de mandato, que influenciarão prioridades e poder político interno.

  • Linha dura na imigração e pressão judicial sobre políticas domésticas.

  • Frentes geopolíticas sensíveis, incluindo relações com Europa, Ásia-Pacífico, América Latina e Oriente Médio, que podem testar a capacidade de negociação americana.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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