TikTok Americano? Oracle assume comando da rede social

TikTok Americano? Oracle assume comando da rede social

Fim da novela? Entenda como a gigante de tecnologia e investidores assumiram o controle do app nos EUA para evitar o banimento definitivo.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou acordar um dia e descobrir que o aplicativo mais popular do mundo simplesmente desapareceu da sua loja de apps? Para milhões de americanos, esse pesadelo digital quase se tornou realidade. Durante anos, o destino do TikTok nos Estados Unidos parecia um roteiro de filme de suspense: ameaças de espionagem, ordens presidenciais e batalhas judiciais que chegaram à Suprema Corte.

Mas, ao que tudo indica, a temporada final dessa série chegou e com um plot twist bilionário. O TikTok agora tem um novo "passaporte" e uma nova chefia.

O Grande Acordo: Quem manda agora?

Após um longo imbróglio que atravessou diferentes mandatos presidenciais, a ByteDance (empresa mãe do TikTok) bateu o martelo. Para manter o aplicativo vivo em solo americano, foi criada uma joint-venture, uma nova empresa batizada de TikTok USDS Joint Venture LLC.

A grande mudança está no controle acionário. O aplicativo deixa de ser majoritariamente chinês em sua operação nos EUA e passa para mãos ocidentais e aliadas. Um grupo de investidores agora detém 80% do novo empreendimento.

"A lei exigia uma ruptura limpa com a ByteDance. (…) Parece mais um acordo de franquia que deixa a tecnologia central do TikTok na China do que um verdadeiro desinvestimento.", Jim Secreto, ex-funcionário do Tesouro dos EUA, sobre as ressalvas do acordo.

Entre os novos donos do pedaço, o destaque vai para a gigante de tecnologia Oracle, que se une à Silver Lake e ao grupo MGX (dos Emirados Árabes). Juntos, esse trio poderoso controla 45% da operação. A ByteDance? Manterá cerca de 19% a 20% de participação, respeitando o limite legal para não ser banida.

A Oracle como "Guardiã do Algoritmo"

Você deve estar se perguntando: "Mas o que muda na prática?". A resposta está na segurança dos dados. A Oracle não entrou nessa apenas como investidora; ela é o principal parceiro tecnológico da operação.

Na prática, a Oracle será a grande "segurança" da festa. Ela ficará responsável por:

  • "Proteção" de dados na nuvem: Garantir que as informações dos americanos fiquem em servidores nos EUA.

  • "Segurança" do algoritmo: Revisar e validar o código-fonte continuamente.

  • "Moderação": As regras do que pode ou não ser postado serão definidas por essa nova entidade controlada por investidores.

O algoritmo americano será treinado novamente, desta vez usando exclusivamente dados dos cidadãos dos EUA, criando uma espécie de "bolha de segurança" digital.

Não é nem um pouco estranho que os Estados unidos encurralem os donos da maior rede social atual que atinge o público jovem, e nem é suspeito eles quererem tomar controle da plataforma bem quando estão acontecendo diversos eventos geopolíticos envolvendo os USA. 
Mas isso é fora do tópico…

Quem mais está no jogo?

A lista de quem apostou suas fichas no "TikTok Americano" é um verdadeiro "quem é quem" do mundo dos negócios. Além dos gigantes citados, investidores minoritários de peso entraram na rodada:

  • Família Dell: Através do braço de investimento de Michael Dell (CEO da Dell Computadores).

  • Susquehanna International: Via Vastmere Strategic Investments.

  • Yuri e Julia Milner: Através da Virgo LI.

  • Xavier Niel: Magnata das telecomunicações na França.

Essa movimentação também representa uma vitória pessoal gigantesca para Larry Ellison, cofundador da Oracle e aliado de Donald Trump, que amplia seu império de influência na mídia e entretenimento americano.

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Larry Ellison, fundador da Oracle

O Futuro do App

Com a criação desta nova entidade, o medo de um "apagão" do TikTok nos EUA diminui drasticamente. Adam Presser assume como CEO da nova joint-venture, comandando um gigante que já possui 200 milhões de clientes e 7,5 milhões de negócios conectados apenas nos Estados Unidos.

Embora o aplicativo continue interoperável com o resto do mundo, ou seja, americanos ainda verão vídeos globais, a estrutura por trás da tela mudou radicalmente. Resta saber se essa "americanização" será suficiente para acalmar os ânimos em Washington a longo prazo ou se novas temporadas dessa novela ainda estão por vir.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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