Smith Art Tattoo e Luciano Hang: grafite que virou debate nacional

Smith Art Tattoo e Luciano Hang: grafite que virou debate nacional

Smith Art Tattoo e o debate entre arte e vandalismo.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Em uma grande cidade, às vezes basta um muro pintado para provocar uma discussão que vai muito além da arte. Uma intervenção urbana pode abrir debates sobre liberdade de expressão, uso do espaço público e até sobre os limites entre arte e vandalismo.

Foi exatamente isso que aconteceu recentemente em Goiânia.

Um grafite feito no viaduto da cidade colocou o artista Smith Art Tattoo no centro de uma polêmica que rapidamente ultrapassou os limites da capital goiana e ganhou repercussão nacional.

De um lado da discussão estão aqueles que consideram a intervenção um ato de vandalismo. Do outro, pessoas que defendem o grafite como uma forma legítima de expressão artística e cultural.

No meio desse debate surge uma pergunta antiga, que acompanha as cidades modernas há décadas.

Onde termina o vandalismo e começa a arte?

O caso envolvendo Smith Art Tattoo reacendeu uma discussão antiga sobre quem decide o que pode ou não aparecer nos muros da cidade.

O caso envolvendo Smith Art Tattoo reacendeu uma discussão antiga sobre quem decide o que pode ou não aparecer nos muros da cidade

O caso envolvendo Smith Art Tattoo reacendeu uma discussão antiga sobre quem decide o que pode ou não aparecer nos muros da cidade

A polêmica do viaduto em Goiânia

O debate começou quando o empresário Luciano Hang publicou um vídeo nas redes sociais criticando uma pintura feita em um viaduto de Goiânia.

Segundo ele, o local havia sido recentemente revitalizado com pintura nova durante ações ligadas à inauguração de uma unidade da rede Havan na cidade.

Pouco tempo depois, um grafite apareceu no mesmo espaço.

No vídeo publicado nas redes sociais, Hang classificou a intervenção como pichação e afirmou que o viaduto havia sido prejudicado pela pintura. Ele também defendeu que as leis brasileiras fossem endurecidas para punir esse tipo de ação.

A publicação gerou grande repercussão e rapidamente colocou o nome do artista Smith Art Tattoo no centro da discussão.

O debate começou quando o empresário Luciano Hang publicou um vídeo nas redes sociais criticando uma pintura feita em um viaduto de Goiânia

O debate começou quando Luciano Hang publicou um vídeo nas redes sociais criticando uma pintura feita em um viaduto de Goiânia

Quem é Smith Art Tattoo?

O responsável pelo grafite criticado no viaduto é Smith Art Tattoo, artista visual, grafiteiro e tatuador conhecido em Goiânia.

Aos 38 anos, Smith Art Tattoo afirma que a arte sempre fez parte da sua vida. Filho de uma artista plástica, ele cresceu em um ambiente criativo e teve contato com diferentes formas de expressão artística desde cedo.

Mais tarde, chegou a estudar artes visuais na Universidade Federal de Goiás.

Mas sua conexão com a arte urbana começou antes da vida acadêmica.

Durante a adolescência, andando de skate pelas ruas da cidade, ele passou a observar murais e grafites espalhados pelos muros de Goiânia. Aquela paisagem colorida despertou seu interesse pela arte urbana.

Desde 2005, Smith Art Tattoo desenvolve sua própria linguagem artística nas ruas.

Ao longo de duas décadas, ele produziu murais em diversos bairros de Goiânia e também em outras cidades brasileiras.

O responsável pelo grafite criticado no viaduto é Smith Art Tattoo, artista visual, grafiteiro e tatuador conhecido em Goiânia

O responsável pelo grafite criticado no viaduto é Smith Art Tattoo, artista visual, grafiteiro e tatuador conhecido em Goiânia

Smith Art Tattoo e a arte que saiu dos muros

Com o passar dos anos, a trajetória de Smith Art Tattoo foi além do grafite.

Em 2013, ele começou a estudar tatuagem e passou a aplicar sua experiência artística também na pele. Com dedicação e prática, construiu um portfólio que chamou a atenção no cenário da tatuagem.

Entre seus clientes estão artistas conhecidos da música brasileira, como Jiraya Uai, MC Kevinho, MC Jacaré e MC Lozin.

Mesmo com o reconhecimento na tatuagem, Smith Art Tattoo nunca abandonou a arte urbana.

Para ele, os muros continuam sendo uma espécie de galeria pública.

Um espaço aberto onde a cidade se transforma em tela.

O coletivo artístico e os murais da cidade

Além de seu trabalho individual, Smith Art Tattoo também integra o coletivo Q20 Crew.

O grupo reúne artistas que realizam intervenções visuais em diferentes espaços urbanos, como escolas, residências, empresas e centros de atenção psicossocial.

Segundo o artista, o coletivo costuma se reunir semanalmente para pintar murais pela cidade.

Enquanto muita gente aproveita o fim de semana de outras maneiras, o grupo prefere transformar muros comuns em obras coloridas.

Essa prática, segundo ele, é uma forma de ocupar a cidade com arte.

Grafite ou vandalismo? O debate que voltou à tona

O caso envolvendo Smith Art Tattoo trouxe novamente à discussão uma questão antiga nas cidades brasileiras.

Grafite e pichação são a mesma coisa?

Do ponto de vista legal, a resposta é não.

A legislação brasileira considera pichação um ato de vandalismo sujeito a multa e detenção. Já o grafite pode ser permitido quando existe autorização do proprietário do espaço.

Mas a diferença entre os dois conceitos não é apenas jurídica.

Ela também envolve estética, intenção artística e percepção social.

O grafite geralmente apresenta desenhos elaborados, personagens, cores e composições visuais complexas. Muitas vezes, o objetivo é transformar um espaço urbano em uma obra visual.

Já a pichação costuma aparecer em forma de assinaturas, códigos ou estilos caligráficos próprios.

Afinal, pichação é arte? Qual a diferença pro grafite?

Afinal, pichação é arte? Qual a diferença pro grafite?

Quando o muro vira espaço de expressão

Pesquisadores que estudam cultura urbana afirmam que a linha entre grafite e pichação nem sempre é tão simples quanto parece.

Ambos fazem parte da história das cidades modernas.

Em muitos casos, artistas que hoje são reconhecidos começaram pintando muros de forma clandestina.

Para muitos artistas urbanos, o muro é mais do que concreto. Ele se transforma em uma tela pública que conta histórias da cidade.

O grafite contemporâneo começou a ganhar força nos Estados Unidos no final dos anos 1960, especialmente em Nova York.

Jovens passaram a escrever seus nomes em vagões de metrô e paredes da cidade. Com o tempo, essa prática evoluiu para uma linguagem artística complexa.

No Brasil, o grafite ganhou força a partir dos anos 1980, especialmente em São Paulo.

Artistas como Os Gêmeos e Eduardo Kobra ajudaram a levar o grafite brasileiro para o cenário internacional.

Quando a arte urbana vira debate público

O episódio envolvendo Smith Art Tattoo mostra como a arte urbana ainda é capaz de provocar discussões intensas.

Para algumas pessoas, intervenções em espaços públicos representam desrespeito ao patrimônio urbano.

Para outras, elas representam cultura, identidade e expressão artística.

No fundo, o caso revela algo maior.

As cidades são espaços de convivência coletiva, onde diferentes visões sobre arte, ordem e liberdade acabam se encontrando.

E às vezes basta um grafite em um viaduto para transformar um simples muro em palco de um debate nacional.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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