Suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado, alerta Anvisa

Suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado, alerta Anvisa

Anvisa alerta sobre uso de cápsulas concentradas. Entenda a diferença entre cúrcuma na comida e em suplementos.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Durante séculos, a cúrcuma foi usada como tempero em cozinhas de várias partes do mundo. Presente em pratos tradicionais e conhecida pelo tom amarelo intenso, a especiaria também ganhou fama por suas propriedades antioxidantes e anti inflamatórias.

Nos últimos anos, essa popularidade ultrapassou a culinária. Suplementos de cúrcuma passaram a oferecer doses elevadas da substância, prometendo benefícios variados para a saúde.

Agora, porém, um alerta oficial chamou atenção para esse tipo de produto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que está investigando possíveis riscos associados aos suplementos de cúrcuma, especialmente em doses concentradas.

O alerta da Anvisa não se refere ao uso culinário da cúrcuma, mas ao consumo de suplementos concentrados da substância.

A decisão foi tomada após registros internacionais apontarem casos raros de inflamação e danos no fígado relacionados ao uso desses produtos.

O alerta da Anvisa não se refere ao uso culinário da cúrcuma, mas ao consumo de suplementos concentrados da substância

O alerta da Anvisa não se refere ao uso culinário da cúrcuma, mas ao consumo de suplementos concentrados da substância

Por que os suplementos de cúrcuma entraram no radar?

O alerta da Anvisa surgiu após análises de farmacovigilância conduzidas em diferentes países. Autoridades de saúde identificaram relatos de pessoas que desenvolveram problemas hepáticos após consumir suplementos que continham cúrcuma ou curcuminoides.

Esses casos foram investigados por agências regulatórias em países como França, Itália, Canadá e Austrália.

Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária identificou dezenas de notificações de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos contendo curcumina, o principal composto ativo da cúrcuma.

Entre os efeitos relatados estavam episódios de inflamação no fígado, incluindo quadros de hepatite medicamentosa.

Esses relatos levaram diferentes autoridades sanitárias a revisar o uso da substância em suplementos alimentares.

A diferença entre cúrcuma na comida e em cápsulas

Um ponto importante destacado pela Anvisa é que o alerta não envolve o uso da cúrcuma como tempero culinário.

Na alimentação tradicional, a quantidade consumida da especiaria é relativamente pequena. Em pratos como curries ou preparações culinárias, a cúrcuma aparece em doses muito menores do que aquelas presentes em cápsulas ou extratos concentrados.

O problema está principalmente nos suplementos de cúrcuma, que costumam conter doses muito mais elevadas do composto ativo.

Além disso, muitas formulações modernas incluem substâncias que aumentam a absorção da curcumina pelo organismo.

Um exemplo comum é a piperina, composto presente na pimenta preta que pode potencializar a absorção da curcumina no intestino.

Isso faz com que o corpo absorva quantidades muito maiores da substância.

Algumas formulações de suplementos aumentam significativamente a absorção da curcumina pelo organismo.

Esse aumento na absorção pode sobrecarregar o fígado, órgão responsável por metabolizar diversas substâncias presentes no sangue.

Algumas formulações de suplementos aumentam significativamente a absorção da curcumina pelo organismo

Algumas formulações de suplementos aumentam significativamente a absorção da curcumina pelo organismo

Como os suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado?

O fígado funciona como um grande centro de processamento químico do organismo. Ele metaboliza medicamentos, suplementos e diversos compostos que ingerimos diariamente.

Quando uma substância chega em concentrações muito altas, esse processo pode gerar reações inflamatórias nas células hepáticas.

No caso da cúrcuma, especialistas apontam que algumas pessoas podem desenvolver hepatite medicamentosa, um tipo de inflamação do fígado provocada por substâncias químicas.

Segundo médicos especialistas, esse tipo de reação costuma estar associado ao uso de doses elevadas ou ao consumo combinado com outros medicamentos.

Também pode ocorrer quando a pessoa utiliza suplementos por conta própria, sem orientação profissional.

Embora os casos relatados sejam considerados raros, eles chamaram atenção das autoridades de saúde.

O risco do uso sem orientação médica

Um fator que preocupa especialistas é a percepção comum de que produtos naturais são automaticamente seguros.

Essa ideia faz com que muitas pessoas utilizem suplementos sem acompanhamento médico ou nutricional.

Em alguns casos, consumidores acabam aumentando as doses acreditando que quantidades maiores trarão benefícios mais rápidos.

Esse comportamento pode elevar o risco de efeitos adversos.

Além disso, suplementos vendidos no mercado podem apresentar variações na concentração de substâncias ativas, o que dificulta o controle exato da dose ingerida.

Essa falta de padronização também contribui para aumentar os riscos.

Sintomas que podem indicar problemas no fígado

A Anvisa orienta que pessoas que utilizam suplementos de cúrcuma fiquem atentas a possíveis sinais de lesão hepática.

Entre os sintomas que merecem atenção estão:

  • pele ou olhos amarelados

  • urina escura

  • cansaço intenso sem causa aparente

  • náuseas persistentes

  • dor abdominal

Caso esses sinais apareçam, a recomendação é interromper o uso do suplemento e procurar atendimento médico.

Eventos adversos também podem ser comunicados aos sistemas de monitoramento da própria Anvisa.

A Anvisa orienta que pessoas que utilizam suplementos de cúrcuma fiquem atentas a possíveis sinais de lesão hepática

A Anvisa orienta que pessoas que utilizam suplementos de cúrcuma fiquem atentas a possíveis sinais de lesão hepática

O que muda após o alerta da Anvisa?

Como medida preventiva, a agência determinou que medicamentos que contenham cúrcuma incluam avisos de segurança nas bulas.

Além disso, a Anvisa iniciou um processo de reavaliação do uso da substância em suplementos alimentares.

Isso inclui a possibilidade de exigir advertências obrigatórias nos rótulos desses produtos.

O objetivo não é proibir imediatamente o uso da cúrcuma em suplementos, mas garantir que os consumidores tenham acesso a informações claras sobre os possíveis riscos.

Em outras palavras, o alerta serve como um lembrete importante.

Mesmo produtos naturais podem provocar efeitos no organismo quando consumidos em altas doses.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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